Gastroenterologia2023

Multissocietário Delphi sobre Nova Nomenclatura da Doença Hepática Gordurosa 2023: o que mudou na diretriz

Cai na prova 2026
  1. Limitações da nomenclatura anterior (NAFLD/NASH):

    • O termo "nonalcoholic" (não alcoólica) é uma definição por exclusão — não descreve afirmativamente a etiologia da doença
    • O termo "fatty" (gordurosa) é considerado estigmatizante por 66% dos respondentes
    • O termo "nonalcoholic" é considerado estigmatizante por 61% dos respondentes
    • 74% dos respondentes consideraram que os termos NAFLD/NASH eram suficientemente falhos para justificar uma mudança de nome
  2. Problemas específicos:

    • Pacientes com fatores de risco para NAFLD (como DM2) que consomem álcool acima dos limiares estritos de NAFLD não eram adequadamente reconhecidos
    • Existem processos biológicos sobrepostos entre NAFLD e doença hepática associada ao álcool (ALD) que não eram contemplados
    • A proposta anterior de MAFLD (2020, Eslam et al.) gerou preocupações sobre mistura de etiologias, manutenção do termo "fatty", restrição a 2 fatores de risco metabólicos e permissão de uso mais liberal de álcool
  3. Objetivos do processo:

    • Desenvolver nomenclatura não estigmatizante
    • Criar critérios diagnósticos afirmativos (não por exclusão)
    • Preservar dados existentes de história natural, biomarcadores e ensaios clínicos
    • Aumentar a conscientização sobre a doença
    • Facilitar a identificação de pacientes em risco

A mudança é paradigmática: abandono completo dos termos NAFLD/NASH em favor de uma nova nomenclatura baseada em critérios afirmativos e metabolicamente orientados.

O que mudou

14 mudanças que você precisa saber

  • Antes

    NAFLD (Nonalcoholic Fatty Liver Disease)

    Agora

    MASLD (Metabolic Dysfunction–Associated Steatotic Liver Disease)

  • Antes

    NASH (Nonalcoholic Steatohepatitis)

    Agora

    MASH (Metabolic Dysfunction–Associated Steatohepatitis)

  • Antes

    Sem termo guarda-chuva unificado

    Agora

    SLD (Steatotic Liver Disease) como termo abrangente

  • Antes

    Diagnóstico por exclusão (ausência de consumo alcoólico significativo + ausência de outras causas)

    Agora

    Diagnóstico afirmativo (presença de ≥1 fator de risco cardiometabólico)

  • Antes

    Sem critérios metabólicos específicos na definição de NAFLD

    Agora

    5 critérios cardiometabólicos explícitos (IMC/CA, glicemia, PA, TG, HDL-C)

  • Antes

    Pacientes com NAFLD + consumo moderado de álcool (20–50/30–60 g/dia): categoria inexistente ou excluída

    Agora

    Nova categoria MetALD formalmente reconhecida

  • Antes

    Termo "fatty" (gorduroso) presente no nome

    Agora

    Termo "steatotic" substitui "fatty" para reduzir estigma

  • Antes

    Termo "nonalcoholic" presente no nome

    Agora

    Eliminado; substituído por "metabolic dysfunction–associated

  • Antes

    Lean NASH" como entidade separada e problemática

    Agora

    Reclassificado como MASLD regular (se CMRFs presentes) ou SLD criptogênica

  • Antes

    Sem critérios pediátricos específicos na definição

    Agora

    Critérios pediátricos específicos com limiares adaptados por faixa etária

  • Antes

    MAFLD (proposta de 2020): exigia 2 fatores de risco metabólicos e permitia maior uso de álcool

    Agora

    MASLD: exige apenas 1 CMRF e mantém os mesmos limites de álcool do antigo NAFLD

  • Antes

    Coexistência de etiologias não bem definida

    Agora

    Permite formalmente diagnóstico de combinação (ex.: MASLD + hepatite autoimune)

  • Antes

    Sem categoria formal para esteatose sem CMRFs e sem causa conhecida

    Agora

    SLD criptogênica formalmente definida

  • Antes

    Variantes genéticas como PNPLA3 não formalmente classificadas

    Agora

    Consideradas modificadores de doença (não entidade nosológica distinta)

Resumo técnico

A diretriz na íntegra

2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA

Por que esta diretriz foi publicada

  1. Limitações da nomenclatura anterior (NAFLD/NASH):

    • O termo "nonalcoholic" (não alcoólica) é uma definição por exclusão — não descreve afirmativamente a etiologia da doença
    • O termo "fatty" (gordurosa) é considerado estigmatizante por 66% dos respondentes
    • O termo "nonalcoholic" é considerado estigmatizante por 61% dos respondentes
    • 74% dos respondentes consideraram que os termos NAFLD/NASH eram suficientemente falhos para justificar uma mudança de nome
  2. Problemas específicos:

    • Pacientes com fatores de risco para NAFLD (como DM2) que consomem álcool acima dos limiares estritos de NAFLD não eram adequadamente reconhecidos
    • Existem processos biológicos sobrepostos entre NAFLD e doença hepática associada ao álcool (ALD) que não eram contemplados
    • A proposta anterior de MAFLD (2020, Eslam et al.) gerou preocupações sobre mistura de etiologias, manutenção do termo "fatty", restrição a 2 fatores de risco metabólicos e permissão de uso mais liberal de álcool
  3. Objetivos do processo:

    • Desenvolver nomenclatura não estigmatizante
    • Criar critérios diagnósticos afirmativos (não por exclusão)
    • Preservar dados existentes de história natural, biomarcadores e ensaios clínicos
    • Aumentar a conscientização sobre a doença
    • Facilitar a identificação de pacientes em risco

O que mudou em relação à versão anterior

A mudança é paradigmática: abandono completo dos termos NAFLD/NASH em favor de uma nova nomenclatura baseada em critérios afirmativos e metabolicamente orientados.


3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

3.1 Termo guarda-chuva: Doença Hepática Esteatótica (Steatotic Liver Disease – SLD)

SLD é o termo abrangente escolhido para englobar todas as etiologias de esteatose hepática. Diagnóstico baseado em esteatose hepática identificada por imagem ou biópsia.

3.2 Subcategorias da SLD

SubcategoriaAcrônimoDefinição
Doença hepática esteatótica associada a disfunção metabólicaMASLDEsteatose hepática + ≥1 fator de risco cardiometabólico (CMRF) + ausência de outras causas discerníveis
Esteatohepatite associada a disfunção metabólicaMASHMASLD com esteatohepatite histológica
Doença hepática metabólica e associada ao álcoolMetALDMASLD + consumo de álcool acima do permitido para MASLD (140–350 g/sem mulheres; 210–420 g/sem homens)
Doença hepática associada/relacionada ao álcoolALDConsumo de álcool >350 g/sem (mulheres) ou >420 g/sem (homens)
SLD criptogênicaCryptogenic SLDEsteatose sem CMRFs e sem outra causa identificável
SLD de etiologia específicaDILI, doenças monogênicas (ex.: deficiência de lipase ácida lisossômica, Wilson, hipobetalipoproteinemia), HCV, desnutrição, doença celíaca, HIV, erros inatos do metabolismo

3.3 Correspondência de nomenclatura antiga → nova

Antes (Antiga nomenclatura)Agora (Nova nomenclatura)
NAFLD (Nonalcoholic Fatty Liver Disease)MASLD (Metabolic Dysfunction–Associated Steatotic Liver Disease)
NASH (Nonalcoholic Steatohepatitis)MASH (Metabolic Dysfunction–Associated Steatohepatitis)
NAFL (esteatose simples sem NASH)MASLD sem MASH
NAFLD + ingestão de álcool 20–50 g/dia (mulheres) ou 30–60 g/dia (homens)MetALD
"Manifestação hepática da síndrome metabólica"Agora formalizado como MASLD
NASH cirrhosisMASH com fibrose avançada/cirrose
Lean NASHReclassificado como MASLD regular (se CMRFs presentes) ou Cryptogenic SLD
Sem equivalente anteriorSLD (termo guarda-chuva)

3.4 Conceito de MetALD – Continuum

Dentro do MetALD existe um continuum:

  • Em uma extremidade: MASLD predominante (disfunção metabólica como principal driver)
  • Na outra extremidade: ALD predominante (álcool como principal driver)
  • Isso pode variar ao longo do tempo dentro de um mesmo indivíduo
  • Não existem ferramentas objetivas suficientemente validadas para determinar a contribuição relativa de MASLD vs. ALD em pacientes com MetALD; depende-se do autorrelato de consumo de álcool

3.5 Limites de consumo de álcool

CategoriaMulheresHomens
MASLD (permitido)<140 g/semana (<20 g/dia)<210 g/semana (<30 g/dia)
MetALD140–350 g/semana (20–50 g/dia)210–420 g/semana (30–60 g/dia)
ALD>350 g/semana (>50 g/dia)>420 g/semana (>60 g/dia)

Nota importante: Os limites para MASLD são os mesmos previamente usados para NAFLD (≤20 g/dia mulheres, ≤30 g/dia homens). Binge drinking dentro do limite semanal "permitido" para MASLD pode ser deletério.


4. DIAGNÓSTICO

4.1 Critérios diagnósticos de MASLD

Requisitos:

  1. Presença de esteatose hepática (por imagem ou biópsia)
  2. Presença de pelo menos 1 de 5 critérios cardiometabólicos (ver tabela abaixo)
  3. Ausência de outras causas discerníveis de esteatose

4.1.1 Critérios cardiometabólicos para ADULTOS (pelo menos 1 de 5)

CritérioValor de Corte
Sobrepeso/ObesidadeIMC ≥25 kg/m² (≥23 na Ásia) OU Circunferência abdominal >94 cm (homens), >80 cm (mulheres) OU equivalente ajustado por etnia
DisglicemiaGlicemia de jejum ≥5,6 mmol/L (≥100 mg/dL) OU Glicemia 2h pós-carga ≥7,8 mmol/L (≥140 mg/dL) OU HbA1c ≥5,7% (≥39 mmol/mol) OU Diabetes tipo 2 OU Tratamento para DM2
Hipertensão arterialPA ≥130/85 mmHg OU Tratamento anti-hipertensivo específico
HipertrigliceridemiaTriglicerídeos plasmáticos ≥1,70 mmol/L (≥150 mg/dL) OU Tratamento hipolipemiante
HDL-colesterol baixoHDL-C ≤1,0 mmol/L (≤40 mg/dL) em homens E ≤1,3 mmol/L (≤50 mg/dL) em mulheres OU Tratamento hipolipemiante

4.1.2 Critérios cardiometabólicos para CRIANÇAS E ADOLESCENTES (pelo menos 1 de 5)

CritérioValor de Corte
Sobrepeso/ObesidadeIMC ≥percentil 85 para idade/sexo (z-score IMC ≥+1) OU Circunferência abdominal >percentil 95 OU equivalente ajustado por etnia
DisglicemiaGlicemia de jejum ≥5,6 mmol/L (≥100 mg/dL) OU Glicemia ao acaso ≥11,1 mmol/L (≥200 mg/dL) OU Glicemia 2h pós-carga ≥7,8 mmol/L (≥140 mg/dL) OU HbA1c ≥5,7% (≥39 mmol/mol) OU DM2 já diagnosticado/tratado
Hipertensão arterialIdade <13 anos: PA ≥percentil 95 OU ≥130/80 mmHg (o que for menor); Idade ≥13 anos: ≥130/85 mmHg OU Tratamento anti-hipertensivo específico
HipertrigliceridemiaIdade <10 anos: ≥1,15 mmol/L (≥100 mg/dL); Idade ≥10 anos: ≥1,70 mmol/L (≥150 mg/dL) OU Tratamento hipolipemiante
HDL-colesterol baixoHDL-C ≤1,0 mmol/L (≤40 mg/dL) OU Tratamento hipolipemiante

4.2 Algoritmo diagnóstico de MASLD (passo a passo)

  1. Identificar esteatose hepática (por imagem ou biópsia) → Diagnóstico de SLD
  2. O paciente atende a algum dos critérios cardiometabólicos?
    • SIM → Ir para passo 3
    • NÃO → Ir para passo 4
  3. Há outras causas de esteatose?
    • NÃO → Diagnóstico: MASLD
    • SIM → Diagnóstico: Etiologia combinada (ex.: MetALD ou ALD dependendo do consumo de álcool, ou outra combinação etiológica)
  4. Paciente sem CMRFs: há outras causas de esteatose?
    • SIMSLD de etiologia específica (ex.: DILI, doença monogênica, ALD)
    • NÃOSLD criptogênica

4.3 Situações especiais no diagnóstico

  • MASLD possível: Se ausência de CMRFs visíveis, mas o clínico suspeita fortemente de disfunção metabólica → pode-se considerar "possível MASLD" e realizar testes adicionais (HOMA-IR, teste oral de tolerância à glicose). Deixado a critério da equipe clínica.
  • SLD criptogênica que evolui: Casos criptogênicos que subsequentemente manifestam CMRFs podem ser reclassificados como MASLD.
  • Fibrose avançada/cirrose: Na presença de fibrose avançada ou cirrose, a esteatose pode estar ausente. O diagnóstico de MASLD/MASH com fibrose avançada ou cirrose baseia-se em julgamento clínico considerando CMRFs e ausência de outras etiologias, usando os critérios já estabelecidos para "NASH cirrhosis".
  • Coexistência de etiologias: A nomenclatura permite coexistência, ex.: MASLD + hepatite autoimune, MASLD + hepatite viral.
  • Estagiamento de doença: O processo não alterou o estagiamento de doença; pode-se descrever, ex.: "MASH com fibrose estágio 3" (F3).

4.4 O papel da esteatohepatite (MASH)

  • 95% dos respondentes concordaram que a presença de esteatohepatite tem implicações prognósticas e deve permanecer como uma distinção importante
  • 93% concordaram que a "resolução da esteatohepatite" deve continuar sendo endpoint para ensaios clínicos e prática clínica (conforme aprovado por EMA e FDA)
  • A definição clínica e histológica de esteatohepatite NÃO foi alterada por este processo

4.5 Critérios NÃO incluídos na definição

  • HOMA-IR e insulina de jejum: Não incluídos como critério diagnóstico primário devido à complexidade, custo e variabilidade interlaboratorial. Porém, podem ser usados como testes secundários em pacientes com esteatose sem CMRFs evidentes.
  • Diagnóstico de síndrome metabólica per se: Os critérios de MASLD não visam diagnosticar "síndrome metabólica" ou prever eventos cardiovasculares. Visam identificar pacientes com provável resistência insulínica como causa principal da esteatose.
  • Variantes genéticas comuns (PNPLA3, TM6SF2, HSD17B13): Não constituem entidade nosológica distinta — são modificadores de doença para MASLD e ALD, diferentemente de variantes raras causativas de doenças monogênicas.

5. TRATAMENTO

Nota: Esta diretriz foca em nomenclatura e definição, NÃO em recomendações terapêuticas específicas. Contudo, as seguintes implicações terapêuticas são relevantes:

5.1 Implicações da nova nomenclatura para tratamento

  • A nomenclatura baseada em critérios metabólicos afirmativos facilita a comunicação com o paciente sobre a doença no contexto das anormalidades cardiometabólicas e resistência insulínica
  • Permite uma explicação coerente das principais ações terapêuticas tanto da perspectiva hepática quanto holística
  • Preservação do conceito de esteatohepatite como endpoint terapêutico: "resolução de MASH" permanece como endpoint aprovável por FDA e EMA
  • A designação MASH com estágio de fibrose (ex.: MASH F2, MASH F3) permanece clinicamente relevante para decisões terapêuticas

5.2 Impacto na interpretação de ensaios clínicos

  • 98% dos pacientes em coorte europeia de registro NAFLD (LITMUS) preencheram os novos critérios para MASLD → alta concordância com a definição anterior
  • Pacientes previamente com NAFLD são agora completamente cobertos por MASLD + possível MASLD
  • A manutenção da definição clínica de esteatohepatite garante a validade e generalização de dados prévios de ensaios clínicos e biomarcadores de NASH para MASH

6. POPULAÇÕES ESPECIAIS

6.1 Crianças e adolescentes (Pediatria)

  • Critérios cardiometabólicos pediátricos específicos foram definidos (ver tabela na seção 4.1.2)
  • Diferenças nos limiares:
    • IMC: percentil 85 para idade/sexo (z-score ≥+1)
    • Triglicerídeos: limiares diferentes para <10 e ≥10 anos
    • PA: limiares diferentes para <13 e ≥13 anos
    • HDL-C: limiar único sem distinção por sexo (≤40 mg/dL)
    • Glicemia: inclui glicemia ao acaso ≥200 mg/dL (não presente nos critérios adultos)
  • 60% dos painelistas pediátricos consideraram o termo "nonalcoholic" estigmatizante para pais/pacientes pediátricos
  • 55% consideraram o termo "fatty" estigmatizante em crianças
  • 95% concordaram que a definição de NASH é menos útil em crianças devido à menor frequência de balonização de hepatócitos → necessidade de reavaliação das definições de esteatohepatite no contexto pediátrico
  • 90% dos painelistas pediátricos estimaram que o termo "metabolic" pode ser confuso no contexto pediátrico, já que erros inatos do metabolismo são referidos como "doença hepática metabólica"
  • Em crianças, é imperativo excluir outras causas de esteatose hepática antes de aplicar os critérios diagnósticos de MASLD (doenças genéticas raras do metabolismo podem causar esteatose)

6.2 Pacientes magros ("Lean NASH")

  • A mudança de uma definição por exclusão (NAFLD) para uma definição baseada em CMRFs permite a reclassificação racional da maioria dos casos de "lean NASH" na categoria regular de MASLD, desde que os critérios metabólicos estejam presentes
  • Pacientes magros sem CMRFs e sem causa identificável → classificados como SLD criptogênica

6.3 Pacientes com consumo de álcool acima dos limiares de MASLD

  • Nova categoria MetALD para consumo de 140–350 g/semana (mulheres) / 210–420 g/semana (homens)
  • Reconhecimento de que mesmo em consumidores excessivos de álcool, obesidade aumenta a prevalência de cirrose e disglicemia aumenta a gravidade da fibrose

6.4 Diferenças étnicas/regionais

  • Os critérios de IMC foram ajustados para populações asiáticas: ≥23 kg/m² (vs. ≥25 kg/m² para outras populações)
  • Circunferência abdominal com equivalentes ajustados por etnia
  • Os critérios devem ser suficientemente amplos para identificar indivíduos com obesidade e CMRFs no contexto de diferenças regionais/étnicas

APÊNDICE: RESUMO VISUAL DA CLASSIFICAÇÃO

DOENÇA HEPÁTICA ESTEATÓTICA (SLD)
├── MASLD (≥1 CMRF, álcool <20g/dia F, <30g/dia M)
│   └── MASH (com esteatohepatite histológica)
│       └── MASH + Fibrose (F0-F4)
├── MetALD (MASLD + álcool 20-50g/dia F, 30-60g/dia M)
│   ├── MASLD predominante ←→ ALD predominante (continuum)
├── ALD (álcool >50g/dia F, >60g/dia M)
├── SLD de etiologia específica
│   ├── DILI
│   ├── Doenças monogênicas (LALD, Wilson, hipobetalipoproteinemia, EIM)
│   └── Outras (HCV, desnutrição, doença celíaca, HIV)
└── SLD criptogênica (sem CMRF, sem causa identificável)
    └── Possível MASLD (considerar HOMA-IR, TOTG)

Nota final: Este documento reflete exclusivamente as recomendações do consenso multissocietário AASLD/EASL/ALEH de 2023 sobre nomenclatura. Não substitui diretrizes de manejo clínico (rastreamento, tratamento farmacológico, indicações de biópsia), que são objetos de documentos separados.

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  • 01

    Nova nomenclatura: NAFLD → MASLD, NASH → MASH, termo guarda-chuva → SLD

  • 02

    Critérios diagnósticos afirmativos: necessidade de ≥1 CMRF (vs. definição por exclusão anterior)

  • 03

    Os 5 critérios cardiometabólicos específicos para adultos e seus valores de corte:

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