Pneumologia2025

GINA 2025 — Estratégia Global para Manejo e Prevenção da Asma 2025: o que mudou na diretriz

Cai na prova 2026
  • A asma afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo, causando ~1.000 mortes/dia
  • A maioria das mortes ocorre em países de baixa e média renda (LMIC) e é prevenível
  • 96% das mortes por asma e 84% da carga de doença (DALYs) ocorrem em LMIC
  • Budesonida-formoterol está na Lista de Medicamentos Essenciais da OMS
  • GINA colabora com IUATLD para uma Resolução da Assembleia Mundial da Saúde sobre acesso equitativo a medicamentos inalatórios

As mudanças principais estão detalhadas na Seção 7 deste documento.

O que mudou

15 mudanças que você precisa saber

  • Antes

    Biomarcadores Tipo 2 dispersos no relatório

    Agora

    Consolidados em novo Apêndice A com informação expandida sobre variabilidade (circadiana, sexo, idade, dispositivo, local)

  • Antes

    FeNO e eosinófilos como valores absolutos simples

    Agora

    Ênfase na variabilidade circadiana (eosinófilos mais altos de madrugada, FeNO mais baixo de madrugada — padrões OPOSTOS). Cautela ao comparar com limiares absolutos

  • Antes

    Diagnóstico de asma em crianças ≤5 anos era incerto

    Agora

    Confirmação de que o diagnóstico PODE ser feito nesta faixa etária, com 3 critérios clínicos pragmáticos

  • Antes

    Variable expiratory airflow limitation

    Agora

    Variable expiratory airflow" (para evitar confusão — limitação ao fluxo pode estar presente em alguns momentos e não em outros)

  • Antes

    Track 2 Step 4 = ICS-LABA dose média-alta

    Agora

    ICS-LABA dose média. Se dose alta necessária, limitar a 3–6 meses

  • Antes

    Fluticasona furoato classificada como baixa (100 mcg) e média (200 mcg)

    Agora

    Reclassificada como baixa-média (100 mcg) e média-alta (200 mcg)

  • Antes

    Outras opções de controlador" em caixas cinzas individuais abaixo dos steps

    Agora

    Substituídas por texto resumido para evitar atrasar referência ao especialista

  • Antes

    Fenoterol não mencionado especificamente

    Agora

    Fenoterol adicionado à lista de broncodilatadores não recomendados (risco cardiovascular e mortalidade por asma)

  • Antes

    Magnésio nebulizado era opção

    Agora

    Magnésio nebulizado NÃO mais recomendado (IV mantido para exacerbações moderadas/graves)

  • Antes

    SpO2 alvo para crianças: 94–98%

    Agora

    ≥94%, com lembrete sobre efeito da cor da pele e ajuste para altitude

  • Antes

    Impacto de clima extremo não abordado

    Agora

    Nova seção sobre clima extremo e asma

  • Antes

    Considerar biomarcadores" não estava no ciclo de cuidado

    Agora

    Adicionado à seção "Revisar resposta" do ciclo Avaliar-Ajustar-Revisar

  • Antes

    Plano de ação organizado por step

    Agora

    Plano de ação reorganizado por Track (diferença marcante na abordagem dependendo do tipo de resgate)

  • Antes

    Doses de SABA para tratamento inicial em atenção primária/emergência vagamente definidas

    Agora

    Clarificadas para evitar uso excessivo

  • Antes

    Árvore de decisão para asma grave com avaliações em sequência diferente

    Agora

    Confirmação do diagnóstico de asma grave movida para estágio 5 (após avaliação especialista inicial), pois investigações às vezes identificam que o paciente não tem asma

Resumo técnico

A diretriz na íntegra

Documento de Referência Completo para Residência Médica


2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA

Por que esta diretriz foi publicada

  • A asma afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo, causando ~1.000 mortes/dia
  • A maioria das mortes ocorre em países de baixa e média renda (LMIC) e é prevenível
  • 96% das mortes por asma e 84% da carga de doença (DALYs) ocorrem em LMIC
  • Budesonida-formoterol está na Lista de Medicamentos Essenciais da OMS
  • GINA colabora com IUATLD para uma Resolução da Assembleia Mundial da Saúde sobre acesso equitativo a medicamentos inalatórios

Mudanças em relação à versão anterior (2024)

As mudanças principais estão detalhadas na Seção 7 deste documento.


3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

3.1 Definição de Asma

Asma é uma doença heterogênea, geralmente caracterizada por inflamação crônica das vias aéreas. É definida pela história de sintomas respiratórios como sibilância, dispneia, aperto torácico e tosse, que variam ao longo do tempo e em intensidade, juntamente com fluxo expiratório variável.

  • A limitação do fluxo aéreo pode se tornar persistente ao longo do tempo
  • Geralmente associada a hiperresponsividade brônquica e inflamação das vias aéreas, mas estes não são necessários nem suficientes para o diagnóstico
  • Prevalência: 1–29% da população em diferentes países

3.2 Fenótipos Clínicos da Asma

FenótipoCaracterísticas
Asma alérgicaMais facilmente reconhecido; início na infância; história pessoal/familiar de atopia; eosinofilia no escarro; boa resposta a ICS
Asma não-alérgicaSem associação com alergia; perfil celular variável (neutrofílico, eosinofílico ou paucigranulocítico); menor resposta a ICS
Asma variante tosse / tosse-predominanteTosse como único/principal sintoma; espirometria geralmente normal; hiperresponsividade brônquica; pode evoluir com sibilância
Asma de início tardio (adulto)Mais comum em mulheres; não-alérgica; requer doses maiores de ICS; excluir asma ocupacional
Asma com limitação persistente do fluxo aéreoLonga duração; remodelamento das vias aéreas; limitação não completamente reversível
Asma com obesidadeSintomas respiratórios proeminentes; pouca inflamação eosinofílica

3.3 Controle da Asma — Dois Domínios

O controle da asma é avaliado em dois domínios que devem ser sempre avaliados:

A) Controle de Sintomas (últimas 4 semanas)

CritérioSimNão
Sintomas diurnos de asma >2x/semana?
Algum despertar noturno por asma?
Uso de SABA† de resgate >2x/semana?
Alguma limitação de atividade por asma?
ClassificaçãoCritério
Bem controladaNenhum dos acima
Parcialmente controlada1–2 dos acima
Não controlada3–4 dos acima

†Nota importante: A frequência de uso de SABA >2 dias/semana é incluída. Para pacientes usando anti-inflamatório de resgate (AIR) como ICS-formoterol sob demanda (Track 1), o uso >2 dias/semana NÃO é critério, pois já fornece ICS adicional.

B) Fatores de Risco para Desfechos Adversos

i. Fatores de risco para exacerbações (independentes do controle de sintomas):

  • SABA: Uso excessivo (≥3 canisters de 200 doses/ano = risco aumentado de exacerbações; ≥1 canister/mês = risco aumentado de mortalidade)
  • ICS inadequado: Não prescrito, má adesão ou técnica inalatória incorreta
  • Condições médicas: Obesidade, rinossinusite crônica, DRGE, alergia alimentar confirmada, gravidez
  • Exposições: Tabagismo, cigarro eletrônico, exposição alergênica em sensibilizados, poluição do ar
  • Psicossocial: Problemas psicológicos ou socioeconômicos maiores
  • Função pulmonar: VEF1 baixo (especialmente <60% do previsto), alta resposta ao broncodilatador
  • Biomarcadores tipo 2: Eosinófilos sanguíneos elevados, FeNO elevado
  • História de exacerbações: Intubação/UTI por asma, ≥1 exacerbação grave no último ano

ii. Fatores de risco para limitação persistente do fluxo aéreo:

  • Prematuridade, baixo peso ao nascer, maior ganho de peso no 1º ano
  • Tosse produtiva frequente
  • Ausência de tratamento com ICS em paciente com exacerbações graves
  • Exposição a tabaco, químicos nocivos, ocupacional/doméstica
  • VEF1 inicial baixo, eosinofilia em escarro ou sangue

iii. Fatores de risco para efeitos colaterais de medicamentos:

  • Sistêmicos: OCS frequente, ICS em alta dose/potente por longo prazo, inibidores de CYP450
  • Locais: ICS em alta dose/potente, técnica inalatória incorreta

3.4 Gravidade da Asma (Definição Retrospectiva)

GravidadeDefinição
LeveBem controlada com tratamento de baixa intensidade (ICS-formoterol sob demanda ou ICS em dose baixa + SABA sob demanda)
ModeradaBem controlada com Step 3 ou 4 (ex: ICS-LABA em dose baixa ou média)
GraveNão controlada apesar de terapia otimizada com ICS-LABA em dose alta, ou que requer ICS-LABA em dose alta para manter controle

⚠️ PONTO CRUCIAL: "Asma leve" é um rótulo retrospectivo — NÃO pode ser usado para decidir qual tratamento o paciente deve receber. Pacientes com sintomas infrequentes ainda podem ter exacerbações graves ou fatais. GINA sugere evitar o termo "asma leve" na prática clínica.

3.5 Definições de Asma Difícil de Tratar e Asma Grave

CategoriaDefinição
Asma não controladaControle sintomático ruim E/OU exacerbações frequentes (≥2/ano com OCS ou ≥1/ano com hospitalização)
Asma difícil de tratarNão controlada apesar de ICS-LABA em dose média/alta, ou requer dose alta para manter controle. Inclui fatores modificáveis (técnica inalatória, adesão, comorbidades)
Asma graveSubgrupo da difícil de tratar. Não controlada apesar de boa adesão a ICS-LABA otimizado em dose alta e tratamento de fatores contribuintes, ou piora quando dose alta é reduzida. ~3–10% dos asmáticos

3.6 Remissão da Asma

  • Remissão clínica: Sem sintomas de asma ou exacerbações por período específico
  • Remissão completa (fisiopatológica): Inclui função pulmonar normal, responsividade brônquica e/ou marcadores inflamatórios normais
  • Off treatment ou on treatment: Ambas podem ocorrer
  • Remissão NÃO é cura — asma pode recorrer
  • Em adultos com asma de início na vida adulta: ~16% podem ter remissão clínica em 5 anos
  • Preditores de remissão com biológicos: melhor ACT/ACQ basal, melhor função pulmonar, menos comorbidades, início mais precoce da asma, sem OCS de manutenção

3.7 Doses de ICS — Baixa, Média e Alta

Adultos e Adolescentes (≥12 anos) — Doses diárias metered (mcg)

ICSBaixaMédiaAlta
Beclometasona dipropionato (pMDI, partícula padrão, HFA)200–500>500–1000>1000
Beclometasona dipropionato (DPI ou pMDI, partícula extrafina, HFA)100–200>200–400>400
Budesonida (DPI ou pMDI, partícula padrão, HFA)200–400>400–800>800
Ciclesonida (pMDI, partícula extrafina, HFA)80–160>160–320>320
Fluticasona furoato (DPI)100200
Fluticasona propionato (DPI)100–250>250–500>500
Fluticasona propionato (pMDI, partícula padrão, HFA)100–250>250–500>500
Mometasona furoato (pMDI, partícula padrão, HFA)200–400>400

MUDANÇA 2025: Fluticasona furoato reclassificada como baixa-média (100 mcg) e média-alta (200 mcg), devido à dificuldade de alinhar doses com moléculas mais antigas.

Crianças 6–11 anos — Doses diárias metered (mcg)

ICSBaixaMédiaAlta
Beclometasona dipropionato (pMDI, partícula padrão, HFA)100–200>200–400>400
Beclometasona dipropionato (pMDI, partícula extrafina, HFA)50–100>100–200>200
Budesonida (DPI ou pMDI, partícula padrão, HFA)100–200>200–400>400
Budesonida (nebulização)250–500>500–1000>1000
Ciclesonida (pMDI, partícula extrafina, HFA)80>80–160>160
Fluticasona furoato (DPI)50n.a.
Fluticasona propionato (DPI ou pMDI)50–100>100–200>200
Mometasona furoato (pMDI)100200

Importante: Esta tabela NÃO é de equivalência de potência. Monitorar estabilidade ao trocar entre ICS.


4. DIAGNÓSTICO

4.1 Critérios Diagnósticos para Adultos (≥18 anos) e Crianças (6–17 anos)

O diagnóstico requer ambos:

Critério 1: História de sintomas respiratórios variáveis típicos

  • Sibilância, dispneia, aperto torácico e/ou tosse
  • Variam ao longo do tempo e em intensidade
  • Frequentemente piores à noite ou ao despertar
  • Desencadeados por exercício, riso, alérgenos, ar frio
  • Piora após o término do exercício (muito distintivo)
  • Frequentemente pioram com infecções virais

Características que DIMINUEM a probabilidade de asma:

  • Produção crônica de escarro
  • Dispneia associada a tontura, parestesia
  • Dor torácica
  • Dispneia ao exercício com inspiração ruidosa (estridor)

Critério 2: Fluxo expiratório variável confirmado

TesteCritério em AdultosCritério em Crianças
Resposta ao broncodilatador (BD) — Medir 10–15 min após 200–400 mcg salbutamolAumento de VEF1 ou CVF ≥12% E ≥200 mL (maior confiança se ≥15% e ≥400 mL); ou PFE ≥20%Aumento de VEF1 ≥12% do previsto (ou PFE ≥15%)
Variabilidade do PFE (2x/dia por 2 semanas)Variabilidade diurna média >10%Variabilidade diurna média >13%
Aumento após 4 semanas de ICSVEF1 ≥12% e ≥200 mL (ou PFE ≥20%)VEF1 ≥12% do previsto (ou PFE ≥15%)
Teste de provocação brônquicaQueda de VEF1 ≥20% com metacolina; ≥15% com hiperventilação/salina/manitol; >10% e >200 mL com exercícioQueda de VEF1 >12% do previsto (ou PFE >15%) com exercício
Variação entre consultasVEF1 ≥12% e ≥200 mL (ou PFE ≥20%)VEF1 ≥12% (ou PFE ≥15%)

Períodos de suspensão de broncodilatadores antes do teste:

  • SABA: ≥4 horas
  • Formoterol, salmeterol: 24 horas
  • Indacaterol, vilanterol: 36 horas
  • Tiotrópio, umeclidínio, aclidínio, glicopirrônio: 36–48 horas

Papel dos Biomarcadores Tipo 2 no Diagnóstico

Em pacientes com sintomas típicos de asma, se espirometria/PFE não disponível ou negativo:

  • FeNO >50 ppb (adultos/adolescentes) ou >35 ppb (crianças) → suporta diagnóstico de asma Tipo 2
  • Eosinófilos sanguíneos acima da referência nacional/regional → suporta diagnóstico de asma Tipo 2
  • MAS: Valores elevados podem ocorrer em condições não-asma; valores normais NÃO excluem asma

4.2 Diagnóstico Diferencial

Faixa etáriaCondições a considerar
6–11 anosSíndrome do gotejamento pós-nasal, corpo estranho inalado, bronquiectasia, imunodeficiência, discinesia ciliar primária, cardiopatia congênita, displasia broncopulmonar, fibrose cística
12–39 anosGotejamento pós-nasal, obstrução laríngea induzível, hiperventilação/respiração disfuncional, bronquiectasia, fibrose cística, cardiopatia, deficiência de alfa-1 antitripsina, corpo estranho
40+ anosObstrução laríngea induzível, hiperventilação, DPOC, bronquiectasia, ICC, tosse por IECA, doença pulmonar parenquimatosa, TEP, obstrução central de vias aéreas
Todas idadesTuberculose, coqueluche

4.3 Confirmação Diagnóstica em Pacientes Já em Uso de ICS

A confirmação objetiva é importante — em 25–35% dos pacientes em atenção primária com diagnóstico prévio de asma, este NÃO pôde ser confirmado.

Estratégias:

  1. Se sintomas típicos + fluxo expiratório variável → diagnóstico confirmado
  2. Se sintomas típicos mas SEM variabilidade → repetir testes; considerar step-down de ICS e reavaliar em 2–4 semanas
  3. Se VEF1 <70% do previsto → step-up de ICS por 3 meses e reavaliar
  4. Se sintomas poucos, função pulmonar normal, sem variabilidade → step-down gradual de ICS; se asma piora → confirmada; se não → considerar cessar ICS e monitorar 12 meses

4.4 Diagnóstico em Crianças ≤5 anos

Três critérios clínicos (NOVO em 2025):

  1. Episódios agudos recorrentes de sibilância, com ou sem sintomas tipo asma entre episódios
    • Episódios passados relatados por pais são considerados "episódios agudos de sibilância" se duraram >24 horas OU foram vistos e confirmados como sibilância por profissional de saúde
  2. Exclusão de diagnósticos alternativos
  3. Resposta oportuna ao tratamento de asma, incluindo:
    • Melhora sintomática em minutos após SABA (em ambiente de saúde ou em casa)
    • OU resposta a trial diagnóstico com ICS diário + SABA sob demanda por 2–3 meses

5. TRATAMENTO

5.1 Objetivo do Tratamento

Alcançar os melhores desfechos possíveis a longo prazo para o paciente:

  • Controle de sintomas a longo prazo: Poucos/nenhum sintoma, sem despertar noturno, atividade física sem limitação
  • Minimização de risco a longo prazo: Sem exacerbações, função pulmonar melhorada/estável, sem necessidade de OCS de manutenção, sem efeitos colaterais

5.2 Ciclo de Manejo Personalizado: AVALIAR → AJUSTAR → REVISAR

  1. AVALIAR: Controle sintomático, fatores de risco, técnica inalatória, adesão, comorbidades, metas do paciente
  2. AJUSTAR: Tratamento de fatores de risco modificáveis, comorbidades, estratégias não-farmacológicas, educação, ajuste de medicação
  3. REVISAR: Considerar biomarcadores Tipo 2 se asma permanecer não controlada; reavaliar e reajustar

5.3 Tratamento em Adultos e Adolescentes — Dois Tracks

Visão Geral dos Tracks

CaracterísticaTrack 1 (PREFERIDO)Track 2 (ALTERNATIVO)
ResgateICS-formoterol sob demandaSABA ou ICS-SABA sob demanda
Quando usarSempre que disponívelSe Track 1 não disponível; ou paciente estável com boa adesão e sem exacerbações no último ano
VantagemReduz exacerbações graves vs SABA; medicação única em Steps 1–4; mais simplesFamiliar; disponível em mais locais

Track 1 (PREFERIDO) — ICS-Formoterol como Resgate

StepManutençãoResgate
Steps 1–2NenhumaICS-formoterol sob demanda (AIR-only)
Step 3ICS-formoterol em dose baixa (MART)ICS-formoterol sob demanda
Step 4ICS-formoterol em dose média (MART)ICS-formoterol sob demanda
Step 5Referência ao especialista; biológicos; ICS-LABA dose alta ± LAMA ± azitromicinaICS-formoterol sob demanda

Evidências-chave para Steps 1–2 (AIR-only):

  • Redução de 64% em exacerbações graves vs SABA (estudo duplo-cego)
  • Meta-análise Cochrane: redução de 55% em exacerbações graves requerendo OCS e 65% em visitas a ED/hospitalização vs SABA
  • Não-inferior a ICS diário para exacerbações graves (estudos duplo-cegos)
  • Superior a ICS diário de manutenção em redução de exacerbações em estudos abertos
  • Dose média de ICS substancialmente menor que com ICS diário de manutenção
  • Redução similar de FeNO comparado com ICS diário de manutenção

Doses e Medicamentos para Track 1 (AIR/MART):

IdadeMedicamentoAIR-only (Steps 1–2)MART Step 3MART Step 4
6–11 anosBudesonida-formoterol DPI 100/6 [80/4.5]Sem evidência até o momento1 inal 1x/dia + 1 sob demanda1 inal 2x/dia + 1 sob demanda
12–17 anosBudesonida-formoterol DPI ou pMDI 200/6 [160/4.5]1 inal sob demanda1 inal 2x/dia (ou 1x) + 1 sob demanda2 inal 2x/dia + 1 sob demanda
≥18 anosBudesonida-formoterol 200/6 [160/4.5] ou BDP-formoterol 100/61 inal sob demanda1 inal 2x/dia (ou 1x) + 1 sob demanda2 inal 2x/dia + 1 sob demanda

Dose máxima total em 24h: 12 inalações (formoterol 72 mcg metered / 54 mcg delivered) para adultos/adolescentes; 8 inalações para crianças 6–11 anos.

Não é necessário enxaguar a boca após doses sob demanda de ICS-formoterol — não houve aumento de candidíase oral nos estudos.

Track 2 (ALTERNATIVO) — SABA ou ICS-SABA como Resgate

StepManutençãoResgate
Step 1NenhumaICS tomado junto com SABA (combinação ou inaladores separados)
Step 2ICS dose baixa diárioSABA ou ICS-SABA sob demanda
Step 3ICS-LABA dose baixaSABA ou ICS-SABA sob demanda
Step 4ICS-LABA dose médiaSABA ou ICS-SABA sob demanda
Step 5Referência; biológicosSABA ou ICS-SABA sob demanda

MUDANÇA 2025: Step 4 do Track 2 mudou de "dose média-alta" para dose média de ICS-LABA, refletindo ênfase em minimizar efeitos adversos de ICS em dose alta. Se dose alta for necessária, limitar a 3–6 meses se possível.

SABA isolado NÃO é recomendado

Razões:

  • Tratamento com SABA isolado aumenta risco de morte por asma vs qualquer ICS
  • Uso regular de SABA por apenas 1 semana aumenta broncoconstrição induzida por exercício, hiperresponsividade e inflamação
  • ≥3 canisters de 200 doses/ano (uso médio >1x/dia) = risco aumentado de exacerbações
  • ≥1 canister/mês = risco substancialmente aumentado de morte
  • Iniciar tratamento com SABA isolado treina pacientes a considerá-lo como principal tratamento

5.4 Tratamento Step 5 — Asma Grave

Opções (após otimização de Steps 1–4):

  1. ICS-LABA em dose alta — trial por 3–6 meses; risco aumentado de efeitos colaterais
  2. Add-on LAMA (tiotrópio ≥6 anos; ou inaladores triplos ≥18 anos)
    • Melhora modesta na função pulmonar
    • Redução de 17% em exacerbações graves (principalmente em pacientes com história de exacerbações)
  3. Azitromicina (adultos, 500 mg 3x/semana, por ≥6 meses)
    • Verificar micobactérias atípicas no escarro, QTc no ECG
    • Considerar risco de resistência antimicrobiana
  4. Terapia biológica add-on (ver seção dedicada abaixo)
  5. Tratamento guiado por escarro (se disponível): eosinofilia >3%
  6. Termoplastia brônquica — evidência limitada; somente em registros/estudos clínicos
  7. OCS em baixa dose (≤7,5 mg/dia equivalente de prednisona) — ÚLTIMO RECURSO

5.5 Terapias Biológicas para Asma Grave

BiológicoAlvoIdadeVia/DoseIndicação Principal
OmalizumabAnti-IgE≥6 anosSC a cada 2–4 sem (dose por peso/IgE)Asma alérgica grave
MepolizumabAnti-IL5≥6 anosSC 100 mg (adultos) ou 40 mg (6–11 anos) a cada 4 semAsma eosinofílica grave
BenralizumabAnti-IL5Rα≥12 anosSC 30 mg a cada 4 sem x3, depois a cada 8 semAsma eosinofílica grave
ReslizumabAnti-IL5≥18 anosIV 3 mg/kg a cada 4 semAsma eosinofílica grave
DupilumabAnti-IL4Rα≥6 anosSC 200 ou 300 mg a cada 2 semAsma eosinofílica/Tipo 2 grave ou OCS-dependente
TezepelumabAnti-TSLP≥12 anosSC 210 mg a cada 4 semAsma grave (independente de fenótipo)

Preditores de resposta:

BiológicoPreditores de boa resposta
OmalizumabEosinófilos ≥260/μL, FeNO ≥19,5 ppb (mas benefício com ambos valores baixos ou altos em estudos observacionais); asma de início na infância; história sugestiva de gatilhos alérgicos
Anti-IL5/5RαEosinófilos mais altos (fortemente preditivo); mais exacerbações graves/ano; asma de início adulto; pólipos nasais; OCS basal; VEF1 <65%
DupilumabEosinófilos mais altos (fortemente preditivo); FeNO mais alto (fortemente preditivo)
TezepelumabEosinófilos mais altos (fortemente preditivo); FeNO mais alto (fortemente preditivo)

Trial inicial sugerido para todos os biológicos: pelo menos 4 meses

Dados de segurança a longo prazo reportados:

  • Omalizumab: >5 anos
  • Mepolizumab: >5 anos
  • Benralizumab: >5 anos
  • Dupilumab: >5 anos (adultos), até 2 anos (crianças)
  • Tezepelumab: até 2 anos

5.6 Tratamento em Crianças 6–11 Anos

StepOpção PreferidaAlternativa
Step 1ICS tomado junto com SABA (separados ou combinação)
Step 2ICS dose baixa diário + SABA sob demandaICS com SABA sob demanda; ou LTRA* diário
Step 3ICS dose média + SABA sob demanda; OU ICS-LABA dose baixa + SABA; OU MART com ICS-formoterol muito baixa dose
Step 4Referência; ICS-LABA dose média + SABA; OU MART com ICS-formoterol dose baixaAdd-on LAMA (tiotrópio); aumento de ICS-LABA
Step 5Referência; biológicos (omalizumab ≥6 anos, mepolizumab ≥6 anos, dupilumab ≥6 anos); add-on LAMA

*Se prescrever LTRA (montelucaste): avisar sobre risco de efeitos adversos neuropsiquiátricos

5.7 Tratamento em Crianças ≤5 Anos

StepManutençãoResgate
Step 1NenhumaSABA sob demanda
Step 2ICS dose baixa diárioSABA sob demanda
Step 3ICS dose baixa dobrada; OU ICS dose baixa + LTRASABA sob demanda
Step 4Referência ao especialista; ICS dose média + LTRASABA sob demanda

5.8 Step-Down de Tratamento

Princípios gerais:

  • Considerar step-down quando sintomas bem controlados e função pulmonar estável por ≥3 meses
  • Reduzir ICS em 25–50% a cada 3 meses (seguro e factível)
  • NUNCA retirar completamente o ICS (exceto temporariamente para confirmar diagnóstico)
  • Fornecer plano de ação por escrito antes do step-down

Opções de step-down por tratamento atual:

Step atualTratamento atualOpção de step-down
Step 5ICS-LABA alta dose + OCSAdicionar biológico se Tipo 2-alto; reduzir OCS primeiro
Step 5Biológico + ICS-LABA alta doseCessar OCS → considerar reduzir ICS-LABA
Step 4ICS-LABA dose média-alta manutençãoReduzir ICS em 50%; OU trocar para MART com dose menor
Step 4ICS-formoterol dose média MARTReduzir manutenção para dose baixa; continuar resgate
Step 3ICS-LABA dose baixa manutençãoReduzir para 1x/dia
Step 3ICS-formoterol dose baixa MARTReduzir manutenção para 1x/dia; OU step-down para AIR-only
Step 2ICS dose baixa manutençãoDose 1x/dia; OU trocar para AIR-only ICS-formoterol; OU ICS quando SABA é usado

⚠️ NÃO retirar ICS completamente — risco de exacerbações aumenta com SABA isolado

5.9 Manejo de Exacerbações

Fatores de Risco para Morte por Asma

  • História de quase-fatal (intubação/ventilação mecânica) por asma
  • Hospitalização ou visita a emergência por asma no último ano
  • Uso atual ou recente de OCS
  • Sem uso de ICS
  • Uso excessivo de SABA (>1 canister/mês)
  • Má adesão ao ICS e/ou ao plano de ação
  • Doença psiquiátrica ou problemas psicossociais
  • Alergia alimentar em paciente com asma

Plano de Ação por Escrito

Para Track 1 (ICS-formoterol):

  • Steps 1–2 (AIR-only): aumentar doses sob demanda de ICS-formoterol. Máximo 12 inalações/24h
  • Steps 3–5 (MART): manter dose de manutenção + aumentar doses sob demanda. Máximo 12 inalações total/24h

Para Track 2 (SABA/ICS-SABA):

  • Step 1 (ICS-SABA): 2 inalações sob demanda. Máximo 6 doses (12 inalações)/24h
  • Steps 2–4 com SABA: considerar quadruplicar ICS por 1–2 semanas + SABA sob demanda a cada 4–6h

Exacerbações graves (todos):

  • OCS: Prednisolona 40–50 mg/dia por 5–7 dias (adultos); 1–2 mg/kg/dia máximo 40 mg/dia por 3–5 dias (crianças)
  • Desmame não necessário se OCS por <2 semanas
  • Dosagem matinal preferível para minimizar insônia

Manejo na Atenção Primária

  1. SABA inalado: 4–10 puffs a cada 20 min por até 3 doses (pMDI + espaçador = tão eficaz quanto nebulização)
  2. Oxigênio controlado: Manter SpO2 93–95% (adultos), ≥94% (crianças)
    • MUDANÇA 2025: Alvo de SpO2 para crianças mudou de 94–98% para ≥94%
    • Considerar efeito da cor da pele e ajustar para altitude
  3. Corticosteroide sistêmico: Para exacerbações moderadas ou graves
  4. Brometo de ipratrópio: Para exacerbações moderadas ou graves
  5. Sulfato de magnésio IV: Considerar para exacerbações graves sem resposta ao tratamento inicial
  6. Magnésio nebulizado: NÃO mais recomendado (MUDANÇA 2025)
  7. Antibióticos: NÃO rotineiramente (exceto se forte evidência de infecção pulmonar)
  8. Rx tórax: NÃO rotineiramente

Manejo na Alta

  • Iniciar ou continuar ICS-containing — NUNCA alta com SABA isolado
  • Para pacientes usando SABA antes: Considerar trocar para MART (Track 1) para reduzir risco de exacerbações futuras. Se MART não disponível, iniciar ICS-LABA dose média por 2–4 semanas
  • Para pacientes usando ICS-formoterol antes: Retomar ICS-formoterol em vez de SABA. Se estava em AIR-only → step-up para MART. Não é necessário prescrever SABA para pacientes com resgate ICS-formoterol
  • Follow-up: Dentro de 1 semana após exacerbação

6. POPULAÇÕES ESPECIAIS

6.1 Gestantes

  • Asma piora em ~1/3, melhora em ~1/3, permanece igual em ~1/3 durante a gravidez
  • Exacerbações são comuns, especialmente no 2º trimestre
  • Exacerbações e mau controle associados a: pré-eclâmpsia, prematuridade, baixo peso ao nascer, aumento da mortalidade perinatal

REGRA DE OURO: As vantagens de tratar ativamente a asma na gravidez com ICS superam marcadamente quaisquer riscos potenciais. NÃO interromper ICS antes ou durante a gravidez.

  • ICS, beta2-agonistas, montelucaste e teofilina NÃO são associados a aumento de malformações fetais
  • Usar ICS durante gravidez pode ser protetor para asma nos filhos
  • Provocação brônquica é contraindicada na gravidez
  • Monitoramento a cada 4–6 semanas recomendado
  • Para asma grave com biológicos: evidência escassa; registros com omalizumab não mostraram aumento de malformações

6.2 Idosos

  • Frequentemente subdiagnosticados (má percepção de limitação ao fluxo, aceitação de dispneia como normal)
  • Comorbidades complicam diagnóstico (ICC, DCV, obesidade)
  • Efeitos colaterais de beta2-agonistas (cardiotoxicidade) e ICS (osteoporose, fraturas, catarata) mais comuns
  • Artrite pode dificultar uso de dispositivos inalatórios
  • Evitar múltiplos dispositivos diferentes
  • Considerar asma+DPOC em fumantes/ex-fumantes

6.3 Adolescentes

  • Mudanças rápidas físicas, emocionais, cognitivas e sociais
  • Adesão a ICS: apenas ~28% (ligeiramente maior em <18 anos: 36%)
  • Comportamentos de risco (tabagismo) mais frequentes
  • ICS-formoterol sob demanda em asma leve reduziu exacerbações graves vs SABA isolado, sem necessidade de tratamento diário
  • Crescimento em altura significativamente maior com ICS-formoterol sob demanda vs ICS diário + SABA

6.4 Obesidade

  • IMC deve ser documentado para todos os asmáticos
  • Asma mais difícil de controlar, maior risco de exacerbações, menor resposta a ICS
  • Redução de peso: meta no plano de tratamento
    • Cirurgia bariátrica: resultados mais expressivos
    • Perda de 5–10% do peso já melhora controle e qualidade de vida
    • Exercício isolado: insuficiente

6.5 DRGE

  • NÃO rastrear DRGE rotineiramente em asma não controlada
  • Tratar refluxo sintomático, mas NÃO tratar pacientes com asma mal controlada com anti-refluxo a menos que também tenham refluxo sintomático
  • Benefício limitado a pacientes com refluxo sintomático E sintomas respiratórios noturnos

6.6 Asma Ocupacional

  • 5–20% dos novos casos de asma de início adulto
  • Rinite ocupacional pode preceder asma em até 1 ano
  • Perguntar sistematicamente sobre história ocupacional e exposições
  • Pergunta-chave: "Seus sintomas melhoram quando está afastado do trabalho?"
  • Remoção precoce da exposição essencial
  • Encaminhar ao especialista (implicações legais e socioeconômicas)

6.7 Doença Respiratória Exacerbada por Aspirina (DREA/AERD)

  • Prevalência: 7% na asma geral, 15% na asma grave
  • Quadro: congestão nasal → anosmia → rinossinusite crônica com pólipos → asma → hipersensibilidade a AAS/AINEs
  • Após ingestão de AAS/AINEs: crise aguda em minutos a 1–2 horas
  • Diagnóstico: provocação oral com aspirina (padrão-ouro, apenas em centro com RCP)
  • Tratamento: evitar AAS/AINEs (COX-1), ICS é pilar; considerar LTRA; dessensibilização à aspirina sob cuidado especializado

6.8 Asma + DPOC

  • Nunca tratar com LABA e/ou LAMA isolados pacientes com qualquer característica de asma — risco de exacerbações graves e morte
  • ICS-containing é obrigatório se houver qualquer característica de asma
  • Encaminhar ao especialista, pois desfechos piores que asma ou DPOC isoladas

6.9 Alergia Alimentar e Anafilaxia

  • Alergia alimentar confirmada é fator de risco para morte por asma
  • Pacientes devem ter autoinjector de epinefrina e ser treinados
  • Asma deve estar bem controlada

6.10 Clima Extremo e Asma (NOVO em 2025)

  • Ondas de calor: aumento de 39% nas hospitalizações
  • Ondas de frio: aumento de 35% nas hospitalizações
  • Calor extremo: efeito lag curto (~1 semana)
  • Frio extremo: efeito lag longo (3–30 dias)
  • Tempestades com trovões podem causar epidemias de asma

APÊNDICE: Tabela Resumo de Biomarcadores Tipo 2

Fatores que Afetam Eosinófilos Sanguíneos e FeNO

FatorEfeito nos EosinófilosEfeito no FeNO
Hora do dia↑ Madrugada (early morning)↓ Madrugada; ↑ Tarde
IdadeVariaVaria
SexoVariaVaria
Tabagismo ativo
ObesidadeRelação alterada entre biomarcadoresRelação alterada
Corticosteroide (nasal, inalado, oral)
Infecção viralVariávelVariável (↑ ou ↓)
Exposição a alérgenos↑ em sensibilizados↑ em sensibilizados
Broncoconstrição
Dispositivo/localVaria por dispositivo e site

Valores de Corte para Diagnóstico e Avaliação

BiomarcadorCorte para suporte diagnóstico (com sintomas típicos)Corte sugestivo de inflamação Tipo 2 refratária (em ICS alto/OCS)
FeNO (adultos/adolescentes)>50 ppb≥20 ppb
FeNO (crianças)>35 ppb
Eosinófilos sanguíneosAcima da referência nacional/regional≥150/μL
Eosinófilos no escarro≥2%

Documento gerado para fins educacionais de residência médica. Consultar sempre a diretriz original e regulamentações locais para decisões clínicas.

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  • 01

    SABA isolado NÃO é mais recomendado para nenhuma faixa etária — todos devem receber ICS-containing desde o diagnóstico

  • 02

    Track 1 (preferido) usa ICS-formoterol como resgate em todos os steps. Track 2 (alternativo) usa SABA ou ICS-SABA

  • 03

    MART = Maintenance-And-Reliever Therapy = mesmo inalador (ICS-formoterol) para manutenção E resgate. Disponível em Steps 3–5 (adultos) e Steps 3–4 (crianças 6–11 anos)

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