Gastroenterologia2025

V Consenso Brasileiro sobre Helicobacter pylori — Documento de Referência Completo 2025: o que mudou na diretriz

Cai na prova 2026
  • Avanço contínuo da resistência à claritromicina no Brasil, tornando imprescindível a atualização das recomendações terapêuticas.

  • Necessidade de alinhar as condutas brasileiras às recomendações internacionais mais recentes (Maastricht VI / Toronto / AGA 2024).

  • Disponibilidade de novas classes farmacológicas no mercado brasileiro: bloqueadores ácidos competitivos de canal de potássio (PCABs), especificamente o vonoprazana.

  • Reconhecimento de que o esquema tríplice clássico com claritromicina (IBP + amoxicilina + claritromicina) já não apresenta taxas de erradicação aceitáveis (≥ 90%) em muitas regiões sem otimização.

  • Priorização do esquema quádruplo com bismuto como primeira opção de 1ª linha (antes, a tríplice clássica era a 1ª linha padrão).

  • Incorporação formal dos PCABs (vonoprazana) como alternativa preferencial ao IBP em diversos esquemas.

  • Valorização da terapia dupla com altas doses de amoxicilina como opção quando bismuto não está disponível.

  • Três pilares estratégicos explícitos para superar resistência: bismuto, maior inibição ácida e maior dose de amoxicilina.

  • Recomendação de testes de sensibilidade em cenários específicos.

  • Inclusão da terapia concomitante como opção de 1ª linha.

  • Inclusão da rifabutina como opção de resgate.

O que mudou

12 mudanças que você precisa saber

  • Antes

    Tríplice clássica: IBP + amoxicilina + claritromicina 14 dias

    Agora

    Quádruplo com bismuto: IBP/PCAB + bismuto + metronidazol + tetraciclina 10–14 dias

  • Antes

    Apenas IBP

    Agora

    IBP ou PCAB (vonoprazana), com preferência pelo PCAB quando disponível

  • Antes

    Mencionado em esquemas de resgate

    Agora

    Central em todas as linhas — pilar para superar resistência; presente em 1ª, 2ª linha e resgate

  • Antes

    Não incluída formalmente

    Agora

    Incluída como opção em 1ª, 2ª linha e resgate (amoxicilina 3–4 g/dia + IBP alta dose ou vonoprazana 20 mg 2×/dia, 14 dias)

  • Antes

    Não mencionada como 1ª linha no Brasil

    Agora

    Incluída como opção de 1ª linha (IBP/PCAB + amoxicilina + claritromicina + metronidazol, 14 dias)

  • Antes

    Não incluída formalmente

    Agora

    Incluída como opção de resgate (rifabutina + amoxicilina + IBP/PCAB, 14 dias)

  • Antes

    Opção de 2ª linha (tríplice)

    Agora

    2ª linha com adição de bismuto (amoxicilina + levofloxacino + bismuto)

  • Antes

    Recomendado após 2 falhas

    Agora

    Idealmente antes de usar claritromicina/levofloxacino; obrigatório após ≥ 3 falhas

  • Antes

    14 dias

    Agora

    Mantém 14 dias, mas quádruplo com bismuto pode ser 10–14 dias

  • Antes

    Evidência insuficiente

    Agora

    Reconhece efeito adjuvante de cepas específicas (aumentam erradicação e reduzem efeitos colaterais), mas ainda sem definição de cepas/doses/timing

  • Antes

    Baseada em esquema tríplice + resgate

    Agora

    Três pilares estratégicos: bismuto + maior inibição ácida + maior dose de amoxicilina

  • Antes

    Quádruplo com bismuto

    Agora

    Quádruplo com bismuto ou terapia dupla tetraciclina + PCAB

Resumo técnico

A diretriz na íntegra

2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA

Por que esta diretriz foi publicada

  • Avanço contínuo da resistência à claritromicina no Brasil, tornando imprescindível a atualização das recomendações terapêuticas.
  • Necessidade de alinhar as condutas brasileiras às recomendações internacionais mais recentes (Maastricht VI / Toronto / AGA 2024).
  • Disponibilidade de novas classes farmacológicas no mercado brasileiro: bloqueadores ácidos competitivos de canal de potássio (PCABs), especificamente o vonoprazana.
  • Reconhecimento de que o esquema tríplice clássico com claritromicina (IBP + amoxicilina + claritromicina) já não apresenta taxas de erradicação aceitáveis (≥ 90%) em muitas regiões sem otimização.

O que mudou em relação à versão anterior (IV Consenso Brasileiro, 2018)

  • Priorização do esquema quádruplo com bismuto como primeira opção de 1ª linha (antes, a tríplice clássica era a 1ª linha padrão).
  • Incorporação formal dos PCABs (vonoprazana) como alternativa preferencial ao IBP em diversos esquemas.
  • Valorização da terapia dupla com altas doses de amoxicilina como opção quando bismuto não está disponível.
  • Três pilares estratégicos explícitos para superar resistência: bismuto, maior inibição ácida e maior dose de amoxicilina.
  • Recomendação de testes de sensibilidade em cenários específicos.
  • Inclusão da terapia concomitante como opção de 1ª linha.
  • Inclusão da rifabutina como opção de resgate.

3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

3.1 Classes de supressores ácidos mencionadas

ClasseSiglaExemploMecanismo
Inibidor de Bomba de PrótonsIBPOmeprazol, esomeprazol, pantoprazol, lansoprazol, rabeprazol, dexlansoprazolInibição irreversível da H⁺/K⁺-ATPase
Bloqueador Ácido Competitivo de Canal de PotássioPCABVonoprazana (Vonoprazan)Inibição competitiva e reversível do canal de potássio da bomba de prótons; ação mais rápida, mais potente e independente de CYP2C19

3.2 Pilares para superar resistência antibiótica (NOVO)

PilarDescriçãoRacional
1. Adição de bismutoSubcitrato/subsalicilato de bismuto ao esquemaAuxilia a superar resistência à claritromicina, levofloxacino e metronidazol
2. Maior inibição ácidaUso de PCAB (vonoprazana) ou aumento da dose e frequência do IBPpH gástrico mais elevado e sustentado aumenta a eficácia dos antibióticos
3. Maior dose de amoxicilinaAmoxicilina 3–4 g/dia fracionada em 3–4 tomadasAmoxicilina tem baixíssima taxa de resistência; altas doses mantêm concentração bactericida por mais tempo (tempo-dependente)

3.3 Definição operacional de linhas de tratamento

LinhaDefinição
1ª linhaPrimeiro esquema empregado (sem falha prévia)
2ª linhaApós falha do primeiro esquema
Resgate (3ª linha em diante)Após falha de dois ou mais esquemas

Regra de ouro (repetida duas vezes no documento): NÃO repetir o esquema previamente utilizado.


4. DIAGNÓSTICO

O texto disponível do V Consenso não detalha métodos diagnósticos. As informações abaixo referem-se às recomendações sobre testes de sensibilidade antibiótica, único aspecto diagnóstico abordado neste documento.

4.1 Testes de Sensibilidade Antibiótica — Indicações

CenárioRecomendação
Uso de terapia tríplice IBP + Amoxicilina + ClaritromicinaIdealmente empregar após teste de sensibilidade, quando disponível
Uso de terapia tríplice IBP + Amoxicilina + LevofloxacinoIdealmente empregar após teste de sensibilidade, quando disponível
Após ≥ 3 falhas terapêuticasTestes de sensibilidade deveriam ser empregados, quando disponíveis

Nota para provas: O consenso não proíbe o uso empírico desses esquemas, mas recomenda "idealmente" guiar por sensibilidade. Na prática brasileira, o acesso a testes de sensibilidade ainda é limitado.


5. TRATAMENTO

5.1 PRIMEIRA LINHA — Visão geral hierarquizada

PrioridadeEsquemaDuraçãoObservações
1 (preferencial)Quádruplo com bismuto: IBP ou PCAB + bismuto + metronidazol + tetraciclina10–14 diasEsquema mais robusto; supera resistência a claritromicina, levofloxacino e metronidazol
2Tríplice otimizada: Claritromicina + amoxicilina + bismuto e/ou PCAB, 2×/dia14 diasOtimização = associar bismuto e/ou trocar IBP por PCAB
3 (se bismuto indisponível)Terapia dupla com altas doses: Amoxicilina 3–4 g/dia (3–4 tomadas) + IBP dose alta 3–4×/dia ou preferencialmente vonoprazana 20 mg 2×/dia14 diasPreferência pelo PCAB quando disponível
4 (opção)Terapia concomitante: IBP ou PCAB + amoxicilina + claritromicina + metronidazol14 diasTodos os quatro fármacos administrados simultaneamente durante todo o período

5.2 SEGUNDA LINHA

Regra de ouro: NÃO repetir o esquema usado em 1ª linha.

PrioridadeEsquemaDuraçãoObservações
1Quádruplo com bismuto: IBP ou PCAB + bismuto + metronidazol + tetraciclina10–14 diasSe não usado em 1ª linha
2Tríplice com levofloxacino + bismuto: Amoxicilina + levofloxacino + bismuto + IBP ou PCAB14 diasIdealmente guiado por teste de sensibilidade
3 (se bismuto indisponível)Terapia dupla com altas doses: Amoxicilina 3–4 g/dia (3–4 tomadas) + IBP dose alta 3–4×/dia ou vonoprazana 20 mg 2×/dia14 diasMesma formulação da 1ª linha, aplicável se não utilizada previamente

5.3 TERAPIA DE RESGATE (3ª linha em diante)

Regra de ouro: NÃO repetir esquemas previamente utilizados.

PrioridadeEsquemaDuraçãoObservações
1Quádruplo com bismuto: IBP ou PCAB + bismuto + metronidazol + tetraciclina10–14 diasSe ainda não utilizado
2Tríplice com rifabutina: Rifabutina + amoxicilina + IBP ou PCAB14 diasEspecialmente quando quádruplo com bismuto indisponível ou já utilizado
3 (se sem bismuto e sem rifabutina)Terapia dupla com altas doses: Amoxicilina 3–4 g/dia (3–4 tomadas) + IBP dose alta 3–4×/dia ou vonoprazana 20 mg 2×/dia14 diasÚltimo recurso farmacológico disponível

5.4 ALERGIA A PENICILINA

Impossibilidade de uso de amoxicilina — impacta a maioria dos esquemas.

1ª linha em alérgicos a penicilina

PrioridadeEsquemaDuração
1Quádruplo com bismuto: IBP ou PCAB + bismuto + metronidazol + tetraciclina10–14 dias
2Terapia dupla: Tetraciclina + PCAB (quando disponível)14 dias

2ª linha em alérgicos a penicilina

  • Qualquer opção da 1ª linha não empregada anteriormente.
  • Terapia tríplice com quinolona + claritromicina por 14 dias (IBP ou PCAB + quinolona + claritromicina).

5.5 DOSES E POSOLOGIAS ESPECÍFICAS MENCIONADAS

FármacoDose / Posologia
Vonoprazana (PCAB)20 mg 2×/dia
Amoxicilina (dose alta — terapia dupla)3–4 g/dia, dividida em 3 ou 4 tomadas
IBP (dose alta — terapia dupla)Dose alta, 3–4 vezes ao dia (dose específica do IBP não mencionada; habitualmente omeprazol 40 mg, esomeprazol 40 mg ou rabeprazol 20 mg em cada tomada, conforme prática clínica)

Nota: O documento não especifica doses exatas de bismuto, metronidazol, tetraciclina, claritromicina, levofloxacino ou rifabutina. As doses habitualmente empregadas na literatura e nos consensos anteriores são:

FármacoDose habitual (referência complementar)
Subcitrato de bismuto coloidal120 mg 4×/dia ou 240 mg 2×/dia
Metronidazol400–500 mg 3–4×/dia
Tetraciclina500 mg 4×/dia
Claritromicina500 mg 2×/dia
Levofloxacino500 mg 1×/dia
Rifabutina150 mg 2×/dia

5.6 ALGORITMO TERAPÊUTICO PASSO A PASSO

DIAGNÓSTICO DE H. pylori CONFIRMADO
              │
              ▼
     Alergia a penicilina?
        ┌─────┴─────┐
       SIM          NÃO
        │            │
        ▼            ▼
  [Ver esquema     1ª LINHA
   alérgicos]      │
                   ├──► Opção 1 (preferencial): Quádruplo com bismuto
                   │    (IBP/PCAB + bismuto + metronidazol + tetraciclina) 10-14d
                   │
                   ├──► Opção 2: Tríplice otimizada
                   │    (claritromicina + amoxicilina + bismuto e/ou PCAB) 14d
                   │
                   ├──► Opção 3 (sem bismuto): Terapia dupla
                   │    (amoxicilina 3-4g/d + IBP alta dose ou vonoprazan 20mg 2×/d) 14d
                   │
                   └──► Opção 4: Concomitante
                        (IBP/PCAB + amoxicilina + claritromicina + metronidazol) 14d
                            │
                     FALHA TERAPÊUTICA
                            │
                            ▼
                    2ª LINHA (NÃO repetir 1ª linha)
                   ├──► Quádruplo com bismuto (se não usado)
                   ├──► Amoxicilina + levofloxacino + bismuto + IBP/PCAB 14d
                   └──► Terapia dupla alta dose (se não usada)
                            │
                     FALHA TERAPÊUTICA
                            │
                            ▼
               CONSIDERAR TESTE DE SENSIBILIDADE
                            │
                            ▼
                    RESGATE (≥3ª linha)
                   ├──► Quádruplo com bismuto (se não usado)
                   ├──► Rifabutina + amoxicilina + IBP/PCAB 14d
                   └──► Terapia dupla alta dose (se não usada)

6. POPULAÇÕES ESPECIAIS

6.1 Pacientes alérgicos a penicilina

  • Esquemas detalhados na seção 5.4.
  • Principal limitação: não podem usar amoxicilina, que é a base da maioria dos esquemas.
  • O esquema quádruplo com bismuto (metronidazol + tetraciclina) é a opção mais robusta por não conter amoxicilina.
  • Terapia dupla com tetraciclina + PCAB é opção exclusiva para alérgicos, não mencionada para população geral.

6.2 Outras populações especiais

O texto disponível do V Consenso não aborda especificamente gestantes, crianças, idosos, imunossuprimidos, pacientes renais ou hepatopatas. Essas informações podem constar na publicação completa prevista para 2026.


TABELA-RESUMO FINAL — Todos os esquemas do V Consenso

LinhaEsquemaComponentesDuraçãoDisponibilidade no Brasil
1ª (preferencial)Quádruplo bismutoIBP/PCAB + Bi + Metro + Tetra10–14dBi = manipulação
1ª (opção 2)Tríplice otimizadaClari + Amoxi + Bi e/ou PCAB14dBi = manipulação; PCAB = custo alto
1ª (opção 3, sem Bi)Dupla alta doseAmoxi 3–4g/d + IBP alta dose ou Vono 20mg 2×/d14dDisponível
1ª (opção 4)ConcomitanteIBP/PCAB + Amoxi + Clari + Metro14dDisponível
Quádruplo bismutoIBP/PCAB + Bi + Metro + Tetra10–14dBi = manipulação
Levo + BiAmoxi + Levo + Bi + IBP/PCAB14dBi = manipulação
2ª (sem Bi)Dupla alta doseAmoxi 3–4g/d + IBP alta dose ou Vono 20mg 2×/d14dDisponível
ResgateQuádruplo bismutoIBP/PCAB + Bi + Metro + Tetra10–14dBi = manipulação
ResgateRifabutinaRifabutina + Amoxi + IBP/PCAB14dLimitada
Resgate (sem Bi/Rifa)Dupla alta doseAmoxi 3–4g/d + IBP alta dose ou Vono 20mg 2×/d14dDisponível
Alergia pen — 1ªQuádruplo bismutoIBP/PCAB + Bi + Metro + Tetra10–14dBi = manipulação
Alergia pen — 1ªDupla tetra + PCABTetraciclina + PCAB14dPCAB = custo alto
Alergia pen — 2ªTríplice quinolona + clariQuinolona + Clari + IBP/PCAB14dDisponível

Legenda: Bi = bismuto; Metro = metronidazol; Tetra = tetraciclina; Clari = claritromicina; Amoxi = amoxicilina; Levo = levofloxacino; Vono = vonoprazana; Rifa = rifabutina.


Documento gerado para fins de referência educacional em provas de residência médica. Baseado na apresentação preliminar do V Consenso Brasileiro sobre H. pylori (SBAD, novembro/2025). A publicação completa e final está prevista para o 1º semestre de 2026 e poderá conter informações adicionais ou ajustes.

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  • 01

    Qual o esquema de 1ª linha preferencial no V Consenso?

  • 02

    Resposta: Quádruplo com bismuto (IBP/PCAB + bismuto + metronidazol + tetraciclina) por 10–14 dias.

  • 03

    ⚠️ Atenção: Provas mais antigas terão como gabarito "tríplice: IBP + amoxicilina + claritromicina 14 dias" — esta resposta está desatualizada pelo V Consenso.

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