Infectologia2025

Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) Oral à Infecção pelo HIV 2025: o que mudou na diretriz

Cai na prova 2026
  • A PrEP oral (TDF/FTC) é uma das estratégias de prevenção combinada do HIV no SUS.

  • O Brasil busca eliminar a epidemia de aids como problema de saúde pública até 2030.

  • Dados epidemiológicos demonstram concentração de novos casos em jovens (15-24 anos) e aumento em pessoas pretas e pardas (>50% dos casos desde 2015).

  • Necessidade de simplificar o cuidado em PrEP para viabilizar expansão para a Atenção Primária à Saúde (APS).

  • Incorporação de novas modalidades de atendimento: teleatendimento (TelePrEP) e ações extramuros.

  • Inclusão do autoteste de HIV para início (no teleatendimento) e seguimento da PrEP.

  • Início de PrEP por meio de teleatendimento.

  • Indicação de vacina HPV para pessoas em PrEP (15-45 anos).

  • Dosagem de creatinina para início e manutenção conforme faixa etária (opcional para <30 anos sem fatores de risco).

  • Definição atualizada do tempo para proteção segura (mudou de 20 dias para 7 dias em mulheres cis e pessoas em uso de estradiol).

  • Definição atualizada do tempo para interrupção segura (mudou de 28 dias para 7 dias em mulheres cis e pessoas em uso de estradiol; manteve 2 dias para homens cis e assemelhados).

  • Oferta da PrEP sob demanda (esquema 2+1+1) para grupos específicos.

  • Ampliação dos intervalos entre consultas para até 120 dias (quadrimestral) e até 180 dias (semestral) para usuários com ≥1 ano de uso e boa adesão.

O que mudou

10 mudanças que você precisa saber

  • Antes

    TR e sorologia

    Agora

    TR, sorologia + autoteste para início (teleatendimento) e seguimento

  • Antes

    Hepatite A e B

    Agora

    Hepatite A, B + HPV (15-45 anos)

  • Antes

    Obrigatória para todas as idades

    Agora

    Opcional para <30 anos sem fatores de risco

  • Antes

    20 dias

    Agora

    7 dias

  • Antes

    2 horas

    Agora

    2 horas (mantido)

  • Antes

    28 dias

    Agora

    7 dias

  • Antes

    2 dias

    Agora

    2 dias (mantido)

  • Antes

    NÃO disponível

    Agora

    Disponível (esquema 2+1+1 para Grupo 2, com frequência <2x/semana e planejamento ≥2h antes)

  • Antes

    90 dias (trimestral)

    Agora

    120 dias (quadrimestral) padrão; 180 dias (semestral) para ≥1 ano sem descontinuidade

  • Antes

    Indetectável = Intransmissível

    Agora

    Indetectável = Risco zero de transmissão do HIV (carga viral indetectável ou <200 cópias/mL há >6 meses)

Resumo técnico

A diretriz na íntegra

2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA

Por que esta diretriz foi publicada

  • A PrEP oral (TDF/FTC) é uma das estratégias de prevenção combinada do HIV no SUS.
  • O Brasil busca eliminar a epidemia de aids como problema de saúde pública até 2030.
  • Dados epidemiológicos demonstram concentração de novos casos em jovens (15-24 anos) e aumento em pessoas pretas e pardas (>50% dos casos desde 2015).
  • Necessidade de simplificar o cuidado em PrEP para viabilizar expansão para a Atenção Primária à Saúde (APS).
  • Incorporação de novas modalidades de atendimento: teleatendimento (TelePrEP) e ações extramuros.

O que mudou em relação à versão anterior (2022)

  • Inclusão do autoteste de HIV para início (no teleatendimento) e seguimento da PrEP.
  • Início de PrEP por meio de teleatendimento.
  • Indicação de vacina HPV para pessoas em PrEP (15-45 anos).
  • Dosagem de creatinina para início e manutenção conforme faixa etária (opcional para <30 anos sem fatores de risco).
  • Definição atualizada do tempo para proteção segura (mudou de 20 dias para 7 dias em mulheres cis e pessoas em uso de estradiol).
  • Definição atualizada do tempo para interrupção segura (mudou de 28 dias para 7 dias em mulheres cis e pessoas em uso de estradiol; manteve 2 dias para homens cis e assemelhados).
  • Oferta da PrEP sob demanda (esquema 2+1+1) para grupos específicos.
  • Ampliação dos intervalos entre consultas para até 120 dias (quadrimestral) e até 180 dias (semestral) para usuários com ≥1 ano de uso e boa adesão.

3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

3.1 Definição de PrEP

  • PrEP (profilaxia pré-exposição): uso oral de antirretrovirais em dose fixa combinada (tenofovir 300 mg / entricitabina 200 mg — TDF/FTC) para reduzir o risco de transmissão do HIV em pessoas HIV-negativas e em contexto de vulnerabilidade.

3.2 Prevenção Combinada

Conjunto de ações de prevenção ao HIV, ISTs e hepatites virais que inclui:

  • Testagem regular para HIV e ISTs
  • PEP (profilaxia pós-exposição)
  • Preservativos e gel lubrificante
  • Diagnóstico e tratamento de sífilis e outras ISTs
  • Redução de danos
  • Gerenciamento de risco e vulnerabilidades
  • TARV para todas as PVHIV
  • Conceito de Indetectável = Risco zero de transmissão sexual do HIV (carga viral indetectável ou <200 cópias/mL há >6 meses)
  • Imunizações (hepatite A, hepatite B, HPV)
  • Prevenção da transmissão vertical (HIV, sífilis, hepatite B, HTLV)
  • Testagem de HPV oncogênico para rastreamento de câncer de colo uterino

3.3 Modalidades de PrEP Oral

CaracterísticaPrEP DiáriaPrEP Sob Demanda
IndicaçãoTodas as pessoas elegíveisHomens cis, pessoas não binárias designadas masculino ao nascer, travestis e mulheres trans sem uso de estradiol
Posologia2 cp no 1º dia, depois 1 cp/dia2 cp 2-24h antes do sexo + 1 cp 24h após + 1 cp 48h após (esquema 2+1+1)
Nome alternativoContínuaOrientada a eventos (ED-PrEP)

3.4 Probabilidade de Infecção pelo HIV por Tipo de Exposição (por 10.000 exposições)

Tipo de ExposiçãoProbabilidade/10.000
Sexo anal receptivo138
Compartilhamento de agulha (drogas injetáveis)63
Sexo anal insertivo11
Sexo vaginal receptivo8
Sexo vaginal insertivo4
Sexo oral (receptivo/insertivo)Baixa probabilidade
Mordedura, saliva, fluidos corporais, brinquedos sexuaisBaixa probabilidade

Nota: Práticas de "baixa probabilidade", quando repetidas frequentemente, podem implicar maior risco cumulativo.

3.5 Prevalência de HIV em Populações-Chave no Brasil

PopulaçãoPrevalência de HIV
Mulheres trans e travestis31,2%
Gays e HSH (homens cis que fazem sexo com homens)18,4%
Pessoas que usam drogas (exceto álcool e maconha)5,9%
Mulheres cis profissionais do sexo5,3%
Pessoas que usam crack/similares (geral)5% (mulheres 8%; homens 4%)

3.6 Classificação de Populações para Fins de Tempo de Proteção e Interrupção

GrupoDescrição
Grupo 1Mulheres cis, pessoas trans designadas do sexo feminino ao nascer e qualquer pessoa em uso de hormônio à base de estradiol
Grupo 2Homens cis, pessoas não binárias designadas do sexo masculino ao nascer e travestis/mulheres transexuais sem uso de hormônios à base de estradiol

4. DIAGNÓSTICO

4.1 Testagem para HIV — Requisito para Início da PrEP

  • Obrigatório: excluir infecção pelo HIV antes do início da PrEP.
  • Preferencial: teste rápido (TR) anti-HIV com amostra de sangue total (punção digital ou venosa), soro ou plasma.
  • Teleatendimento: autoteste de HIV (sangue ou fluido oral) é aceito.
  • Ações extramuros: autoteste de HIV é aceito.
  • Prazo para retirada de PrEP após teste: até 7 dias após a testagem. Se ultrapassado, repetir teste (pode usar autoteste).

Fluxograma de testagem:

  1. TR1 não reagente → PrEP pode ser indicada.
  2. TR1 reagente → realizar TR2 (diferente do primeiro).
    • TR2 reagente → "reagente para HIV" → PrEP NÃO indicada.
    • TR1 e TR2 discordantes → repetir fluxograma completo. Se persistir discordância → coleta de amostra venosa para laboratório → aguardar resultado para definir PrEP ou TARV.

Janela imunológica:

  • Imunoensaios que detectam anticorpos: 30 a 120 dias após infecção.
  • Autoteste: mesma janela dos testes rápidos executados por profissionais.
  • Autoteste reagente NÃO é parte do fluxograma diagnóstico — necessário fluxograma completo (≥2 testes).

4.2 Exclusão de Infecção Aguda pelo HIV

Avaliar ativamente em TODAS as consultas de PrEP:

  • Exposição de risco prévia
  • Sinais/sintomas nas últimas 4 semanas

Sinais e Sintomas de Infecção Aguda pelo HIV:

Sintoma
Febre
Mal-estar
Cefaleia
Fadiga
Faringite
Exantema
Linfadenopatia cervical/submandibular/axilar
Mialgias ou artralgias
Ulcerações mucocutâneas
Hepatoesplenomegalia
  • Quadro semelhante a síndrome de mononucleose ou síndrome gripal, geralmente 2ª a 4ª semana após exposição.
  • Autolimitado, desaparece em 3-4 semanas.
  • Na suspeita clínica com ausência de marcadores imunológicos → solicitar carga viral do HIV → postergar início da PrEP até definição diagnóstica.
  • Pessoas com exposição nos últimos 30 dias devem ser orientadas sobre possibilidade de infecção mesmo com TR não reagente.

4.3 Avaliação da Função Renal

  • Fórmulas: Cockcroft-Gault ou CKD-EPI (preferível — mais acurado, não necessita de peso).
  • ClCr ≥ 60 mL/min: PrEP pode ser prescrita com segurança.
  • ClCr < 60 mL/min: PrEP CONTRAINDICADA.

Indicação de dosagem de creatinina na avaliação inicial:

CondiçãoRecomendação
<30 anos sem fatores de risco para doença renalOpcional
≥30 anos ou com fatores de risco (HAS, DM, nefrotóxicos, insuficiência renal prévia)Solicitar na primeira consulta
  • A coleta pode ser feita no dia da 1ª dispensação, com resultado avaliado no retorno de 30 dias.
  • Para pessoas sem histórico de doença renal, o resultado não deve atrasar o início da PrEP.

Monitoramento da função renal durante seguimento:

CondiçãoPeriodicidade
<50 anos, sem comorbidades, ClCr inicial ≥90 mL/minA cada 12 meses
≥50 anos OU comorbidades (HAS, DM) OU ClCr inicial <90 mL/minA cada 6 meses
  • Se ClCr cair <60 mL/min durante seguimento → repetir exame em outro dia antes de suspender PrEP.
  • ClCr geralmente retorna ao normal 1-3 meses após interrupção.
  • Se não normalizar → investigar outras causas (DM, HAS).

4.4 Exames na Primeira Consulta

ExameMétodo
HIVTR (sangue total/soro/plasma) — preferencial. Autoteste aceito em teleatendimento/extramuros
SífilisTR treponêmico (preferencial) ou não treponêmico (VDRL, RPR, TRUST). Se sífilis prévia → iniciar com não treponêmico
Clamídia e gonococoBiologia molecular em urina, secreção genital, anorretal ou orofaríngea (conforme prática sexual)
Hepatite BHBsAg (TR preferencial) + anti-HBcT
Hepatite CAnti-HCV (TR preferencial)
Função renalCreatinina sérica + ClCr (conforme faixa etária)
VacinaçãoHepatite B, hepatite A, HPV
OutrosAvaliação de histórico de fraturas patológicas

5. TRATAMENTO

5.1 Esquema Farmacológico

  • Medicamento: TDF 300 mg + FTC 200 mg (dose fixa combinada, comprimido único)
  • Disponível no SUS

5.2 Critérios de Elegibilidade (Inclusão)

  • Idade ≥ 15 anos
  • Peso ≥ 35 kg
  • Sexualmente ativa
  • Contexto de vulnerabilidade acrescida para HIV
  • Teste de HIV não reagente
  • ClCr ≥ 60 mL/min

Indicativos para avaliação:

  • Solicitação ou desejo de usar PrEP
  • Práticas sexuais anais/vaginais sem preservativo ou com uso irregular
  • Relações com parcerias eventuais
  • Diversidade de parcerias sexuais
  • Histórico de ISTs
  • Busca repetida por PEP
  • Parceria vivendo com HIV com carga viral detectável
  • Sexo transacional (dinheiro, drogas, moradia)
  • Chemsex
  • Compartilhamento de agulhas/seringas
  • Parceria com situação desconhecida para HIV + qualquer fator acima

5.3 Critérios de Exclusão

  • Teste de HIV reagente
  • ClCr < 60 mL/min

5.4 PrEP Oral Diária

Indicação: todas as pessoas elegíveis.

Posologia:

  • Dia 1: 2 comprimidos de TDF/FTC
  • Dias subsequentes: 1 comprimido de TDF/FTC por dia

Tempo para efeito protetor seguro:

GrupoTempo
Grupo 1 (mulheres cis, pessoas trans designadas feminino, qualquer pessoa em uso de estradiol)7 dias
Grupo 2 (homens cis, pessoas não binárias designadas masculino, travestis/mulheres trans sem estradiol)2 horas

Observação: a PrEP oral diária é a modalidade de escolha obrigatória para pessoas com hepatite B crônica (risco de resistência do HBV ao tenofovir com uso intermitente).

5.5 PrEP Oral Sob Demanda (Esquema 2+1+1)

Populações elegíveis:

  • Homens cis (heterossexuais, bissexuais, gays, outros HSH)
  • Pessoas não binárias designadas masculino ao nascer
  • Travestis e mulheres transexuais sem uso de hormônios à base de estradiol

Critérios adicionais obrigatórios:

  • Relações sexuais com frequência < 2 vezes/semana
  • Capacidade de planejar uso ≥ 2 horas antes da relação

Posologia:

  1. 2 comprimidos de 2 a 24 horas antes da relação sexual
  2. 1 comprimido 24 horas após a dose inicial
  3. 1 comprimido 24 horas após a 2ª dose

Tempo para efeito protetor: 2 horas (após a dose dupla inicial)

Se nova relação sexual no dia seguinte ao esquema 2+1+1: tomar 1 cp/dia até 48 horas após o último evento sexual.

Se intervalo >1 dia entre último comprimido e próximo evento sexual: reiniciar esquema 2+1+1.

Limitações da PrEP sob demanda:

  • NÃO há evidências de proteção para relações sexuais neovaginais receptivas (mulheres trans com redesignação sexual).
  • Indicada para: sexo anal (insertivo/receptivo) e vaginal insertivo.

5.6 Alternância entre Modalidades

  • Sob demanda → Diária: se relações sexuais nos dias subsequentes ao 2+1+1 → manter 1 cp/dia enquanto mantiver relações → parar 2 dias após último ato sexual.
  • Diária → Sob demanda: se relações sexuais passarem a ser menos frequentes ou previsíveis → pode usar esquema 2+1+1.

5.7 Quadro Resumo das Modalidades de PrEP Oral

PrEP DiáriaPrEP Sob Demanda
Para quemTodas as pessoas elegíveisGrupo 2 + relações <2x/semana + pode planejar ≥2h antes
Dose inicial2 cp no 1º dia2 cp 2-24h antes do sexo
Doses subsequentes1 cp/dia1 cp 24h após dose inicial + 1 cp 24h após 2ª dose
Tempo para efeitoGrupo 1: 7 dias / Grupo 2: 2 horas2 horas
Interrupção seguraGrupo 1: +7 dias após última prática / Grupo 2: +2 dias+2 dias após última prática

5.8 Tempo para Interrupção Segura da PrEP

GrupoManutenção após última prática sexual
Grupo 1 (mulheres cis, trans feminino, uso de estradiol)+7 dias
Grupo 2 (homens cis, não binárias masculino, travestis/trans sem estradiol)+2 dias

5.9 Início da PrEP — Tempo e Recomendações

  • Iniciar preferencialmente no mesmo dia da testagem, até máximo 7 dias após o teste de HIV.
  • Início no mesmo dia reduz exposição ao HIV.
  • NÃO é necessário aguardar resultados de exames (creatinina, hepatites) para pessoas sem histórico de doença renal.
  • Pessoas com exposição de risco recente, fora da janela de 72h para PEP, sem sinais/sintomas de HIV e com TR não reagente → podem iniciar PrEP imediatamente.

5.10 Efeitos Adversos

  • Efeitos esperados (transitórios): náusea, cefaleia, flatulência, amolecimento das fezes ou diarreia, edemas.
  • Geralmente resolvem nos primeiros meses de uso.
  • Podem ser manejados com medicamentos sintomáticos.
  • Nos ensaios clínicos, efeitos adversos foram semelhantes entre grupo intervenção e placebo.

5.11 Critérios para Interrupção da PrEP

  • Diagnóstico de infecção pelo HIV
  • Desejo da pessoa de interromper
  • Efeitos adversos relevantes persistentes
  • Adesão inadequada mesmo após abordagem individualizada

Antes de interromper: avaliar possibilidade de migrar para PrEP sob demanda.

5.12 Avaliação da Indicação de PEP

  • Se exposição ao HIV nas últimas 72 horas → avaliar PEP.
  • Pessoas que repetidamente procuram PEP → avaliar PrEP.
  • Transição PEP → PrEP: iniciar PrEP logo após 28 dias de PEP, com TR ou sorologia HIV (sangue) na transição + demais exames iniciais.

5.13 Adesão Inadequada e Indicação de PEP para Usuário de PrEP

Pessoas aderentes à PrEP diária com uso regular NÃO necessitam de PEP após exposição sexual de risco.

Adesão inadequada que pode levar a indicação de PEP (se exposição nas últimas 72h):

GrupoDefinição de adesão inadequada
Grupo 1 (mulheres cis, trans feminino, uso de estradiol)≤5 doses nos 7 dias antes da exposição
Grupo 2 (homens cis, não binárias masculino, travestis/trans sem estradiol)≤3 doses nos 7 dias antes da exposição (PrEP diária)

5.14 Ingestão Mínima de Comprimidos para Proteção

GrupoMínimo semanal
Grupo 1 (mulheres cis, trans feminino, uso de estradiol)6 comprimidos/semana
Grupo 2 (homens cis, não binárias masculino, travestis/trans sem estradiol)4 comprimidos/semana

5.15 Interações Medicamentosas

  • PrEP NÃO afeta eficácia de contraceptivos e repositores hormonais.
  • Contraceptivos e repositores hormonais NÃO afetam eficácia da PrEP.
  • PrEP processada nos rins; hormônios anticoncepcionais processados no fígado → sem interação conhecida.
  • Hormonização feminilizante: estudos demonstram manutenção da eficácia da PrEP mesmo com terapia hormonal de afirmação de gênero (com boa adesão — ≥4 doses/semana no iPrEx).
  • Hormonização masculinizante: não há contraindicação.
  • Álcool e drogas recreativas (cocaína, metanfetaminas): NÃO reduzem eficácia da PrEP, mas podem prejudicar adesão.
  • NÃO há contraindicação ao uso de PrEP por pessoas em terapia hormonal feminilizante ou masculinizante.

6. SEGUIMENTO

6.1 Periodicidade de Consultas e Dispensação

MomentoConduta
1ª dispensaçãoPara 30 dias
Seguimento padrãoConsultas quadrimestrais (a cada 120 dias)
Dispensação subsequenteTrimestral (90 dias) ou quadrimestral (120 dias), conforme UDM
Seguimento ampliadoSemestral (180 dias) para pessoas com ≥1 ano de PrEP sem descontinuidade e boa adesão

6.2 Exames de Seguimento

ExamePeriodicidade
Teste para HIV (TR/sorologia sangue ou autoteste)Após 1 mês do início, depois quadrimestral (em toda consulta)
Sífilis (TR treponêmico ou não treponêmico)Quadrimestral
Clamídia e gonococo (biologia molecular)Semestral (ou mais frequente se sintomático)
Hepatite B (HBsAg + anti-HBs)Anual (se HBsAg prévio não reagente e sem imunidade)
Hepatite C (anti-HCV)Quadrimestral (se anti-HCV prévio não reagente)
Função renal (creatinina + ClCr)A cada 6 ou 12 meses (conforme faixa etária/comorbidades)
Teste de gravidezQuadrimestral (ou quando necessário)

6.3 Avaliações Clínicas em Cada Consulta (Quadrimestral)

  • Sinais e sintomas de infecção aguda pelo HIV
  • Peso corporal (kg)
  • Efeitos adversos à PrEP
  • Avaliação da adesão
  • Avaliação de exposições de risco
  • Avaliação da continuidade de PrEP
  • Dispensação de ARV

6.4 Seguimento de Hepatite C em Usuários de PrEP

  • Se anti-HCV não reagente na consulta inicial → repetir a cada 3 meses (quadrimestral).
  • Para quem já tratou HCV e obteve RVS:
    • ALT semestral
    • HCV-RNA (carga viral): se alteração de ALT, a cada 12 meses mesmo sem alteração de ALT, ou em situações de exposição de risco ao HCV.

6.5 Soroconversão em Uso de PrEP

Conduta na suspeita de soroconversão:

  1. Encaminhar a serviço de referência.
  2. Solicitar: carga viral do HIV, contagem de CD4+, genotipagem.
  3. Após coleta dos exames → iniciar TARV preemptiva o mais brevemente possível (mesmo sem diagnóstico confirmado).
  4. Se infecção descartada → reiniciar PrEP.
  5. Se infecção confirmada → manter TARV; avaliar genotipagem para adequação de esquema.
  6. Resultados inconclusivos/indeterminados com carga viral indetectável → manter tratamento preemptivo e reavaliar.

Terapia preemptiva: instituída na suspeita, após coleta de carga viral e genotipagem, para minimizar risco de resistência e evitar interrupção de medicamentos; a transição PrEP → TARV sem intervalo evita carga viral detectável e transmissões secundárias.


6. POPULAÇÕES ESPECIAIS

6.1 Adolescentes (≥15 anos)

  • PrEP indicada a partir de 15 anos e ≥35 kg.
  • NÃO é necessário consentimento de pais/responsáveis, desde que o adolescente tenha compreensão da profilaxia.
  • Garantir acesso sem necessidade de presença/autorização de pais (Estatuto da Criança e do Adolescente + Código de Ética Médica, art. 103).
  • Para PrEP sob demanda em adolescentes: verificar capacidade de compreensão do esquema.
  • Considerar:
    • Consultas mais frequentes
    • Meios remotos (mensagens, teleatendimento)
    • Horário flexível
    • Profissionais acessíveis, abordagem livre de julgamento
    • Acesso a testes de gravidez, contracepção, saúde mental, apoio social

6.2 Gestantes e Lactantes

  • PrEP pode ser indicada durante concepção, gestação e aleitamento.
  • TDF/FTC mostrou-se seguro e eficaz em mulheres no início da gestação e em recém-nascidos.
  • O risco de infecção pelo HIV aumenta durante a gestação.
  • A transmissão vertical é maior quando infecção ocorre durante gravidez ou aleitamento.
  • Casais sorodiferentes: parceria HIV+ deve estar em TARV com carga viral indetectável durante planejamento reprodutivo.
  • Se parceria com carga viral detectável (>200 cópias/mL), desconhecida ou não documentada → PrEP recomendada.
  • Vacina HPV é CONTRAINDICADA para gestantes → aguardar puerpério.

6.3 Pessoas com Hepatite B Crônica

  • HBV crônica NÃO é contraindicação para PrEP oral diária.
  • PrEP sob demanda NÃO é recomendada (risco de resistência ao tenofovir pelo uso intermitente).
  • Risco (embora baixo) de reativação inflamatória hepática grave (hepatite fulminante) na interrupção da PrEP em pessoas com HBV crônica sem indicação de antiviral.
  • Ponderar risco-benefício antes da prescrição.
  • NÃO interromper PrEP por conta própria; se interromper → buscar serviço de saúde se sintomas de reativação.
  • Antes de interromper PrEP → avaliação médica obrigatória + avaliar indicação de tratamento para HBV + monitorar enzimas hepáticas.
  • Suspensão pode causar "flare" de enzimas hepáticas, descompensação hepática e óbito em cirróticos.
  • Encaminhar para avaliação e acompanhamento específico (atividade da doença, fibrose, segurança do TDF/FTC, tratamento).

6.4 Pessoas com Hepatite C

  • HCV NÃO é contraindicação para PrEP.
  • PrEP pode ser iniciada antes dos resultados complementares de HCV.
  • Anti-HCV reagente → encaminhar para exames complementares e conclusão diagnóstica.

6.5 Pessoas Trans e Travestis

  • Mulheres trans em uso de estradiol: classificadas no Grupo 1 (7 dias para proteção, 7 dias para interrupção, ≥6 cp/semana).
  • Mulheres trans/travestis sem uso de estradiol: classificadas no Grupo 2 (2 horas para proteção, 2 dias para interrupção, ≥4 cp/semana) → elegíveis para PrEP sob demanda.
  • Estudos demonstram manutenção da eficácia da PrEP com hormônios de afirmação de gênero (com adesão adequada).
  • Considerar limitações do Cockcroft-Gault em pessoas trans (variações de massa muscular e uso de medicamentos).

6.6 Pessoas que Usam Drogas Injetáveis

  • Estudo Bangkok Tenofovir: redução de 49% no risco de HIV.
  • Compartilhamento de agulha → probabilidade de 63/10.000 exposições.
  • PrEP é indicada.

6.7 Pessoas com Histórico de Fraturas Patológicas

  • Tenofovir pode diminuir massa óssea, mas reduções da DMO são revertidas com interrupção.
  • NÃO houve aumento de fraturas patológicas em estudos (1-3 anos de observação).
  • NÃO está indicada densitometria óssea de rotina.
  • Pessoas com histórico de fratura por fragilidade ou fatores de risco para osteoporose → encaminhar para avaliação específica, mas NÃO atrasar início da PrEP.

8. VACINAÇÃO

8.1 Hepatite B

  • Recomendada para todas as pessoas, qualquer faixa etária.
  • Esquema completo: geralmente 3 doses.
  • Indicada independentemente da disponibilidade de anti-HBs.
  • Avaliar soroconversão (anti-HBs) no retorno: anti-HBs ≥ 10 UI/mL → não repetir exames de hepatite B.

8.2 Hepatite A

  • Verificar susceptibilidade: anti-HAV IgG ou anti-HAV total.
  • Se não reagente → vacinar pessoa suscetível.
  • Conforme Manual dos Crie.

8.3 HPV (NOVIDADE 2025)

Indicação: pessoas em uso de PrEP entre 15 e 45 anos.

Esquema:

  • NÃO vacinados: 3 doses aos 0, 2 e 6 meses.
  • Esquema incompleto: completar para 3 doses.
  • Esquema completo: não vacinar.
  • Gestantes: vacina HPV CONTRAINDICADA → aguardar puerpério.

Prescrição: formulário "Prescrição de Imunizantes" disponível no Siclom gerencial → pessoa leva à sala de vacina do SAE/CTA ou UBS.


10. EFICÁCIA DA PrEP — DADOS DOS ESTUDOS CLÍNICOS

EstudoPopulaçãoEficáciaObservações
iPrExHSH e mulheres trans44% geral; 95% com boa adesãoPrEP diária
TDF2Heterossexuais62% geral; mulheres 49%, homens 80%PrEP diária
PROUDHSH86%Estudo aberto, PrEP diária
IPERGAYHSH86%PrEP sob demanda
IPERGAY abertoHSH97% redução relativa (0,19/100 PA)PrEP sob demanda
Bangkok TenofovirUsuários de drogas injetáveis49%PrEP diária com TDF
Revisão em mulheres cisMulheres cis7 cp/semana: 0 casos; 4-6 cp/semana: incidência 13% maiorRelação dose-adesão
Metanálise O'MurchuHSH (alta adesão ≥80%)86% (RR 0,14)Idêntica diária vs sob demanda
Metanálise O'MurchuHSH (baixa adesão <80%)45% (RR 0,55)
Metanálise O'MurchuHSH (todos)75% (RR 0,25)

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29 pontos que tendem a cair na prova

Outros pontos relevantes

  • 01

    Esquema da PrEP: TDF 300 mg + FTC 200 mg, dose fixa combinada.

  • 02

    Critérios de elegibilidade: ≥15 anos, ≥35 kg, HIV-negativo, ClCr ≥60 mL/min, vulnerabilidade para HIV.

  • 03

    Critérios de exclusão: HIV reagente ou ClCr <60 mL/min (apenas dois critérios).

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