NefrologiaKDIGO2026

KDIGO 2026 - Diretriz Clínica para Manejo da Anemia na Doença Renal Crônica 2026: o que mudou na diretriz

Cai na prova 2026
  • Última diretriz KDIGO de anemia em DRC foi de 2012.

  • Surgiram novas evidências sobre:

    • Riscos e benefícios limitados dos agentes estimuladores da eritropoiese (AEEs).
    • Uso ótimo de ferro intravenoso (estudo PIVOTAL).
    • Introdução dos inibidores da prolil-hidroxilase do fator induzível por hipóxia (HIF-PHIs) como alternativa oral aos AEEs.
  • Duas Conferências de Controvérsias KDIGO (dezembro/2019 sobre manejo ótimo da anemia em DRC; dezembro/2021 sobre HIF-PHIs) embasaram a atualização.

  • Renomeação das categorias clássicas de deficiência de ferro.

  • Reforço da estratégia proativa de ferro IV em hemodiálise.

  • Incorporação dos HIF-PHIs como alternativa terapêutica.

  • Maior individualização de alvos de Hb e limiares de transfusão.

O que mudou

13 mudanças que você precisa saber

  • Antes

    Deficiência absoluta" e "deficiência funcional

    Agora

    Deficiência sistêmica de ferro" e "eritropoiese restrita ao ferro

  • Antes

    Reativa, baseada em níveis baixos

    Agora

    Proativa, alta dose (baseada em PIVOTAL); 400 mg/mês de sacarose férrica

  • Antes

    Ferritina ≤ 500 e TSAT ≤ 30%

    Agora

    Mantido: ferritina ≤ 500 ng/ml e TSAT ≤ 30%

  • Antes

    Não tão claramente definido

    Agora

    Ferritina > 700 ng/ml OU TSAT ≥ 40%

  • Antes

    Não existiam na diretriz

    Agora

    Capítulo dedicado: alternativa em hiporresponsividade ou impraticabilidade de AEE

  • Antes

    ≤ 11,5 g/dl (adultos)

    Agora

    Mantido ≤ 11,5 g/dl, tipicamente 10–11,5 g/dl

  • Antes

    Iniciar entre 9–10 g/dl

    Agora

    Mantido: ≤ 9–10 g/dl

  • Antes

    Iniciar quando Hb < 10 g/dl

    Agora

    8,5–10 g/dl, individualizado (mais conservador para alguns)

  • Antes

    Falha em atingir Hb ou doses crescentes

    Agora

    Refinada: não atingir alvo apesar de aumento significativo OU necessidade contínua de doses altas

  • Antes

    Não enfatizado

    Agora

    Considerar se ferritina < 30 e TSAT < 20%, especialmente sintomáticos

  • Antes

    Restritivo geral

    Agora

    Limiares específicos por cenário: < 7, < 7,5, < 8 g/dl

  • Antes

    Pouco discutido

    Agora

    Monitorar fosfato com carboximaltose férrica, sacarato e polimaltose

  • Antes

    N/A

    Agora

    Contraindicada (sem dados de segurança)

Resumo técnico

A diretriz na íntegra

Documento de Referência Completo


2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA

Por que foi publicada

  • Última diretriz KDIGO de anemia em DRC foi de 2012.
  • Surgiram novas evidências sobre:
    • Riscos e benefícios limitados dos agentes estimuladores da eritropoiese (AEEs).
    • Uso ótimo de ferro intravenoso (estudo PIVOTAL).
    • Introdução dos inibidores da prolil-hidroxilase do fator induzível por hipóxia (HIF-PHIs) como alternativa oral aos AEEs.
  • Duas Conferências de Controvérsias KDIGO (dezembro/2019 sobre manejo ótimo da anemia em DRC; dezembro/2021 sobre HIF-PHIs) embasaram a atualização.

Principais mudanças conceituais

  • Renomeação das categorias clássicas de deficiência de ferro.
  • Reforço da estratégia proativa de ferro IV em hemodiálise.
  • Incorporação dos HIF-PHIs como alternativa terapêutica.
  • Maior individualização de alvos de Hb e limiares de transfusão.

3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

3.1 Definição de anemia (mantida do KDIGO 2012, baseada na OMS)

PopulaçãoLimiar de Hb para diagnóstico de anemia
Homens (≥15 anos)< 13,0 g/dl (< 130 g/l)
Mulheres (≥15 anos)< 12,0 g/dl (< 120 g/l)
Crianças 12–14 anos< 12,0 g/dl
Crianças 5–11 anos< 11,5 g/dl
Crianças 0,5–4 anos< 11,0 g/dl

3.2 Prevalência de anemia por estágio de DRC (referência)

  • Mais da metade dos pacientes com DRC G4 e G5 apresenta anemia.
  • Prevalência aumenta progressivamente conforme avança o estágio de DRC.

3.3 NOVA TERMINOLOGIA — Deficiência de Ferro na DRC

MUDANÇA-CHAVE: O Work Group renomeou as categorias clássicas para refletir melhor o estado fisiológico:

Terminologia ANTIGA (KDIGO 2012)Terminologia NOVA (KDIGO 2026)
Deficiência de ferro absolutaDeficiência sistêmica de ferro (systemic iron deficiency)
Deficiência de ferro funcionalEritropoiese restrita ao ferro (iron-restricted erythropoiesis)

Definições laboratoriais

CondiçãoDefinição
Deficiência sistêmica de ferro (DRC não-diálise)Ferritina < 100 ng/ml E TSAT < 20%
Deficiência sistêmica de ferro (DRC G5HD)Ferritina < 200 ng/ml E TSAT < 20%
Eritropoiese restrita ao ferroFerritina > 100–200 ng/ml COM TSAT < 20%
Deficiência de ferro profundaFerritina < 30 ng/ml E TSAT < 20%
Deficiência de ferro graveFerritina < 45 ng/ml

3.4 Fisiopatologia da anemia na DRC (multifatorial)

  • Deficiência relativa de eritropoietina (EPO) + resistência medular à EPO
  • Deficiência de ferro e outros nutrientes (folato, vit. B12)
  • Perda sanguínea (TGI, hemodiálise, amostragens)
  • Inflamação sistêmica (aumenta hepcidina)
  • Sobrevida reduzida dos eritrócitos
  • Hiperparatireoidismo, disfunção tireoidiana
  • Drogas: IECA, BRA, inibidores de mTOR e CNI em transplantados, PPI, anticoagulantes
  • Aplasia pura de série vermelha mediada por anticorpos anti-AEE

3.5 Desfechos associados à anemia em DRC

  • ↑ Mortalidade
  • ↑ Risco de progressão da DRC / falência renal
  • ↑ Doença coronariana e MACE
  • ↑ Hipertrofia de VE
  • ↑ Insuficiência cardíaca
  • ↓ Qualidade de vida (QoL)
  • ↓ Produtividade
  • ↑ Comprometimento cognitivo e demência
  • ↑ Necessidade de transfusões
  • ↑ Hospitalizações
  • ↑ Custos médicos
  • ↓ Massa muscular e força em transplantados renais

OBSERVAÇÃO CRÍTICA: Associação ≠ causalidade. Correção com AEEs melhora QoL modestamente e reduz transfusões, mas NÃO demonstrou reduzir mortalidade ou eventos cardiovasculares em ECRs.


4. DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO

4.1 Frequência de rastreamento (testes mínimos)

EstágioFrequência mínima
DRC G3Pelo menos anualmente
DRC G42x ao ano
DRC G5 ou G5D (diálise)A cada 3 meses

Também testar: na referência ao nefrologista, quando houver sintomas, e regularmente no seguimento.

4.2 Painel inicial de avaliação da anemia

  • Hemograma completo (CBC)
  • Reticulócitos
  • Ferritina
  • TSAT (saturação de transferrina)

4.3 Painel expandido (se causa não identificada)

  • Esfregaço de sangue periférico
  • Haptoglobina e LDH
  • PCR (C-reactive protein)
  • Vitamina B12
  • Ácido fólico
  • Provas de função hepática
  • Eletroforese de proteínas séricas + imunofixação
  • Cadeias leves livres séricas
  • Proteína de Bence-Jones urinária
  • TSH
  • Sangue oculto nas fezes
  • PTH (se clinicamente indicado, referenciar KDIGO 2024 DRC)
  • Pesquisa de parasitas (conforme epidemiologia)

4.4 Indicação de investigação adicional para perda sanguínea

Considerar avaliação para perda sanguínea e referência a especialistas quando:

  • Ferritina < 45 ng/ml (deficiência grave) OU
  • Anemia microcítica (VCM < 80 fl)

Encaminhamentos sugeridos:

  • Urologia: hematúria
  • Ginecologia: perda menstrual
  • Gastroenterologia: perda oculta TGI (especialmente >45 anos, suspeita de neoplasia, parasitas)

4.5 Marcadores de status de ferro

  • TSAT e ferritina permanecem o padrão-ouro, apesar de limitações.
  • O Work Group NÃO considerou ferro sérico isoladamente como marcador independente.
  • Marcadores alternativos (conteúdo de Hb reticulocitária, % de hemácias hipocrômicas) ainda necessitam padronização — área de pesquisa.

5. TRATAMENTO

5.1 USO DE FERRO (Capítulo 2)

5.1.1 Limiares para INICIAR ferro

PopulaçãoCritério para iniciar ferro
DRC G5HD (hemodiálise)Ferritina ≤ 500 ng/ml E TSAT ≤ 30%
DRC não-diáliseFerritina < 100 ng/ml E TSAT < 40% OU ferritina 100–300 ng/ml com TSAT < 25%

5.1.2 Limiares para SUSPENDER ferro (todos os pacientes DRC)

  • Ferritina > 700 ng/ml OU
  • TSAT ≥ 40%

5.1.3 Suspender temporariamente

  • Durante infecções sistêmicas ativas (segurança teórica/experimental).

5.1.4 Via de administração

DRC G5HD: Ferro IV preferencial (sobre o oral).

  • Baseado no estudo PIVOTAL (Macdougall et al., NEJM 2019).
  • Maior eficácia para repor estoques.
  • Facilidade de administração durante HD.
  • Reduz carga de comprimidos.

DRC não-diálise: Ferro oral OU IV — decisão baseada em:

  • Valores e preferências do paciente
  • Grau de anemia e deficiência de ferro
  • Eficácia, tolerabilidade, disponibilidade, custo
  • Preservação de capital venoso para FAV futura

Trocar oral por IV se: sem resposta ou intolerância após 1–3 meses.

5.1.5 Estratégia PROATIVA vs REATIVA (PIVOTAL)

EstratégiaDosesResultado
Proativa (alta dose)Sacarose férrica 400 mg/mês, suspender se ferritina > 700 ng/ml ou TSAT ≥ 40%Reduziu mortalidade e eventos CV; menor necessidade de AEE e transfusões; sem ↑ infecções
Reativa (baixa dose)0–400 mg/mês apenas se ferritina < 200 ng/ml ou TSAT < 20%Pior desfecho cardiovascular

→ Diretriz recomenda abordagem proativa semelhante ao PIVOTAL em DRC G5HD.

5.1.6 Frequência de monitorização (TSAT, ferritina, Hb)

  • DRC G5HD em ferro IV: a cada 1–3 meses
  • DRC não-diálise em ferro: pelo menos a cada 3 meses
  • Mais frequente se: início/aumento de AEE ou HIF-PHI, perda sanguínea, hospitalização, aumento importante de TSAT/ferritina, ultrapassagem de limites.

5.1.7 Formulações de ferro IV — atenção especial

Risco de hipofosfatemia (via ↑ FGF-23 intacto):

  • Carboximaltose férrica (ferric carboxymaltose)
  • Óxido de ferro sacarado
  • Polimaltose férrica

Monitorizar fosfato especialmente em:

  • Estágios iniciais de DRC
  • Transplantados renais
  • Doses repetidas

5.1.8 Reações de hipersensibilidade ao ferro IV

  • NÃO fazer dose-teste rotineira.
  • NÃO pré-medicar rotineiramente com corticoides/anti-histamínicos.
  • Primeira dose deve ser dada em local com capacidade de manejar reação aguda.
  • Reação leve/moderada: parar infusão; corticoide ± anti-histamínico ± fluidos IV; se melhora, reiniciar com taxa 25–50% menor (relacionado a liberação de ferro lábil).
  • Reação grave (anafilactoide): tratamento apropriado + evitar uso futuro do ferro IV.

5.1.9 Ferro em deficiência sem anemia

Considerar tratamento em DRC com:

  • Ferritina < 30 ng/ml E TSAT < 20% (deficiência profunda)
  • Especialmente se sintomáticos
  • Justificativa: ferro tem funções além da síntese de Hb (cadeia respiratória, DNA, proliferação celular); ECRs em IC mostram benefício funcional independente de anemia.

5.1.10 Considerar curso experimental de ferro (DRIVE I/II)

Em DRC G5HD com TSAT ≤ 25% e ferritina 500–1200 ng/ml, considerar ferro se:

  • Anemia refratária
  • Altas necessidades de AEE

5.2 AGENTES ESTIMULADORES DA ERITROPOIESE (AEEs) — Capítulo 3

5.2.1 Antes de iniciar AEE

  • Garantir reposição de ferro adequada.
  • Investigar e tratar causas reversíveis de anemia.
  • Em alguns pacientes, corrigir essas causas dispensa o uso de AEE.

5.2.2 Limiar de Hb para INICIAR AEE

PopulaçãoLimiar de Hb para considerar AEE
Diálise de manutençãoHb ≤ 9–10 g/dl (90–100 g/l)
DRC não-diálise (maioria)Hb 8,5–10,0 g/dl (85–100 g/l)
Alto risco de evento adverso (AVC recente, trombose de acesso)Mais próximo de 9,0 g/dl ou menor
Baixo risco CV / sintomáticos / candidatos a transplanteMais próximo de 10,0 g/dl
DRC + DCV, doença tromboembólica, malignidade ativaConsiderar limiar mais baixo
Crianças, candidatos a transplante, sintomáticosConsiderar limiar mais alto

5.2.3 Alvo de Hb em pacientes em uso de AEE

ADULTOS:

  • Alvo: Hb ≤ 11,5 g/dl (≤ 115 g/l)
  • Tipicamente entre 10 e 11,5 g/dl (100–115 g/l)
  • NÃO usar AEE para manter Hb ≥ 11,5 g/dl
  • NUNCA usar AEE para normalizar Hb (≥ 13 g/dl): aumenta risco de AVC, trombose de acesso vascular e eventos CV.

CRIANÇAS:

  • Alvo individualizado.
  • Fatores únicos: desenvolvimento, fatores psicológicos, menor risco CV, importância de evitar aloimunização (transplante).

5.2.4 Via de administração de AEE

CenárioVia preferencial
Hemodiálise de manutençãoSC ou IV
Outras formas de DRCSC preferencial
EpoetinaSC mais eficiente (menor dose)
Darbepoetina alfaSem diferença de dose entre vias

5.2.5 Titulação e segurança do AEE

  • Aumentar Hb gradualmente.
  • Evitar aumento > 1 g/dl a cada 2 semanas.
  • Se aumento rápido: reduzir dose em 25–50%.
  • Se Hb > 11,5 g/dl: reduzir dose é preferível a descontinuar.
  • Monitorar Hb a cada 2–4 semanas após início ou ajuste de dose.

5.2.6 Suspender AEE

  • Durante hospitalização por: AVC agudo, trombose de acesso vascular, eventos tromboembólicos.
  • Reinício pós-hospitalização: decisão compartilhada considerando riscos/benefícios.

5.2.7 AEE em câncer

  • Risco de progressão de câncer e morte em alguns cânceres.
  • Em pacientes com câncer ativo ou história de câncer: ponderar caso a caso, especialmente quando tratamento curativo é o objetivo.

5.2.8 Hiporresponsividade aos AEEs

Definição KDIGO 2026: pacientes "que não atingem Hb-alvo apesar de aumento significativo na dose de AEE OU que continuam a requerer doses altas para manter o alvo."

Causas a investigar:

  • Deficiência de ferro
  • Sequestro de ferro por inflamação crônica
  • Adequação subótima da diálise
  • Perda sanguínea oculta
  • Hiperparatireoidismo, deficiência de vit B12/folato
  • Hemoglobinopatias, mielodisplasia
  • PRCA induzida por anti-EPO

5.3 HIF-PHIs (Inibidores da Prolil-Hidroxilase do HIF) — Capítulo 3

5.3.1 Mecanismo

Agentes orais que estimulam produção endógena de EPO ao estabilizar fatores de transcrição HIF.

Exemplos: roxadustate, daprodustate, vadadustate, enarodustate, desidustate, molidustate.

5.3.2 Posicionamento na terapia

Recomendação geral: preferir AEE a HIF-PHI quando aumento adicional de Hb for desejado, devido a:

  • Longa experiência clínica com AEEs
  • Dados extensos de risco/benefício de longo prazo
  • Alguns HIF-PHIs podem ter maior risco de MACE e eventos vasculares vs AEE, especialmente em DRC não-diálise

5.3.3 Indicações específicas dos HIF-PHIs

  1. Hiporresponsividade ou intolerância a AEE
  2. Circunstâncias onde AEE é impraticável:
    • Preferência por agente oral
    • Sem acesso a refrigeração (para AEEs)
    • Barreiras à administração parenteral

5.3.4 CONTRAINDICAÇÕES / CAUTELA com HIF-PHIs

NÃO usar com:

  • Malignidade ativa
  • Evento cardiovascular ou trombótico vascular recente

Cautela em (risco teórico aumentado):

  • Doença renal policística
  • Doença retiniana proliferativa
  • Hipertensão arterial pulmonar
  • Gestação

5.3.5 Uso prático dos HIF-PHIs

  • Mesmos limiares de Hb e monitorização que AEEs.
  • Descontinuar após 3–4 meses se resposta eritropoiética insuficiente.
  • NÃO combinar AEE + HIF-PHI (falta de dados de segurança e eficácia).

5.3.6 HIF-PHIs e ferro

  • Postulado que melhorariam disponibilidade de ferro e reduziriam necessidade.
  • Dados insuficientes para recomendar limiares diferentes de ferro em pacientes com HIF-PHI vs AEE.

5.4 TRANSFUSÕES DE HEMÁCIAS — Capítulo 4

5.4.1 Princípio geral

Estratégia restritiva, devido a riscos:

  • Sobrecarga circulatória (TACO)
  • Lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI)
  • Aloimunização (HLA): pode comprometer transplante futuro
  • Reações hemolíticas

5.4.2 Indicações de transfusão em anemia AGUDA

  • Anemia aguda com risco de vida
  • Hemorragia aguda
  • Doença coronariana instável
  • Pré-operatório de cirurgia com perda sanguínea significativa antecipada

5.4.3 Indicações em anemia CRÔNICA

Benefícios superam riscos em 2 grupos:

  1. AEE/HIF-PHI ineficaz: hemoglobinopatias, falência medular, hiporresponsividade
  2. AEE/HIF-PHI potencialmente danoso: malignidade prévia/atual, AVC prévio

5.4.4 Limiares de Hb para transfusão (situações não-agudas)

CenárioLimiar de Hb
Adultos internados assintomáticos e hemodinamicamente estáveis< 7 g/dl (< 70 g/l)
Cirurgia cardíaca< 7,5 g/dl (< 75 g/l)
Cirurgia ortopédica OU doença cardiovascular clinicamente significativa< 8 g/dl (< 80 g/l)

→ Baseado em AABB International Guidelines 2023 (Carson et al., JAMA).

Princípio: sinais e sintomas devem ser o gatilho primário, NÃO um limiar arbitrário.

5.4.5 Estratégias para reduzir transfusões

  • Protocolos de detecção/correção precoce de deficiência de ferro
  • Uso de ferro IV e AEEs conforme diretriz
  • Educação do paciente
  • Decisão compartilhada

6. POPULAÇÕES ESPECIAIS

6.1 Crianças

  • Limiares de Hb para diagnóstico de anemia ajustados por idade.
  • Alvo de Hb em AEE: individualizado (não aplicar regra de adultos diretamente).
  • Limiar de início de AEE: mais alto considerado (evitar aloimunização para transplante).
  • Considerações: desenvolvimento, fatores psicológicos, menor risco CV.
  • Pesquisa adicional necessária.

6.2 Candidatos a transplante renal

  • Considerar Hb-alvo mais alto (mais próximo de 10 g/dl para início de AEE).
  • Evitar transfusões sempre que possível para minimizar aloimunização HLA.
  • Pacientes valorizam alto evitar transfusões → tendem a iniciar AEE mais cedo.

6.3 Transplantados renais

  • Risco aumentado de hipofosfatemia com certas formulações de ferro IV (carboximaltose, sacarato).
  • Atenção a drogas que pioram anemia: mTORi, CNI, IECA, BRA.
  • Monitorar fosfato ao usar ferro IV.

6.4 Pacientes com IC (insuficiência cardíaca)

  • ECRs (FERRIC-HF, FAIR-HF, CONFIRM-HF) mostram que ferro IV melhora capacidade funcional e reduz hospitalizações, mesmo sem anemia.
  • Recomendação inclui subgrupo com DRC.

6.5 Pacientes com câncer

  • AEEs podem aumentar progressão tumoral e mortalidade.
  • Decisão individualizada.
  • HIF-PHI contraindicado em malignidade ativa.
  • Preferir transfusão em alguns casos.

6.6 Gestantes

  • Área de pesquisa pendente (sem recomendações específicas robustas).
  • HIF-PHIs: cautela/evitar (risco teórico).

6.7 Pacientes com alto risco CV / AVC recente / trombose de acesso

  • Limiar de início de AEE mais baixo (próximo de 9 g/dl ou menor).
  • Suspender AEE durante eventos agudos.
  • HIF-PHIs contraindicados se evento CV/vascular recente.

6.8 Pacientes em diálise peritoneal

  • Dados limitados; pesquisa adicional necessária.

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  • 01

    NOVA NOMENCLATURA da deficiência de ferro:

  • 02

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  • 03

    Eritropoiese restrita ao ferro" (antiga funcional)

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