Endocrinologia2025

Manejo da Terapia Antidiabética no DM2 — Diretriz SBD 2025 2025: o que mudou na diretriz

Cai na prova 2026
  • O tratamento do DM2 evoluiu de uma visão centrada exclusivamente no controle glicêmico para uma abordagem ampla que integra:

    1. Proteção cardiorrenal
    2. Controle da obesidade
    3. Intensificação oportuna do controle glicêmico
  • Visa combater a inércia terapêutica, que é um problema central na prática clínica brasileira.

  • Incorpora evidências dos estudos CVOTs (cardiovascular outcome trials) com iSGLT2 e AR GLP-1 e dos estudos de perda de peso (STEP, SURPASS, SURMOUNT).

  • Inclui pela primeira vez a tirzepatida (coagonista GLP-1/GIP) como opção terapêutica e incorpora o estudo SOUL (semaglutida oral).

  • Fármacos com benefício cardiorrenal comprovado (iSGLT2 e AR GLP-1), denominados AD1, passam a ser indicados para pessoas de alto ou muito alto risco CV com DM2, independentemente do nível de HbA1c.

  • Controle de peso torna-se objetivo permanente em todas as fases do tratamento.

  • A escolha do antidiabético agora é individualizada pela combinação de 4 eixos: risco CV + IMC + HbA1c + TFG.

  • UKPDS: cada 1% de redução na HbA1c → 14% redução de IAM e 12% redução de AVC.

  • UKPDS 88: HbA1c < 7% mantida nos primeiros anos → maior redução de IAM após 10 anos (efeito legado).

  • Coorte de 270 mil pacientes: HbA1c fora do alvo é o principal preditor de risco de IAM e AVC (acima de PA, LDL-c, tabagismo e albuminúria).

  • Diabetes & Aging Study (n=34.737): risco de complicações micro/macrovasculares ~20% maior já no primeiro ano com HbA1c ≥ 6,5%; mortalidade ~30% maior com HbA1c ≥ 7% nesse mesmo período.

O que mudou

16 mudanças que você precisa saber

  • Antes

    Metformina como 1ª linha universal

    Agora

    Metformina é 1ª linha apenas em risco baixo/intermediário sem sobrepeso/obesidade com HbA1c < 7,5%

  • Antes

    AR GLP-1 e iSGLT2 adicionados à metformina

    Agora

    AR GLP-1 ou iSGLT2 podem ser usados em monoterapia em alto risco CV, independentemente da HbA1c

  • Antes

    Tirzepatida não constava na diretriz

    Agora

    Tirzepatida incluída como opção terapêutica (classe "coagonista GLP-1/GIP")

  • Antes

    Classificação: secretagogos, sensibilizadores, etc.

    Agora

    Nova classificação: AD1, AD e TBI (baseada em benefício cardiorrenal)

  • Antes

    Foco primário no controle glicêmico

    Agora

    4 eixos decisórios: risco CV + IMC + HbA1c + TFG

  • Antes

    Terapia quádrupla não era formalmente recomendada

    Agora

    Terapia quádrupla explicitamente recomendada (R19) antes de insulinizar

  • Antes

    Coformulação insulina/GLP-1 não tinha recomendação formal

    Agora

    R21: Coformulação insulina/AR GLP-1 recomendada para pacientes com sobrepeso/obesidade

  • Antes

    Risco CV alto: iSGLT2 e AR GLP-1 como "add-on

    Agora

    Risco CV alto/muito alto + sobrepeso: AR GLP-1 como preferência (R12, R14)

  • Antes

    Risco CV alto sem sobrepeso: sem orientação clara

    Agora

    Risco CV alto/muito alto sem sobrepeso: iSGLT2 como preferência (R10, R11)

  • Antes

    Combinação iSGLT2 + AR GLP-1 sem recomendação

    Agora

    R15: combinação iSGLT2 + AR GLP-1 considerada para efeito aditivo CV

  • Antes

    Não havia incorporação do estudo SOUL

    Agora

    Estudo SOUL incorporado (semaglutida oral 14 mg com benefício CV)

  • Antes

    CGM não era recomendado formalmente em DM2

    Agora

    CGM recomendado como medida não farmacológica (quando disponível)

  • Antes

    Duração do sono e tempo sentado não mencionados

    Agora

    Sono e tempo sentado incluídos como intervenções não farmacológicas

  • Antes

    Glibenclamida sem restrição explícita

    Agora

    Preferência explícita por gliclazida MR e glimepirida (2ª geração) pelo menor risco de hipoglicemia

  • Antes

    Saxagliptina sem ressalva especial

    Agora

    Saxagliptina: ressalva sobre aumento de hospitalização por IC (SAVOR-TIMI 53)

  • Antes

    Meta de HbA1c < 7% como padrão

    Agora

    HbA1c < 6,5% pode ser benéfica (Diabetes & Aging Study), especialmente no 1º ano

Resumo técnico

A diretriz na íntegra

2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA

Por que esta diretriz foi publicada

  • O tratamento do DM2 evoluiu de uma visão centrada exclusivamente no controle glicêmico para uma abordagem ampla que integra:
    1. Proteção cardiorrenal
    2. Controle da obesidade
    3. Intensificação oportuna do controle glicêmico
  • Visa combater a inércia terapêutica, que é um problema central na prática clínica brasileira.
  • Incorpora evidências dos estudos CVOTs (cardiovascular outcome trials) com iSGLT2 e AR GLP-1 e dos estudos de perda de peso (STEP, SURPASS, SURMOUNT).
  • Inclui pela primeira vez a tirzepatida (coagonista GLP-1/GIP) como opção terapêutica e incorpora o estudo SOUL (semaglutida oral).

Mudança de paradigma central

  • Fármacos com benefício cardiorrenal comprovado (iSGLT2 e AR GLP-1), denominados AD1, passam a ser indicados para pessoas de alto ou muito alto risco CV com DM2, independentemente do nível de HbA1c.
  • Controle de peso torna-se objetivo permanente em todas as fases do tratamento.
  • A escolha do antidiabético agora é individualizada pela combinação de 4 eixos: risco CV + IMC + HbA1c + TFG.

Evidências-chave de suporte

  • UKPDS: cada 1% de redução na HbA1c → 14% redução de IAM e 12% redução de AVC.
  • UKPDS 88: HbA1c < 7% mantida nos primeiros anos → maior redução de IAM após 10 anos (efeito legado).
  • Coorte de 270 mil pacientes: HbA1c fora do alvo é o principal preditor de risco de IAM e AVC (acima de PA, LDL-c, tabagismo e albuminúria).
  • Diabetes & Aging Study (n=34.737): risco de complicações micro/macrovasculares ~20% maior já no primeiro ano com HbA1c ≥ 6,5%; mortalidade ~30% maior com HbA1c ≥ 7% nesse mesmo período.

3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

3.1 Classificação dos Fármacos Antidiabéticos (NOVA — 2025)

SiglaDefiniçãoFármacos
AD1Fármacos com comprovado benefício cardiorrenaliSGLT2, AR GLP-1
ADFármacos redutores de glicemia com segurança CV comprovadaGliclazida, Glimepirida, Pioglitazona, iDPP-4
TBITerapia Baseada em InsulinaInsulina basal, insulina rápida, coformulação insulina basal/GLP-1

3.2 Estratificação do Risco Cardiovascular no DM2

RISCO BAIXO/INTERMEDIÁRIO

CritérioDetalhes
IdadeH < 50 anos / M < 56 anos
Fatores de riscoSem fatores de risco
Doença subclínica / Lesão de órgão-alvoNão há ou não se conhece
Eventos CVSem eventos CV

RISCO ALTO

CritérioDetalhes
Fatores de risco (1-2)Duração DM2 > 10 anos; Síndrome metabólica; HAS; Tabagismo atual; LDLc > 190 mg/dL; HF de DAC prematura
Doença subclínica (qualquer)TFG 30-59 mL/min/1,73m²; Albuminúria 30-300 mg/g + TFG > 45; Retinopatia não proliferativa; NAC precoce; CAC > 10 Agatston; Placa carotídea > 1,5 mm; Angio TC coronárias com placa definida; Estenose arterial < 50%; ITB < 0,9; Aneurisma de Aorta Abdominal; NTproBNP > 125 pg/mL ou BNP > 35 mg/dL; Lp(a) > 50 mg/dL ou > 125 nmol/L
Eventos CVSem eventos CV

RISCO MUITO ALTO

CritérioDetalhes
Fatores de risco≥ 3 fatores de risco OU Hipercolesterolemia Familiar
Doença subclínica (qualquer)Albuminúria > 300 mg/g; TFG < 30 mL/min/1,73m²; Albuminúria 30-300 mg/g + TFG < 45; Retinopatia proliferativa; NAC grave; Estenose arterial > 50% em qualquer território
Eventos CV (qualquer)SCA/IAM; DAC crônica (angina estável); AVCi; AIT; DAOP; Amputação; Revascularização arterial

3.3 Características dos Antidiabéticos por Classe

ClasseEficáciaHipoglicemiaPesoInjetávelCustoEfeitos Adversos
MetforminaAltaNãoNeutraNãoBaixo/SUSComuns
iSGLT2MédiaNãoReduçãoNãoMédio/SUSEsporádicos
AR GLP-1AltaNãoReduçãoSimAltoMuito comuns
Semaglutida oralAltaNãoReduçãoNãoAltoMuito comuns
TirzepatidaAltaNãoReduçãoSimAltoMuito comuns
iDPP-4MédiaNãoNeutraNãoMédioMuito raros
PioglitazonaAltaNãoGanhoNãoMédioEsporádicos
SulfonilureiasAltaSimGanhoNãoBaixoComuns
InsulinaAltaSimGanhoSimBaixoMuito comuns

4. DIAGNÓSTICO / AVALIAÇÃO INICIAL

R1 — Avaliação universal antes de definir terapia (Classe I, Nível C)

Todo adulto com DM2 deve ser avaliado quanto a:

  1. Risco cardiovascular (estratificação por fatores de risco — Tabela 1)
  2. Índice de massa corporal (IMC)
  3. HbA1c
  4. Função renal (TFGe)

Ponto de corte de HbA1c para decisão terapêutica

  • < 7,5% (ou < 0,5% acima do alvo individualizado) → monoterapia é considerada
  • ≥ 7,5% (ou ≥ 0,5% acima do alvo individualizado) → terapia dupla de início

5. TRATAMENTO

5.1 Abordagem Não Farmacológica (R2 — Classe I, Nível B)

Recomendadas universalmente, em todas as categorias de risco, durante todo o tratamento:

IntervençãoEvidência-chave
Controle do pesoDIRECT: perda ≥ 15 kg → 11% vs. 2% (p=0,0023); remissão DM2 em 36% vs. 3%; com ≥ 10 kg mantidos, 64% remissão
Atividade físicaMetanálise (47 ECR, n=8.538): exercício estruturado → -0,67% HbA1c; > 150 min/semana → -0,89% HbA1c
Duração do sonoIdeal: 7h/dia. ≤ 5h: HR 1,26 para DCV; ≥ 10h: HR 1,41 para DCV; HR 1,85 para mortalidade CV
Redução do tempo sentadoHR 1,29 para DCV; HR 1,13 para DM2 (independente de atividade física)
CGMisCGM: -0,45% HbA1c em 3-4 meses, -0,59% em 4,5-7,5 meses, sustentado por ≥ 12 meses
Cessação do tabagismoRecomendada
Controle do estresseRecomendado
Dieta saudávelRecomendada

5.2 Tratamento Farmacológico — Algoritmo Completo

EIXO 1: RISCO BAIXO OU INTERMEDIÁRIO — SEM SOBREPESO/OBESIDADE

HbA1c < 7,5% (ou < 0,5% acima do alvo)
RecomendaçãoClasse/NívelConduta
R3I / BMetformina em monoterapia (1ª escolha)
R4IIa / ASe intolerância à metformina: monoterapia com AD1 (preferência iSGLT2) ou AD com baixo risco de hipoglicemia (iDPP-4, pioglitazona)
HbA1c ≥ 7,5% (ou ≥ 0,5% acima do alvo)
RecomendaçãoClasse/NívelConduta
R5I / ATerapia dupla inicial: Metformina + AD1 (preferência iSGLT2) ou Metformina + AD

EIXO 2: RISCO BAIXO OU INTERMEDIÁRIO — COM SOBREPESO/OBESIDADE

HbA1c < 7,5%
RecomendaçãoClasse/NívelConduta
R6IIa / AMonoterapia com AR GLP-1 ou tirzepatida (foco em redução de peso e glicemia)
R7IIa / ASe AR GLP-1/tirzepatida inacessíveis ou não tolerados: iSGLT2 ou Metformina
HbA1c ≥ 7,5%
RecomendaçãoClasse/NívelConduta
R8IIa / ATerapia dupla: AR GLP-1 ou tirzepatida + metformina ou iSGLT2
R9IIb / BAlternativamente: qualquer combinação dupla (classes diferentes), para reduzir glicemia

EIXO 3: RISCO ALTO OU MUITO ALTO — SEM SOBREPESO/OBESIDADE

HbA1c < 7,5%
RecomendaçãoClasse/NívelConduta
R10I / AAD1 em monoterapia (preferência iSGLT2) — para redução de eventos CV + controle glicêmico, independentemente da HbA1c
HbA1c ≥ 7,5%
RecomendaçãoClasse/NívelConduta
R11I / AAD1 (preferência iSGLT2) + Metformina

EIXO 4: RISCO ALTO OU MUITO ALTO — COM SOBREPESO/OBESIDADE

HbA1c < 7,5%
RecomendaçãoClasse/NívelConduta
R12I / AAD1 com efeito redutor de peso (preferência AR GLP-1) em monoterapia
R13IIa / ASe AR GLP-1 indisponíveis/não tolerados: iSGLT2
HbA1c ≥ 7,5%
RecomendaçãoClasse/NívelConduta
R14I / AAD1 (preferência AR GLP-1) + Metformina
R15IIa / BAR GLP-1 + iSGLT2 (potencial efeito aditivo CV)

PACIENTES SINTOMÁTICOS (qualquer risco)

RecomendaçãoClasse/NívelConduta
R16I / CInsulinoterapia (TBI) se poliúria, polidipsia, perda de peso — independente do risco CV
R17IIb / CApós estabilização: considerar substituição da TBI por terapia dupla ou tripla

5.3 INTENSIFICAÇÃO

Terapia Dupla → Tripla (R18 — Classe IIa, Nível A)

  • Quando: HbA1c persiste > 7% após 3 meses de terapia dupla
  • Condição: adultos assintomáticos, qualquer risco

Terapia Tripla → Quádrupla (R19 — Classe IIa, Nível B)

  • Quando: HbA1c persiste > 7% após 3 meses de terapia tripla
  • Condição: risco alto ou muito alto, com sobrepeso ou obesidade

Terapia Quádrupla → Insulina (R20 — Classe IIa, Nível A)

  • Quando: HbA1c persiste > 7% após 3 meses de terapia quádrupla

Insulina em pacientes com sobrepeso/obesidade (R21 — Classe IIa, Nível B)

  • Preferência: Coformulação insulina basal/AR GLP-1 (degludeca/liraglutida), para minimizar ganho de peso
    • Redução HbA1c -0,50% maior que insulina basal sozinha
    • RR 1,48 de atingir meta de HbA1c
    • Redução de peso: -2,0 kg vs. titulação de insulina basal
    • Hipoglicemia semelhante
    • Dose diária de insulina significativamente menor (40 UI vs. 84 UI)

5.4 Combinações Triplas Recomendadas (Tabela 3)

Risco Baixo ou Intermediário

IMCEsquema recomendadoOutras opções
Sem sobrepeso/obesidadeMET + AD1 (pref. iSGLT2) + ADMET + AD1 + AD1; MET + AD + AD; AD1 + AD1 + AD; AD + AD + AD; TBI
Com sobrepeso/obesidadeMET + AD1 (pref. GLP-1) + AD1MET + TZP + AD; MET + TZP + iSGLT2; MET + AD1 + AD1; MET + AD + AD; AD1 + AD1 + AD; TZP + iSGLT2 + AD; AD + AD + AD; Coformulação Insulina/GLP-1

Risco Alto ou Muito Alto

IMCEsquema recomendadoOutras opções
Sem sobrepeso/obesidadeMET + AD1 (pref. iSGLT2) + ADMET + AD1 + AD1; MET + AD + AD; AD1 + AD1 + AD; AD + AD + AD; TBI
Com sobrepeso/obesidadeMET + AD1 (pref. GLP-1) + AD1MET + AD1 + AD; MET + AD + AD; AD1 + AD1 + AD; AD + AD + AD; Coformulação Insulina/GLP-1

Regra: NÃO combinar fármacos de mecanismo semelhante (ex.: AR GLP-1 + iDPP-4; AR GLP-1 + tirzepatida).

5.5 Detalhamento dos Fármacos — Doses, Posologias e Particularidades

METFORMINA

ApresentaçãoPosologiaDose máxima
Liberação imediata 500/850 mg2-3x/dia2.550 mg/dia
Liberação estendida (XR) 500/750/1.000 mg1-3x/dia2.250 mg/dia
  • Eficácia: Reduz glicemia de jejum 60-70 mg/dL; HbA1c 1,5-2%
  • Ajuste renal: TFG 30-45 → reduzir 50% (máx. 1 g/dia); TFG < 30 → suspender
  • Vitamina B12: avaliar anualmente após 4 anos de uso; repor se necessário
  • Efeitos adversos: GI (diarreia, náusea, vômitos) > 10% na formulação imediata, < 10% na XR; acidose lática (rara)
  • Contraindicações: TFG < 30; cetoacidose; IC congestiva; lactação
  • Contraste iodado: descontinuar antes e após procedimento em pacientes com TFG 30-60, doença hepática, IC, alcoolismo

INIBIDORES DO SGLT2

AgenteDoseTFG mínima para iniciar
Dapagliflozina10 mg 1x/dia≥ 25 mL/min/1,73m²
Empagliflozina10 ou 25 mg 1x/dia≥ 20 mL/min/1,73m²
Canagliflozina100 ou 300 mg 1x/dia≥ 45 mL/min/1,73m²
  • Eficácia: Glicemia de jejum -30 mg/dL; HbA1c -0,5 a -1,0%
  • Benefícios CV: Redução MACE 10%; morte CV 15%; hospitalização por IC 32% (metanálise McGuire et al.)
  • Efeitos adversos: infecções genitourinárias; risco baixo de cetoacidose euglicêmica
  • Peso: redução discreta
  • PA: redução da pressão arterial

AGONISTAS DO RECEPTOR GLP-1

AgenteDoseVia/Frequência
Liraglutida0,6 / 1,2 / 1,8 mg/diaSC diária
Dulaglutida0,75 / 1,5 mg/semanaSC semanal
Semaglutida SC0,25 / 0,5 / 1,0 mg/semanaSC semanal
Semaglutida oral3 / 7 / 14 mg/diaVO diária
  • Eficácia: Glicemia de jejum -30 mg/dL; HbA1c -0,8 a -1,5%
  • Benefícios CV (metanálise com 10 trials, n=71.351):
    • MACE: -14% (HR 0,86 [0,81-0,90])
    • Hospitalização por IC: -14% (HR 0,86 [0,79-0,93])
    • Desfecho renal composto: -17% (HR 0,83 [0,75-0,92])
    • Morte por todas as causas: -12% (HR 0,88 [0,82-0,93])
    • Morte CV: redução confirmada apenas no LEADER (liraglutida) — HR 0,78 (0,66-0,93), p=0,007
  • Contraindicações: carcinoma medular de tireoide; pancreatite; uso com iDPP-4 ou tirzepatida; TFG < 15
  • Efeitos adversos: náusea, vômitos, diarreia; aumento discreto FC; pancreatite aguda (rara, injetáveis)

⚠️ NOTA IMPORTANTE 4: O benefício CV dos AR GLP-1 só está comprovado com doses plenas: semaglutida SC ≥ 1,0 mg, semaglutida oral 14 mg, dulaglutida 1,5 mg, liraglutida ≥ 1,8 mg. Se essas doses não forem atingidas, considerar iSGLT2 para proteção CV.

TIRZEPATIDA (Co-agonista GLP-1/GIP)

DosesFrequência
2,5 / 5 / 7,5 / 10 / 12,5 / 15 mgSC 1x/semana (máx. 15 mg)
  • Eficácia: Glicemia de jejum -43 a -68 mg/dL; HbA1c > -2%
  • SURPASS-1: HbA1c -1,87% (5 mg) a -2,07% (15 mg); 87-92% atingiram < 7%; 31-52% atingiram < 5,7%
  • SURMOUNT-2: Redução de peso -12,8% (10 mg) e -14,7% (15 mg) em 72 semanas
  • Efeitos adversos: náusea, diarreia, vômitos (leve a moderado; descontinuação < 5%); aumento FC 2-4 bpm
  • Contraindicações: carcinoma medular de tireoide / NEM2; uso com AR GLP-1 ou iDPP-4

PIOGLITAZONA

DosesFrequência
15 / 30 / 45 mg1x/dia
  • Eficácia: Glicemia de jejum -35 a -65 mg/dL; HbA1c -0,5 a -1,4%
  • PROactive: Desfecho primário não significativo (HR 0,90); desfecho secundário (morte + IAM + AVC) significativo (HR 0,84, p=0,027)
  • Mais internações por IC (6% vs. 4%), mas mortalidade por IC sem diferença
  • Contraindicações: IC classes III-IV; insuficiência hepática; gestação
  • Efeitos adversos: ganho de peso; retenção hídrica; risco de fraturas em idosos

SULFONILUREIAS

AgenteDoseDose máxima
Gliclazida MR30 / 60 mg 1x/dia120 mg/dia
Glimepirida1 / 2 / 4 mg 1-2x/dia8 mg/dia
Glibenclamida5 mg 1-2x/dia20 mg/dia
  • Eficácia: Glicemia de jejum -60 a -70 mg/dL; HbA1c -1,5 a -2,0%
  • Segurança CV: demonstrada em CAROLINA (glimepirida), TOSCA.IT (glimepirida), ADVANCE (gliclazida MR); sem aumento de desfechos CV
  • Hipoglicemia: Gliclazida MR tem menor risco — GUIDE: 3,7% vs. 8,9% glimepirida (p=0,003)
  • Preferência SBD: Gliclazida MR e Glimepirida (2ª geração)
  • Contraindicações: TFG < 30; insuficiência hepática; gestação

INIBIDORES DA DPP-4

AgenteDoseAjuste renal
Sitagliptina50-100 mg 1-2x/diaSim
Vildagliptina50 mg 2x/diaSim
Linagliptina5 mg 1x/diaNão
Alogliptina6,25 / 12,5 / 25 mg 1x/diaSim
Saxagliptina2,5 / 5 mg 1x/diaSim
Evogliptina5 mg 1x/diaNão
  • Eficácia: Glicemia de jejum -20 mg/dL; HbA1c -0,6 a -0,8%
  • Segurança CV: TECOS (sitagliptina), EXAMINE (alogliptina), CARMELINA (linagliptina) — não inferiores ao placebo
  • ⚠️ Saxagliptina: aumento de hospitalização por IC (SAVOR-TIMI 53)
  • Peso: neutro
  • Contraindicações: hipersensibilidade; NÃO usar com AR GLP-1 ou tirzepatida

COMBINAÇÕES FIXAS DISPONÍVEIS NO BRASIL

CombinaçãoNomes comerciais
Metformina + SitagliptinaJanumet / Janumet XR
Metformina XR + VildagliptinaGalvus Met XR
Metformina XR + SaxagliptinaKombiglyze XR
Metformina XR + LinagliptinaTrayenta Duo
Metformina XR + AlogliptinaNesina Met
Metformina XR + GliclazidaGlivance 500/30
Pioglitazona + AlogliptinaNesina Pio
Metformina XR + DapagliflozinaXigduo XR
Empagliflozina + LinagliptinaGlyxambi
Dapagliflozina + SaxagliptinaQtern

5.6 Metas Terapêuticas

MetaValor
HbA1c geral< 7%
HbA1c potencialmente benéfica< 6,5% (The Diabetes & Aging Study)
Tempo no alvo (CGM)70-180 mg/dL
Tempo de reavaliação para intensificação3 meses
Metas individualizadasConforme idade, funcionalidade, cognição, expectativa de vida, risco de hipoglicemia, fragilidade

5.7 Evidências CV por Classe

iSGLT2 (Metanálise McGuire — 6 ECR, n=46.959)

  • MACE: -10% (HR 0,90 [0,85-0,95])
  • Morte CV: -15% (HR 0,85 [0,78-0,93])
  • Hospitalização por IC: -32% (HR 0,68 [0,61-0,76])
  • Benefício independente de DCV prévia (p interação = 0,63) e de uso de metformina (p interação = 0,14)

AR GLP-1 (Metanálise mais recente — 10 ECR, n=71.351)

  • MACE: -14% (HR 0,86 [0,81-0,90])
  • Hospitalização por IC: -14% (HR 0,86 [0,79-0,93])
  • Desfecho renal composto: -17% (HR 0,83 [0,75-0,92])
  • Morte por todas as causas: -12% (HR 0,88 [0,82-0,93])
  • Morte CV: não reduzida na metanálise geral (apenas no LEADER com liraglutida)

Estudos Individuais dos AR GLP-1

EstudoFármacoMACEMorte CVOutros
LEADERLiraglutida ≥ 1,8 mg-13% (HR 0,87)-22% (HR 0,78, p=0,007)Morte geral -15%
SUSTAIN-6Semaglutida SC ≥ 1,0 mg-26% (HR 0,74)NSAVC não fatal↓
REWINDDulaglutida 1,5 mg-12% (HR 0,88)NSBenefício com/sem DCV prévia
SOULSemaglutida oral 14 mg-14% (HR 0,86, p=0,006)NSMediana seguimento 49,5 meses

Combinação iSGLT2 + AR GLP-1

  • Coorte UK: redução adicional de 30% MACE vs. uso isolado de cada classe
  • Coorte EUA (n=12.584): iSGLT2 + AR GLP-1 vs. SU + AR GLP-1 → HR 0,76 para desfecho CV composto
  • AMPLITUDE-O: benefício da efpeglenatida independente do uso concomitante de iSGLT2

6. POPULAÇÕES ESPECIAIS

Metformina e Função Renal

  • TFG 30-45 mL/min/1,73m²: reduzir 50% (máx. 1 g/dia)
  • TFG < 30 mL/min/1,73m²: suspender (risco de acidose lática)
  • Descontinuar antes/após contraste iodado em pacientes com TFG 30-60

Limites de TFG para iSGLT2

  • Dapagliflozina: não iniciar se TFG < 25
  • Empagliflozina: não iniciar se TFG < 20
  • Canagliflozina: não iniciar se TFG < 45

AR GLP-1

  • Contraindicado se TFG < 15 mL/min/1,73m²

iDPP-4

  • Necessitam ajuste renal exceto: linagliptina e evogliptina

Sulfonilureias

  • Contraindicadas se TFG < 30

Pioglitazona

  • Contraindicada em IC classes III-IV
  • Risco de fraturas em idosos

Pacientes com Sobrepeso/Obesidade

  • Priorizar fármacos com efeito redutor de peso: AR GLP-1, tirzepatida, iSGLT2
  • Se necessitar insulina → preferir coformulação insulina basal/AR GLP-1
  • Perda de peso é objetivo permanente

Pacientes com DM2 Recém-Diagnosticados Sintomáticos

  • Insulinoterapia inicial (independente do risco CV)
  • Após estabilização clínica → reavaliar e considerar transição para AD orais/injetáveis

Pacientes com DM2 Recém-Diagnosticados com HbA1c Elevada

  • Insulinoterapia intensiva transitória associada a maior remissão: 51,1% (CSII) e 44,9% (MDI) vs. 26,7% (ADs orais) em 1 ano
  • HbA1c basal média: 9,5-9,8%

Nota sobre IC e DRC

  • Manejo específico abordado em outros capítulos da diretriz (não neste documento)

Quer ver o que tende a cair sobre Manejo da Terapia Antidiabética no DM2 — Diretriz SBD 2025 na sua prova?

Pontos de prova — alta probabilidade

22 pontos que tendem a cair na prova

Outros pontos relevantes

  • 01

    Classificação AD1/AD/TBI: Saber que AD1 = iSGLT2 + AR GLP-1 (benefício cardiorrenal comprovado); AD = SU + pioglitazona + iDPP-4 (segurança CV); TBI = insulinas + coformulação

  • 02

    Preferência por iSGLT2 vs. AR GLP-1 conforme IMC:

  • 03

    Alto risco CV sem sobrepeso → preferência iSGLT2

Contradiz o que se ensinava

Veja todos os 22 pontos

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Da diretriz pra prova

Como isso cai na sua prova

Endocrinologia cai dentro de Clínica Médica nas bancas de residência — abaixo, as 5 que mais cobram Clínica Médica.

Predições são estimativas geradas pela IA M.A.E.S.T.R.O.® — não substituem o edital oficial da banca.

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