Pneumologia2026

GOLD 2026 — Estratégia Global para Diagnóstico, Manejo e Prevenção da DPOC 2026: o que mudou na diretriz

Cai na prova 2026
  • DPOC é a 3ª causa de morte no mundo — mais de 3 milhões de mortes em 2021 (5% de todos os óbitos globais)
  • Projeção de quase 600 milhões de pacientes com DPOC até 2050, com maior aumento em mulheres e países de baixa/média renda (LMICs)
  • 81,4% dos casos de DPOC permanecem não diagnosticados globalmente
  • Custos diretos projetados para 2050: US$ 24,35 trilhões (crescimento de 526% vs. 2025)
  • A DPOC permanece sendo subtratada, subdiagnosticada e subestimada em todos os níveis
  1. Capítulo 1: Seção sobre Carga de Doença atualizada com dados epidemiológicos mais recentes
  2. Capítulo 2: Screening e case-finding atualizados com duas novas figuras (2.8 e 2.9)
  3. Vacinas: Recomendações atualizadas para RSV e influenza
  4. Critérios ABE modificados: Mesmo 1 exacerbação moderada ou grave agora é suficiente para classificar no Grupo E (antes eram ≥2 moderadas ou ≥1 grave para hospital)
  5. Nova seção sobre Atividade de Doença incluída no relatório
  6. Algoritmos de tratamento clarificados — distinção entre tratamento INICIAL (naive) vs. SEGUIMENTO
  7. Nova Figura 3.11: Evidência para terapia biológica na DPOC (dupilumabe e mepolizumabe)
  8. Capítulo 4 (Exacerbações): Completamente revisado com novas figuras
  9. Capítulo 5 (Multimorbidade): Completamente revisado com novas figuras
  10. Novo Capítulo 6: Inteligência Artificial e Tecnologias Emergentes na DPOC
  11. Reestruturação geral com material movido para Apêndices 1-4

O que mudou

14 mudanças que você precisa saber

  • Antes

    Grupo E: ≥2 exacerbações moderadas OU ≥1 hospitalização

    Agora

    Grupo E: ≥1 exacerbação moderada OU ≥1 hospitalização

  • Antes

    Sem conceito formal de "atividade de doença

    Agora

    Nova seção sobre atividade de doença com metas: zero exacerbações, sem piora de sintomas, sem perda acelerada de VEF₁

  • Antes

    Terapia biológica não formalmente posicionada

    Agora

    Dupilumabe e mepolizumabe posicionados no algoritmo para DPOC + eosinófilos ≥ 300 + exacerbações apesar de tripla terapia

  • Antes

    Ensifentrine não disponível

    Agora

    Ensifentrine (inibidor duplo PDE3/PDE4 inalado) adicionado como opção para dispneia

  • Antes

    Algoritmo de tratamento não distinguia claramente INICIAL vs. SEGUIMENTO

    Agora

    Algoritmos claramente separados para tratamento INICIAL (naive) vs. SEGUIMENTO

  • Antes

    Classificação de exacerbações baseada em uso de recursos de saúde

    Agora

    Classificação de Roma baseada em critérios clínicos: VAS dispneia, FR, FC, SaO₂, PCR

  • Antes

    Sem capítulo de IA

    Agora

    Novo Capítulo 6 sobre Inteligência Artificial e Tecnologias Emergentes

  • Antes

    Benralizumabe não tinha dados conclusivos em DPOC

    Agora

    Benralizumabe: NÃO reduziu exacerbações em DPOC (dois estudos fase III negativos)

  • Antes

    Vacina RSV não amplamente recomendada

    Agora

    Vacina RSV recomendada: universal ≥75 anos; com fatores de risco ≥50 anos

  • Antes

    PCV13 ou PCV15 + PPSV23 recomendados

    Agora

    PCV20 ou PCV21 recomendados para pacientes com DPOC (PCV21 cobre 84% das cepas de doença invasiva)

  • Antes

    LTOT 24h vs. 15h sem dados comparativos modernos

    Agora

    Estudo mostrou que LTOT 24h NÃO reduziu risco de hospitalização/morte vs. 15h/dia

  • Antes

    Sem posicionamento claro sobre betabloqueadores em DPOC

    Agora

    Metoprolol em DPOC sem indicação CV: NÃO preveniu exacerbações e aumentou hospitalização; betabloqueadores apenas para indicação CV

  • Antes

    Overlap asma-DPOC (ACO) como conceito

    Agora

    Não se usa mais "asthma-COPD overlap"; asma e DPOC são doenças diferentes que podem coexistir

  • Antes

    Equações de referência raciais para espirometria

    Agora

    GLI-Global (race-neutral) como padrão recomendado

Resumo técnico

A diretriz na íntegra

2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA

Por que esta diretriz foi publicada

  • DPOC é a 3ª causa de morte no mundo — mais de 3 milhões de mortes em 2021 (5% de todos os óbitos globais)
  • Projeção de quase 600 milhões de pacientes com DPOC até 2050, com maior aumento em mulheres e países de baixa/média renda (LMICs)
  • 81,4% dos casos de DPOC permanecem não diagnosticados globalmente
  • Custos diretos projetados para 2050: US$ 24,35 trilhões (crescimento de 526% vs. 2025)
  • A DPOC permanece sendo subtratada, subdiagnosticada e subestimada em todos os níveis

O que mudou em relação à versão anterior (GOLD 2023/2025)

  1. Capítulo 1: Seção sobre Carga de Doença atualizada com dados epidemiológicos mais recentes
  2. Capítulo 2: Screening e case-finding atualizados com duas novas figuras (2.8 e 2.9)
  3. Vacinas: Recomendações atualizadas para RSV e influenza
  4. Critérios ABE modificados: Mesmo 1 exacerbação moderada ou grave agora é suficiente para classificar no Grupo E (antes eram ≥2 moderadas ou ≥1 grave para hospital)
  5. Nova seção sobre Atividade de Doença incluída no relatório
  6. Algoritmos de tratamento clarificados — distinção entre tratamento INICIAL (naive) vs. SEGUIMENTO
  7. Nova Figura 3.11: Evidência para terapia biológica na DPOC (dupilumabe e mepolizumabe)
  8. Capítulo 4 (Exacerbações): Completamente revisado com novas figuras
  9. Capítulo 5 (Multimorbidade): Completamente revisado com novas figuras
  10. Novo Capítulo 6: Inteligência Artificial e Tecnologias Emergentes na DPOC
  11. Reestruturação geral com material movido para Apêndices 1-4

3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

3.1 Definição de DPOC

DPOC é uma condição pulmonar heterogênea caracterizada por sintomas respiratórios crônicos (dispneia, tosse, produção de escarro e/ou exacerbações) devido a anormalidades das vias aéreas (bronquite, bronquiolite) e/ou alvéolos (enfisema) que causam obstrução persistente, frequentemente progressiva, do fluxo aéreo.

3.2 Conceito GETomics

A DPOC resulta de interações Gene(G)-Ambiente(E) ao longo do Tempo de vida(T) do indivíduo = GETomics

3.3 Critério Diagnóstico Espirométrico

CritérioValor
Diagnóstico de DPOCFEV₁/FVC < 0,7 pós-broncodilatador no contexto clínico apropriado
Exclusão de DPOCEspirometria pré-BD pode ser usada para excluir diagnóstico
Zona cinzentaSe FEV₁/FVC entre 0,6 e 0,8, repetir espirometria em outra ocasião
Valor < 0,6Muito improvável subir espontaneamente acima de 0,7

GOLD recomenda razão fixa (< 0,7) sobre LLN por simplicidade e consistência com ensaios clínicos.

3.4 Classificação da Gravidade da Obstrução ao Fluxo Aéreo (GOLD 1-4)

Baseada no VEF₁ pós-broncodilatador (% do previsto GLI-Global)

Grau GOLDVEF₁ (% previsto)
GOLD 1 — Leve≥ 80%
GOLD 2 — Moderado50-79%
GOLD 3 — Grave30-49%
GOLD 4 — Muito grave< 30%

Equações de referência: GOLD recomenda GLI-Global (race-neutral) como padrão, apesar de suas limitações.

3.5 Termos Nosológicos Importantes

TermoDefinição
Pré-DPOCSintomas respiratórios e/ou anormalidades estruturais/funcionais detectáveis SEM obstrução ao fluxo aéreo na espirometria (FEV₁/FVC ≥ 0,7). Podem ou não evoluir para DPOC
PRISmPreserved Ratio Impaired Spirometry — FEV₁/FVC ≥ 0,7 pós-BD mas FEV₁ < 80% do previsto pós-BD. Prevalência 7,1-11%. ~20-30% transitam para espirometria obstrutiva
DPOC precoce ("Early")Usar apenas para discutir os primeiros passos biológicos da doença em contexto experimental
DPOC leve ("Mild")Usar apenas para descrever a gravidade da obstrução espirométrica, NÃO como sinônimo de doença precoce
DPOC jovem ("Young")Operacionalmente: pacientes com 20-50 anos com DPOC
Bronquite crônicaTosse crônica e produção de escarro por ≥ 3 meses/ano por 2 anos consecutivos, na ausência de outras condições explicativas

3.6 Classificação Combinada Inicial (ABE)

Avaliação para pacientes NAIVE de tratamento farmacológico:

GrupoCritérios
Grupo ABaixos sintomas (mMRC 0-1 ou CAT™ < 10) E 0 exacerbações no ano anterior
Grupo BAltos sintomas (mMRC ≥ 2 ou CAT™ ≥ 10) E 0 exacerbações no ano anterior
Grupo E≥ 1 exacerbação moderada OU ≥ 1 exacerbação grave (hospitalização) no ano anterior — INDEPENDENTE do nível de sintomas

MUDANÇA-CHAVE 2026: Grupo E agora inclui pacientes com apenas 1 exacerbação moderada no ano anterior (antes eram necessárias ≥2 moderadas).

3.7 Classificação de Gravidade das Exacerbações (Proposta de Roma)

GravidadeCritérios
LeveDispneia VAS < 5; FR < 24; FC < 95; SaO₂ ≥ 92% em ar ambiente (ou O₂ habitual) E variação ≤ 3%; PCR < 10 mg/L (se disponível)
ModeradaPelo menos 3 de 5 critérios: Dispneia VAS ≥ 5; FR ≥ 24; FC ≥ 95; SaO₂ < 92% e/ou variação > 3%; PCR ≥ 10 mg/L. Gasometria pode mostrar PaO₂ 70-80 mmHg
GraveMesmos critérios de moderada MAIS gasometria com PaO₂ ≤ 60 mmHg e/ou hipercapnia com acidose (PaCO₂ > 45 mmHg e pH < 7,35)

Classificação em pacientes hospitalizados:

CategoriaCritérios
Sem insuficiência respiratóriaFR ≤ 24; FC ≤ 95; sem uso de musculatura acessória; sem alteração mental; hipoxemia melhora com Venturi 24-35% FiO₂; sem aumento PaCO₂
Insuficiência respiratóriaFR > 24; FC > 95; uso de musculatura acessória; estado mental adequado; hipoxemia melhora com Venturi > 35% FiO₂; PaCO₂ 50-60 mmHg
Falência ventilatóriaFR > 24; FC > 95; uso de musculatura acessória; alterações agudas estado mental; hipoxemia não melhora com Venturi ou FiO₂ > 40%; PaCO₂ > 60 mmHg; pH ≤ 7,25

3.8 Definição de Exacerbação

Evento agudo com sintomas piorando ao longo de poucos dias (até 14 dias), caracterizado por aumento de dispneia e/ou tosse e escarro, que pode ser acompanhado por taquipneia e/ou taquicardia, frequentemente associado a inflamação local e sistêmica aumentada causada por infecção, poluição ou outro insulto às vias aéreas.

3.9 Atividade de Doença (NOVO)

Baixa atividade de doença = manifesta-se clinicamente por:

  • Nenhuma exacerbação
  • Nenhuma piora dos sintomas
  • Nenhuma perda acelerada de função pulmonar

Dois termos relacionados:

  • Estabilidade da doença: baixa atividade + sem exacerbações + sem piora de sintomas + sem perda acelerada de VEF₁
  • Controle da doença: baixa atividade + sintomas abaixo de um limiar de valor

3.10 Escala mMRC de Dispneia

GrauDescrição
0Dispneia apenas com exercício extenuante
1Dispneia ao caminhar rápido no plano ou subir pequena ladeira
2Caminha mais devagar que pessoas da mesma idade no plano por dispneia, ou precisa parar para respirar ao caminhar no próprio ritmo
3Para para respirar após caminhar ~100m ou após poucos minutos no plano
4Muito dispneico para sair de casa ou dispneia ao vestir-se/despir-se

3.11 CAAT™/CAT™

  • Questionário de 8 itens; escore 0-40
  • Limiar para sintomas significativos: ≥ 10 (equivalente a SGRQ ≥ 25)
  • CAAT™ e CAT™ são equivalentes e intercambiáveis

4. DIAGNÓSTICO

4.1 Quando Considerar DPOC

Considerar DPOC em qualquer paciente com:

  • Dispneia
  • Tosse crônica ou produção de escarro
  • História de infecções recorrentes do trato respiratório inferior
  • Exposição a fatores de risco (tabagismo, poluição doméstica/externa, ocupacional)

4.2 Espirometria — Papel Diagnóstico

  • Espirometria pré-BD: pode ser usada como teste inicial. Se pré-BD não mostra obstrução → não é necessário pós-BD (a menos que alta suspeita clínica)
  • Se pré-BD mostra obstrução: confirmar com pós-BD
  • Pós-BD necessário para diagnóstico: FEV₁/FVC < 0,7
  • NÃO se recomenda usar grau de reversibilidade para guiar decisões terapêuticas
  • NÃO é necessário interromper medicação inalatória para espirometria de seguimento
  • Repetir espirometria pelo menos anualmente

4.3 Espirometria em Jovens

Se DPOC é suspeitada em adultos jovens (< 50 anos) com razão fixa ≥ 0,7, comparar com LLN previsto ou z-scores pode ajudar.

4.4 Screening vs. Case-finding

AbordagemDescriçãoRecomendação GOLD
ScreeningTeste de indivíduos assintomáticos na população geralNÃO recomendado
Case-finding ativoBusca proativa por indivíduos com sintomas/fatores de risco → espirometriaRECOMENDADO
Case-finding oportunísticoEspirometria quando indivíduo apresenta-se por outros motivos (ex: rastreamento de câncer de pulmão)Recomendado em populações-alvo

Estudo UCAP: Primeiro estudo a demonstrar que case-finding ativo por telefone + intervenção abrangente reduz utilização de saúde e melhora qualidade de vida.

4.5 Avaliação Inicial — 5 Aspectos Fundamentais

  1. Gravidade da obstrução ao fluxo aéreo (GOLD 1-4)
  2. Natureza e magnitude dos sintomas atuais (CAAT™ ou mMRC)
  3. História prévia de exacerbações moderadas e graves
  4. Contagem de eosinófilos sanguíneos
  5. Presença e tipo de outras doenças (multimorbidade)

4.6 Eosinófilos Sanguíneos

LimiarSignificado Clínico
< 100 células/µLBaixa probabilidade de benefício com ICS; maior presença de proteobactérias e infecções bacterianas
≥ 100 células/µLResposta benéfica ao ICS pode ser observada
≥ 300 células/µLMaior probabilidade de benefício com ICS; considerar LABA+LAMA+ICS como terapia inicial no Grupo E

Relação contínua: não há limiar absoluto; efeito incremental com contagens maiores.

4.7 Deficiência de Alfa-1 Antitripsina

  • Todos os pacientes com diagnóstico de DPOC devem ser testados para AATD
  • Concentração < 20% do normal: altamente sugestivo de deficiência homozigota
  • Familiares devem ser testados

4.8 Investigações Adicionais

TesteIndicação
Volumes pulmonaresDispneia persistente, intolerância ao exercício, consideração de redução de volume
DLcoSintomas desproporcionais à obstrução; DLco < 60% prev → aumento de sintomas, ↓ capacidade de exercício, ↑ risco de morte
Oximetria/GasometriaSe SpO₂ ≤ 92%, medir gasometria arterial
TC de tóraxExacerbações persistentes, sintomas desproporcionais, VEF₁ 15-45% com hiperinsuflação, critérios para rastreamento de câncer de pulmão
Escore BODEPreditor composto de sobrevida (IMC, Obstrução, Dispneia, Exercício)

4.9 Risco Cardiovascular na DPOC

  • Prevalência de DCV aumentada em DPOC estável
  • Risco CV ↑↑ durante e após exacerbações — permanece elevado até 1 ano após
  • Investigar hipertensão arterial, DAC, IC, arritmias em todo paciente com DPOC
  • Considerar medição rotineira de troponina e BNP durante exacerbações
  • Não há evidência para uso preventivo rotineiro de aspirina durante/após exacerbação
  • Betabloqueadores NÃO devem ser negados se houver indicação cardiovascular

5. TRATAMENTO

5.1 Objetivos do Manejo

Dois grupos:

  1. Aliviar e reduzir impacto dos sintomas
  2. Reduzir risco de eventos adversos futuros (exacerbações, hospitalização, morte)

Meta de atividade de doença:

  • Nenhuma exacerbação
  • Nenhuma piora de sintomas
  • Nenhuma perda acelerada de função pulmonar

5.2 Cessação do Tabagismo

  • Maior capacidade de modificar história natural da DPOC
  • Taxas de cessação prolongada: 14-27% com intervenção adequada
  • Combinação de aconselhamento + farmacoterapia = mais efetiva
  • 5As: Ask, Advise, Assess, Assist, Arrange (Perguntar, Aconselhar, Avaliar, Ajudar, Agendar)

Indicadores de alta dependência nicotínica:

  • Fumar nos primeiros 30 min após acordar
  • Fumar à noite
  • ≥ 20 cigarros/dia
  • Escore Fagerström 7-10 ou Heaviness of Smoking Index 5-6

Farmacoterapia para cessação:

  • Reposição de nicotina (adesivo, goma, spray, inalador, pastilha)
  • Vareniclina (taxa de abstinência 58,3%)
  • Bupropiona (taxa 55,6%)
  • Adesivo de nicotina (taxa 38,2%)

E-cigarros/Vaping: NÃO recomendados para cessação na DPOC — sem evidência suficiente de eficácia e segurança.

5.3 Vacinação

VacinaRecomendação
InfluenzaAnual para todos com DPOC. CDC recomenda vacinas de alta dose ou adjuvantadas para idosos
PneumocócicaPCV20 ou PCV21 recomendadas. PCV13 ou PCV15 + PPSV23, ou dose única PCV20 ou PCV21
RSVRecomendada para adultos ≥ 75 anos (universal) ou ≥ 50 anos com fator de risco (doença cardíaca ou pulmonar crônica). Uma dose de vacina adjuvantada eficaz por 3 temporadas
COVID-19Seguir recomendações nacionais. Altamente eficazes em DPOC
TdapRecomendada para adultos com DPOC não vacinados na adolescência
Herpes-zósterVacinação de rotina recomendada

5.4 Tratamento Farmacológico — INICIAL

Grupo A

  • Broncodilatador (curta ou longa duração)
  • LABD preferível se disponível e acessível (exceto dispneia muito ocasional)

Grupo B

  • LABA + LAMA = escolha recomendada
  • Se LABA+LAMA não for considerado apropriado → LABA ou LAMA isolado (sem evidência de superioridade de uma classe sobre outra)
  • Investigar e tratar comorbidades

Grupo E

  • LABA + LAMA = escolha preferida para terapia inicial
  • LABA+ICS NÃO é encorajado na DPOC; se ICS indicado → LABA+LAMA+ICS superior
  • Considerar LABA+LAMA+ICS como terapia inicial se eosinófilos ≥ 300 células/µL
  • Se DPOC + asma concomitante → tratar como asma (ICS obrigatório)
  • Broncodilatadores de resgate para todos os pacientes

5.5 Tratamento Farmacológico — SEGUIMENTO

Princípio: Revisar → Avaliar → Ajustar

Via da Dispneia (coluna esquerda do algoritmo)

  1. Se em monoterapia com BD → escalar para LABA+LAMA
  2. Se LABA+LAMA não melhora sintomas:
    • Considerar trocar inalador/dispositivo ou molécula
    • Implementar/escalar tratamento não farmacológico (reabilitação pulmonar)
    • Considerar ensifentrina se disponível

Via das Exacerbações (coluna direita do algoritmo)

  1. Se exacerbação em monoterapia → escalar para LABA+LAMA
  2. Se exacerbação moderada/grave em LABA+LAMA:
    • Escalar para LABA+LAMA+ICS se eosinófilos ≥ 100 células/µL
    • Se eosinófilos < 100 e ainda com exacerbações:
      • Azitromicina (não fumantes atuais)
      • Roflumilaste (se VEF₁ < 50% + bronquite crônica + história de hospitalização)
  3. Se exacerbação em LABA+LAMA+ICS (ou eosinófilos < 100):
    • Eosinófilos ≥ 300: considerar dupilumabe (se bronquite crônica) ou mepolizumabe (com ou sem bronquite crônica)
    • Azitromicina (não fumantes)
    • Roflumilaste (VEF₁ < 50% + bronquite crônica + história de exacerbação grave)
  4. NÃO retirar ICS de LABA+LAMA+ICS exceto se:
    • Iniciado inapropriadamente
    • Sem resposta ao ICS
    • Efeitos colaterais significativos ou pneumonia grave/recorrente
    • Se eosinófilos ≥ 300: de-escalação mais provável de causar exacerbações

5.6 Pacientes em LABA+ICS

  • Se bem controlado → pode continuar LABA+ICS
  • Se mais exacerbações:
    • Eosinófilos ≥ 100 → escalar para LABA+LAMA+ICS
    • Eosinófilos < 100 → trocar para LABA+LAMA
  • Se sintomas importantes → trocar para LABA+LAMA ou LABA+LAMA+ICS

5.7 Limiares de Eosinófilos para Uso de ICS

EosinófilosConduta
< 100 cel/µLPouca/nenhuma resposta ao ICS; CONTRA o uso
100-300 cel/µLResposta possível; A FAVOR se exacerbações recorrentes
≥ 300 cel/µLMaior benefício; FORTEMENTE A FAVOR

Fatores A FAVOR do ICS:

  • Eosinófilos ≥ 300 cel/µL
  • ≥ 1 exacerbação moderada/grave apesar de LABA+LAMA
  • Asma concomitante

Fatores CONTRA o ICS:

  • Pneumonia recorrente
  • Eosinófilos < 100 cel/µL
  • Infecção por micobactérias

5.8 Terapia Biológica (NOVO 2026)

BiológicoAlvoIndicaçãoResultados
DupilumabeReceptor IL-4/IL-13DPOC GOLD 2-3 + bronquite crônica + ≥2 exacerbações mod ou ≥1 grave + LABA+LAMA+ICS + eosinófilos ≥ 300↓ exacerbações, ↑ função pulmonar, ↑ qualidade de vida em 52 semanas
MepolizumabeIL-5DPOC GOLD 2-4 + com/sem bronquite crônica + ≥2 exacerbações mod ou ≥1 grave + LABA+LAMA+ICS + eosinófilos ≥ 300↓ exacerbações mod/graves e hospitalizações por 52-104 semanas
BenralizumabeReceptor IL-5αTestado em DPOC + exacerbaçõesNÃO associado a redução de exacerbações

5.9 Ensifentrina (NOVO)

  • Inibidor duplo de PDE3 e PDE4 (primeiro da classe)
  • Via inalatória (nebulizador a jato)
  • Efeito broncodilatador + anti-inflamatório
  • Melhora função pulmonar e dispneia; efeitos inconsistentes em qualidade de vida
  • Disponível apenas nos EUA atualmente
  • Não foram testados efeitos sobre LABA+LAMA ou LABA+LAMA+ICS

5.10 Outros Tratamentos Farmacológicos

MedicamentoIndicação/Efeito
Azitromicina250 mg/dia ou 500 mg 3x/sem por 1 ano → ↓ exacerbações em pacientes propensos; apenas não fumantes; atenção resistência bacteriana e prolongamento QTc
RoflumilasteInibidor PDE4 oral, 1x/dia. Para VEF₁ < 50% + bronquite crônica + história de exacerbações. Efeitos colaterais: diarreia, náusea, ↓ apetite, ↓ peso (~2kg), cefaleia
TeofilinaNÃO recomendada para exacerbações (IV). Uso crônico com benefícios limitados. Razão terapêutica estreita; interações medicamentosas importantes
Mucolíticos (NAC, carbocisteína, erdosteína)Podem reduzir exacerbações e melhorar qualidade de vida modestamente em não-usuários de ICS
Terapia de reposição de AATPara AATD PiZZ, VEF₁ 35-60% (ou com evidência de progressão), ex-fumantes/nunca fumantes

5.11 Manejo de Exacerbações

Broncodilatadores

  • SABA ± SAMA = tratamento inicial recomendado
  • pMDI com espaçador ou nebulizador (sem diferença significativa em VEF₁)
  • Nebulização com ar > oxigênio (evitar aumento de PaCO₂)
  • Manter LABDs durante exacerbação ou iniciar o mais precoce possível

Glicocorticoides sistêmicos

  • Prednisona 40 mg/dia (ou equivalente) por 5 dias
  • Via oral = via intravenosa em eficácia
  • Budesonida nebulizada pode ser alternativa em alguns pacientes
  • Corticoides curtos associados a risco de pneumonia, sepse e morte
  • Eosinófilos baixos: considerar que glicocorticoides podem ser evitados em alguns pacientes (estudo STARR2)

Antibióticos

  • Indicação: ≥2 dos seguintes (se um deles for purulência): ↑ dispneia, febre, ↑ volume/purulência de escarro
  • Cultura prévia positiva em exacerbação anterior
  • Necessidade de ventilação mecânica
  • Duração: ≤ 5 dias (recomendação para ambulatorial)
  • Empiricamente: aminopenicilina + clavulanato, macrolídeo, tetraciclina, ou quinolona (em selecionados)
  • Se exacerbações frequentes, obstrução grave, VM → cultura de escarro (Pseudomonas)
  • Procalcitonina: NÃO recomendada rotineiramente para decidir uso de antibióticos

5.12 Oxigenoterapia de Longa Duração (LTOT)

Indicações:

CondiçãoCritérios
Indicação principalPaO₂ ≤ 55 mmHg ou SaO₂ ≤ 88%, com ou sem hipercapnia, confirmados 2x em 3 semanas
Indicação com comorbidadePaO₂ 55-60 mmHg ou SaO₂ 88%, SE houver hipertensão pulmonar, edema periférico sugerindo IC, ou policitemia (Ht > 55%)
Duração> 15 horas/dia (evidência para 24h/dia vs. 15h/dia não demonstrou benefício adicional)
Desaturação moderadaLTOT NÃO deve ser prescrita rotineiramente
Reavaliação60-90 dias após início, com gasometria em ar ambiente

5.13 Suporte Ventilatório Crônico

  • VNI domiciliar: pode ser útil em grupo selecionado com hipercapnia diurna pronunciada e hospitalização recente
  • Hipercapnia persistente (PaCO₂ > 53 mmHg) 2-4 semanas após alta → VNI + O₂ domiciliar prolonga tempo para readmissão/morte
  • CPAP: indicação clara em DPOC + apneia obstrutiva do sono → melhora sobrevida e reduz hospitalizações

5.14 VNI em Exacerbação Aguda

Indicações:

  • Taxa de sucesso 80-85%
  • Acidose respiratória aguda (↑ PaCO₂ + ↓ pH)
  • Dispneia grave com uso de musculatura acessória
  • Hipoxemia persistente apesar de O₂ suplementar

Resultados: melhora oxigenação, reduz FR, trabalho respiratório, pneumonia associada a ventilador, tempo de internação, mortalidade e taxas de intubação.

5.15 Tratamento Não-Farmacológico

Reabilitação Pulmonar

  • Programas de 6-8 semanas (sem benefícios adicionais estendendo a 12 semanas)
  • Exercício supervisionado ≥ 2x/semana
  • Inclui: treinamento de endurance, intervalo, resistência/força; membros superiores e inferiores; caminhada
  • Melhora: capacidade de exercício, sintomas, qualidade de vida em todos os graus GOLD
  • Indicação especial: Grupos B e E
  • Após hospitalização: iniciar < 4 semanas da alta → associada a menor mortalidade
  • Reabilitação precoce pós-alta (< 90 dias): redução significativa de mortalidade (estudo com 190.000 pacientes)

Suporte Nutricional

  • IMC < 21 kg/m² = risco aumentado de morte
  • Suplementação em desnutridos → melhora peso, força muscular respiratória, qualidade de vida
  • IMC ideal na DPOC: 21-30 kg/m²

5.16 Intervenções Cirúrgicas e Broncoscópicas

ProcedimentoIndicação PrincipalNotas
BulectomiaBula gigante (> 1/3 hemitórax) comprimindo tecido pulmonar viávelRara mas eficaz
CRVP (LVRS)Enfisema predominantemente lobo superior + baixa capacidade de exercício pós-reabilitaçãoSobrevida melhorada no NETT
Válvulas endobrônquicas (EBV)Enfisema grave com fissura intacta/ausência de ventilação colateral; VEF₁ 15-45% + hiperinsuflaçãoPneumotórax em 26,6%
Transplante pulmonarVEF₁ < 25%, BODE ≥ 7, ≥3 exacerbações graves/ano, PaCO₂ > 50 ou PaO₂ < 60Sobrevida mediana 5,9 anos

5.17 Tratamentos que Reduzem Mortalidade

Não-farmacológicos com evidência:

  • Cessação tabágica
  • Reabilitação pulmonar (pós-alta)
  • LTOT (em hipoxemia grave em repouso)
  • VNI (em hipercapnia crônica estável)
  • CRVP (enfisema de lobo superior + baixa capacidade de exercício)

Farmacológicos com evidência:

  • Terapia tripla inalatória (LABA+LAMA+ICS) vs. LABA+LAMA: reduz mortalidade por todas as causas em pacientes sintomáticos (CAT™ ≥ 10) com história de exacerbações frequentes (≥2 moderadas e/ou ≥1 hospitalização) — estudos IMPACT e ETHOS

6. POPULAÇÕES ESPECIAIS

6.1 Gestantes

  • Tabagismo na gestação: risco para o feto por alteração de crescimento/desenvolvimento pulmonar in utero e priming do sistema imune via mudanças epigenéticas

6.2 Idosos

  • Razão fixa < 0,7 pode sobrediagnosticar DPOC em idosos
  • Pior técnica inalatória com idade avançada (confundidores: comprometimento cognitivo, destreza manual reduzida)
  • Considerar fragilidade (5 componentes: fraqueza, lentidão, exaustão, baixa atividade física, perda de peso não intencional)
  • Fragilidade é preditor de desfechos em DPOC

6.3 DPOC Jovem (20-50 anos)

  • Pode incluir pacientes que nunca atingiram pico normal de função pulmonar
  • Frequentemente não diagnosticada
  • Pode estar associada a anormalidades estruturais e funcionais significativas

6.4 DPOC em Mulheres

  • Prevalência quase igual à de homens em países desenvolvidos
  • Podem ser mais suscetíveis aos efeitos nocivos do tabaco
  • Maior risco de obstrução ao fluxo aéreo, bronquite crônica e dispneia com mesma exposição ao fumo
  • Pior prognóstico com maior exposição tabágica (exacerbações e morte precoce)

6.5 DPOC em LMICs

  • Tabagismo contribui para 30-40% da carga (vs. >70% em HICs)
  • Fatores não-tabágicos: poluição doméstica por biomassa, poluição externa, exposição ocupacional
  • 90-95% dos casos não diagnosticados

  • Disponibilidade limitada de espirometria e medicamentos inalatórios

6.6 DPOC e HIV

  • Risco aumentado de DPOC comparado a controles HIV-negativos
  • Provavelmente por disrupções de metilação no epitélio das vias aéreas

6.7 DPOC e Tuberculose

  • TB é fator de risco para DPOC e diagnóstico diferencial
  • ICS (especialmente doses altas) podem aumentar risco de reativação de TB
  • Em áreas endêmicas: excluir TB ativa antes de iniciar ICS

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  • 01

    Definição de DPOC: condição heterogênea com obstrução persistente, frequentemente progressiva (NÃO é totalmente reversível)

  • 02

    Critério espirométrico: FEV₁/FVC < 0,7 pós-broncodilatador (razão fixa)

  • 03

    Novo limiar Grupo E: agora basta 1 exacerbação moderada no ano anterior

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