Cirurgia2025

Resolução CFM nº 2.429/2025 — Cirurgia Bariátrica e Metabólica 2025: o que mudou na diretriz

Cai na prova 2026
  • Atualização necessária diante da evolução das evidências científicas sobre cirurgia bariátrica e metabólica nas últimas décadas.

  • Desde o consenso do NIH de 1991, centenas de estudos (incluindo >12 estudos randomizados e controlados) demonstraram superioridade da cirurgia sobre tratamentos não operatórios para obesidade e complicações metabólicas.

  • Em 2022, a ASBMS e a IFSO atualizaram suas diretrizes internacionais (referência-base para esta resolução).

  • Necessidade de fusão e atualização das Resoluções CFM nº 2.131/2015 e nº 2.172/2017 em documento único.

  • Incorporação de novas técnicas cirúrgicas e endoscópicas ao arsenal terapêutico.

  • Remoção de técnicas com resultados insatisfatórios (banda gástrica ajustável e cirurgia de Scopinaro).

  • Dados epidemiológicos brasileiros: 74.738 procedimentos realizados em 2022; 65.256 por planos de saúde (crescimento de 22,9% vs. 2019); apenas 5.923 pelo SUS (queda de 54,8% vs. 2019).

  • Estudo SOS demonstrou redução ajustada de mortalidade geral de 30,7% no grupo cirúrgico vs. controles não cirúrgicos em média de 10 anos de acompanhamento.

  • ASBMS (American Society of Bariatric and Metabolic Surgery)

  • IFSO (International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders)

  • ADA (American Diabetes Association)

  • AACE (American Association of Clinical Endocrinologists)

  • EASD (European Association for the Study of Diabetes)

  • IDF (International Diabetes Federation)

  • SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes)

  • AAP (Academia Americana de Pediatria)

  • CBC (Colégio Brasileiro de Cirurgiões)

  • CBCD (Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva)

  • SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica)

O que mudou

23 mudanças que você precisa saber

  • Antes

    Já havia indicação desde 2017 (Res. 2.172) com critérios mais restritivos

    Agora

    Ampliação das comorbidades elegíveis: agora inclui DCV grave com lesão em órgão-alvo, DRC precoce com DM2, apneia do sono grave, DHGNA com fibrose, afecções com indicação de transplante, DRGE com indicação cirúrgica, osteoartrose grave

  • Antes

    16 anos era limite mínimo, sem exceções oficiais pelo CFM

    Agora

    14-16 anos agora permitido em casos excepcionais (IMC > 40 + risco de vida)

  • Antes

    Havia referência a limites de idade superiores

    Agora

    Sem limite máximo de idade (incluindo > 70 anos)

  • Antes

    Eram considerados pré-requisitos em algumas interpretações

    Agora

    Explicitamente NÃO são pré-requisitos

  • Antes

    Não claramente abordada

    Agora

    Não é contraindicação absoluta — avaliação individualizada

  • Antes

    ANTES

    Agora

    AGORA

  • Antes

    Aceito

    Agora

    Primária altamente recomendada (mantido)

  • Antes

    Aceita

    Agora

    Primária altamente recomendada (mantida)

  • Antes

    Aceita/reconhecida pelo CFM

    Agora

    NÃO RECOMENDADA / PROIBIDA — complicações graves proibitivas

  • Antes

    Aceita/reconhecida pelo CFM

    Agora

    NÃO RECOMENDADA / PROIBIDA — complicações graves proibitivas

  • Antes

    Status variável

    Agora

    Alternativa reconhecida (preferencialmente revisional)

  • Antes

    Não reconhecida formalmente

    Agora

    Alternativa reconhecida (preferencialmente revisional) — NOVA

  • Antes

    Não reconhecida formalmente

    Agora

    Alternativa reconhecida (preferencialmente revisional) — NOVA

  • Antes

    Não reconhecida formalmente

    Agora

    Alternativa reconhecida (preferencialmente revisional) — NOVA

  • Antes

    Não reconhecida

    Agora

    Reconhecida — evidência nível 1, tratamento primário da obesidade — NOVA

  • Antes

    Já existia

    Agora

    Mantido — para pacientes com restrição cirúrgica ou preparo pré-operatório

  • Antes

    ANTES

    Agora

    AGORA

  • Antes

    Menos detalhada

    Agora

    Explicitamente inclui: endocrinologista (ou clínico geral), cardiologista, psiquiatra, nutrólogo, nutricionista, psicólogo + outros conforme necessidade

  • Antes

    ANTES

    Agora

    AGORA

  • Antes

    Havia menção a 2 anos de tratamento clínico prévio em resolução anterior

    Agora

    Não especifica tempo mínimo; exige que cirurgião e equipe multidisciplinar concordem consensualmente com a falha

  • Antes

    ANTES

    Agora

    AGORA

  • Antes

    Menos detalhada

    Agora

    Três finalidades definidas: correção, conversão e reversão

  • Antes

    Agora

    Centrada no paciente, com análise de adesão ao pós-operatório

Resumo técnico

A diretriz na íntegra

2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA

Por que esta diretriz foi publicada

  • Atualização necessária diante da evolução das evidências científicas sobre cirurgia bariátrica e metabólica nas últimas décadas.
  • Desde o consenso do NIH de 1991, centenas de estudos (incluindo >12 estudos randomizados e controlados) demonstraram superioridade da cirurgia sobre tratamentos não operatórios para obesidade e complicações metabólicas.
  • Em 2022, a ASBMS e a IFSO atualizaram suas diretrizes internacionais (referência-base para esta resolução).
  • Necessidade de fusão e atualização das Resoluções CFM nº 2.131/2015 e nº 2.172/2017 em documento único.
  • Incorporação de novas técnicas cirúrgicas e endoscópicas ao arsenal terapêutico.
  • Remoção de técnicas com resultados insatisfatórios (banda gástrica ajustável e cirurgia de Scopinaro).
  • Dados epidemiológicos brasileiros: 74.738 procedimentos realizados em 2022; 65.256 por planos de saúde (crescimento de 22,9% vs. 2019); apenas 5.923 pelo SUS (queda de 54,8% vs. 2019).
  • Estudo SOS demonstrou redução ajustada de mortalidade geral de 30,7% no grupo cirúrgico vs. controles não cirúrgicos em média de 10 anos de acompanhamento.

Entidades de referência citadas

  • ASBMS (American Society of Bariatric and Metabolic Surgery)
  • IFSO (International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders)
  • ADA (American Diabetes Association)
  • AACE (American Association of Clinical Endocrinologists)
  • EASD (European Association for the Study of Diabetes)
  • IDF (International Diabetes Federation)
  • SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes)
  • AAP (Academia Americana de Pediatria)
  • CBC (Colégio Brasileiro de Cirurgiões)
  • CBCD (Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva)
  • SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica)

3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

3.1 Natureza da cirurgia bariátrica/metabólica

  • Não é cura: é parte essencial de um tratamento multidisciplinar.
  • É terapêutica eficaz no controle da obesidade e de suas comorbidades metabólicas.
  • O acompanhamento multidisciplinar pós-operatório é decisivo para resultado adequado.
  • A cirurgia pode ser considerada quando houver falha no tratamento clínico.

3.2 Definição de falha do tratamento clínico

Considera-se falha quando o paciente se submete a protocolos clínicos para tratamento da obesidade ou controle metabólico (principalmente glicêmico) e não responde, sendo avaliado por cirurgião e equipe multidisciplinar que, de maneira consensual, concordam com a falha e indicam o tratamento cirúrgico.

3.3 Classificação de IMC utilizada na resolução

ClassificaçãoFaixa de IMC (kg/m²)
Obesidade classe 1≥ 30 e < 35
Obesidade classe 2≥ 35 e < 40
Obesidade classe 3≥ 40
Superobesidade≥ 60

3.4 Classificação das cirurgias reconhecidas pelo CFM

CategoriaTécnicasStatus
Primárias altamente recomendadasBypass gástrico em Y de Roux (DGJYR); Gastrectomia vertical (sleeve gástrico)Maior embasamento científico; alta segurança e eficácia comprovadas em longo prazo
Alternativas reconhecidas (indicação principal: procedimentos revisionais)Duodenal switch com gastrectomia vertical; Bypass gástrico com anastomose única (OAGB); Gastrectomia vertical com anastomose duodeno-ileal (SADI-S); Gastrectomia vertical com bipartição do trânsito intestinalSem evidência nível 1 de segurança/eficácia a longo prazo; podem ser opção revisional; se primárias → responsabilidade exclusiva do cirurgião + consentimento informado obrigatório
Não recomendadas (proibidas)Banda gástrica ajustável; Cirurgia de ScopinaroPercentual proibitivo de complicações graves e resultados insatisfatórios
Procedimentos endoscópicos reconhecidosBalão intragástrico; Gastroplastia endoscópica (plicatura gástrica endoscópica)Balão: restrição cirúrgica ou preparo pré-operatório; Gastroplastia endoscópica: evidência nível 1, reconhecida pela IFSO

3.5 Classificação das cirurgias revisionais (por finalidade)

TipoDefinição
CorreçãoCorrigir imperfeição cirúrgica no pós-operatório
ConversãoConverter técnica sem resultado esperado em outra com maior potência metabólica ou de perda ponderal
ReversãoReverter modificações anatômicas de técnica específica quando objetivos não foram atingidos

4. INDICAÇÕES E CONTRAINDICAÇÕES

4.1 Contraindicações cirúrgicas

  1. Obesidade ou doença metabólica passíveis de controle com tratamento clínico
  2. Abuso de drogas ilícitas não tratado ou mal controlado
  3. Gravidez
  4. Incapacidade de aderir às recomendações pós-operatórias (acompanhamento multidisciplinar e mudanças no estilo de vida)

NOTA IMPORTANTE: Deficiência cognitiva NÃO é contraindicação absoluta. Cada paciente deve ser avaliado individualmente pela equipe multidisciplinar.

4.2 Indicações cirúrgicas — ADULTOS

IMC (kg/m²)Condição exigidaObservações
≥ 40Nenhuma comorbidade necessáriaIndepende de comorbidades
≥ 35 e < 40Pelo menos uma doença agravada pela obesidade que melhore com perda ponderal
≥ 30 e < 35Presença de condição específica (lista fechada)Lista restritiva abaixo
≥ 60Avaliação especial de infraestrutura hospitalar e preparo da equipeMaior risco de eventos adversos

Condições específicas para indicação com IMC 30-35 kg/m²

  1. Diabetes mellitus tipo 2
  2. Doença cardiovascular grave com lesão em órgão-alvo
  3. Doença renal crônica precoce em pacientes com DM2
  4. Apneia do sono grave
  5. Doença gordurosa hepática não alcoólica (MASLD) com fibrose
  6. Afecções com indicação de transplante
  7. Refluxo gastroesofágico com indicação cirúrgica
  8. Osteoartrose grave

4.3 Indicações cirúrgicas — ADOLESCENTES

Idade ≥ 16 anos

  • Mesmos critérios de adultos
  • Requisitos adicionais obrigatórios:
    • Maturidade psicológica e fisiológica
    • Capacidade de compreender riscos/benefícios e aderir a modificações no estilo de vida
    • Capacidade de tomar decisões
    • Suporte social e familiar antes e depois da cirurgia
  • Decisão compartilhada entre paciente, pais/tutores e equipe médica
  • Termo de consentimento livre e esclarecido obrigatório (pais ou responsáveis legais)

Idade entre 14 e 16 anos (situação excepcional)

  • Apenas em casos excepcionais de obesidade grave
  • IMC > 40 kg/m²
  • Associado a complicações clínicas que levem a risco de vida

Referências da AAP e ASBMS para adolescentes

  • Considerar cirurgia com IMC ≥ 120% do percentil 95 (obesidade classe II) com complicações importantes
  • Ou IMC ≥ 140% do percentil 95 (obesidade classe III)

Puberdade e crescimento

  • A cirurgia bariátrica NÃO impacta negativamente o desenvolvimento da puberdade ou o crescimento linear
  • Estágio de Tanner II e idade óssea NÃO devem ser pré-requisitos para a cirurgia

4.4 Idosos

  • Cirurgias realizadas com segurança e eficácia em pacientes cada vez mais idosos, incluindo > 70 anos
  • Não há limite máximo de idade especificado nos estudos longitudinais atuais

5. TRATAMENTO

5.1 Equipe multidisciplinar mínima obrigatória

ProfissionalObrigatoriedade
CirurgiãoObrigatório
Endocrinologista (ou clínico geral na falta)Obrigatório
CardiologistaObrigatório
PsiquiatraObrigatório
NutrólogoObrigatório
NutricionistaObrigatório
PsicólogoObrigatório
Outros especialistas/profissionaisConforme necessidade clínica

5.2 Requisitos do cirurgião

  • O cirurgião, ou pelo menos um membro da equipe, deve ter RQE (Registro de Qualificação de Especialidade Médica) em:
    • Cirurgia geral ou Aparelho digestivo
    • Preferencialmente com área de atuação em cirurgia bariátrica e metabólica no CRM de origem
  • Composição da equipe cirúrgica: conforme Resolução CFM nº 1.490/1998 e Parecer CFM nº 4/2015

5.3 Anestesiologia

  • Participação do anestesiologista é essencial
  • Plena concordância do anestesiologista para o procedimento é necessária
  • Ato anestésico conforme Resolução CFM nº 2.174/2017

5.4 Hospital

RequisitoDetalhe
PorteGrande porte
ComplexidadeCirurgias de alta complexidade
Plantonista24 horas
UTIObrigatória
EquipeMultidisciplinar e multiprofissional experiente em obesidade, diabetes e cirurgia gastrointestinal
NormasPortarias MS nº 425/2013 e Consolidação nº 3/2017

5.5 Cirurgias primárias altamente recomendadas (detalhamento)

Bypass gástrico em Y de Roux (DGJYR)

  • Maior embasamento científico
  • Segurança e eficácia comprovadas em longo prazo
  • Considerada junto com a GV como padrão-ouro

Gastrectomia vertical (sleeve gástrico / GV)

  • Maior embasamento científico
  • Segurança e eficácia comprovadas em longo prazo
  • Considerada junto com o BGYR como padrão-ouro

5.6 Cirurgias alternativas reconhecidas

TécnicaObservação
Duodenal switch com gastrectomia verticalSem evidência nível 1 a longo prazo
Bypass gástrico com anastomose única (OAGB)Sem evidência nível 1 a longo prazo
Gastrectomia vertical com anastomose duodeno-ileal (SADI-S)Sem evidência nível 1 a longo prazo
Gastrectomia vertical com bipartição do trânsito intestinalFalta de evidências científicas sólidas e de reprodutibilidade

Regra fundamental: quando propostas como tratamento primário, a responsabilidade é exclusiva do cirurgião assistente, que obrigatoriamente deverá conscientizar o paciente sobre a falta de evidências sólidas, riscos e benefícios.

5.7 Procedimentos endoscópicos

Balão intragástrico

  • Indicações:
    • Tratamento da obesidade em pacientes com restrição aos procedimentos cirúrgicos
    • Preparo pré-operatório para cirurgia bariátrica ou metabólica

Gastroplastia endoscópica (plicatura gástrica endoscópica)

  • Possui evidência científica nível 1
  • Reconhecida pela IFSO para tratamento primário da obesidade
  • Pode ser associada ao tratamento medicamentoso para otimização dos resultados

5.8 Escolha da técnica

  • A indicação deve ser baseada nas necessidades do paciente, não na técnica
  • A escolha deve ser compartilhada entre equipe cirúrgica, equipe multidisciplinar e paciente (ou representante legal)
  • O paciente deve ter ciência: tipo de cirurgia, efeitos colaterais, complicações e possibilidade de reversão ou não
  • A cirurgia minimamente invasiva é considerada a melhor opção para cirurgia bariátrica e metabólica

5.9 Pacientes com IMC ≥ 60 kg/m²

Avaliação obrigatória de:

  • Capacidade estrutural/física do hospital (camas, macas, mesa cirúrgica, cadeira de rodas e equipamentos)
  • Preparo da equipe multidisciplinar
  • Maior propensão a eventos adversos pela complexidade da doença

6. PÓS-OPERATÓRIO

6.1 Princípios gerais

  • O acompanhamento pós-operatório é o ponto fundamental no sucesso da cirurgia
  • Obesidade, diabetes e comorbidades são doenças crônicas e progressivas → acompanhamento constante
  • O paciente deve estar de pleno acordo com essa necessidade
  • O acompanhamento é estabelecido pela equipe cirúrgica e compartilhado com o paciente

6.2 Monitoramento obrigatório

  • Estado nutricional (conforme diretrizes de sociedades nacionais e internacionais)
  • Novo estilo de vida saudável
  • Comorbidades pré-existentes
  • Reposição de vitaminas e minerais quando necessário

6.3 Possibilidade de recidiva

  • Pacientes podem apresentar recidiva de:
    • Obesidade
    • Comorbidades prévias (incluindo doenças metabólicas)
  • Independentemente da técnica empregada

6.4 Cirurgia revisional

  • Pode ser indicada quando houver:
    • Resultado não esperado na anatomia cirúrgica
    • Complicações clínicas ou cirúrgicas
    • Recidiva
  • Decisão inteiramente centrada no paciente
  • Análise criteriosa do acompanhamento pós-operatório (frequência e disciplina)
  • Avaliação criteriosa pela equipe multidisciplinar
  • Participação da família ou representante legal é essencial
  • Considerar: resultado da cirurgia original + condição clínica + expectativas do paciente

6.5 Pacientes com banda gástrica ou Scopinaro prévios

  • Devem ser acolhidos e acompanhados clinicamente
  • Conforme protocolo da equipe médica
  • (Implícito: podem ser candidatos a cirurgia revisional/conversão)

7. POPULAÇÕES ESPECIAIS

7.1 Adolescentes (14-18 anos)

Faixa etáriaCritérios
≥ 16 anosMesmos critérios de adultos + maturidade psicológica/fisiológica + suporte familiar + decisão compartilhada
14-16 anosApenas casos excepcionais: IMC > 40 + complicações com risco de vida
  • Estágio de Tanner II e idade óssea NÃO são pré-requisitos
  • Sem impacto negativo na puberdade ou crescimento linear
  • TCLE obrigatório com pais/responsáveis

7.2 Idosos (incluindo > 70 anos)

  • Segurança e eficácia demonstradas
  • Não há limite máximo de idade nos estudos longitudinais atuais

7.3 Gestantes

  • Contraindicação cirúrgica: gravidez é contraindicação

7.4 Pacientes com deficiência cognitiva

  • NÃO é contraindicação absoluta
  • Avaliação individualizada pela equipe multidisciplinar

7.5 Pacientes com IMC ≥ 60 kg/m² (superobesidade)

  • Avaliação especial de estrutura hospitalar e equipe
  • Maior risco de eventos adversos

7.6 Pacientes com abuso de drogas ilícitas

  • Contraindicação se não tratado ou mal controlado

APÊNDICE: ALGORITMO DECISÓRIO COMPLETO

Passo 1 — Avaliar elegibilidade pelo IMC

IMC ≥ 40 → ELEGÍVEL (independente de comorbidades)
IMC 35-39,9 → ELEGÍVEL se ≥ 1 doença agravada pela obesidade
IMC 30-34,9 → ELEGÍVEL apenas com comorbidade da lista específica*
IMC < 30 → NÃO ELEGÍVEL para cirurgia bariátrica

*Lista específica: DM2, DCV grave com lesão em órgão-alvo, DRC precoce com DM2, apneia do sono grave, DHGNA com fibrose, afecções com indicação de transplante, DRGE com indicação cirúrgica, osteoartrose grave.

Passo 2 — Verificar contraindicações

  • Obesidade controlável clinicamente? → Contraindicado
  • Abuso de drogas ilícitas não tratado/mal controlado? → Contraindicado
  • Gestante? → Contraindicado
  • Incapacidade de aderir ao pós-operatório? → Contraindicado

Passo 3 — Verificar falha do tratamento clínico

  • Paciente submetido a protocolos clínicos e não respondeu?
  • Cirurgião + equipe multidisciplinar concordam consensualmente com a falha?
  • → Se sim em ambos, prosseguir

Passo 4 — Avaliar idade

  • ≥ 16 anos → Critérios de adulto + requisitos adicionais para adolescentes
  • 14-16 anos → Apenas excepcional (IMC > 40 + risco de vida)
  • < 14 anos → Não autorizado
  • Sem limite máximo de idade

Passo 5 — Equipe multidisciplinar completa?

  • Cirurgião (RQE em cirurgia geral ou aparelho digestivo)
  • Endocrinologista (ou clínico geral)
  • Cardiologista
  • Psiquiatra
  • Nutrólogo
  • Nutricionista
  • Psicólogo
  • Anestesiologista (com concordância plena)

Passo 6 — Hospital adequado?

  • Grande porte, alta complexidade, plantonista 24h, UTI
  • Se IMC ≥ 60: verificar capacidade estrutural específica

Passo 7 — Escolha da técnica (compartilhada)

PRIMEIRA LINHA (primárias recomendadas):
  → Bypass gástrico em Y de Roux
  → Gastrectomia vertical (sleeve)

ALTERNATIVAS (preferencialmente revisionais):
  → Duodenal switch com GV
  → Bypass gástrico anastomose única
  → GV com anastomose duodeno-ileal
  → GV com bipartição do trânsito intestinal

ENDOSCÓPICOS:
  → Balão intragástrico (restrição cirúrgica ou preparo pré-op)
  → Gastroplastia endoscópica (tratamento primário)

PROIBIDOS:
  → Banda gástrica ajustável
  → Cirurgia de Scopinaro

Passo 8 — TCLE + Pós-operatório

  • Termo de consentimento informado
  • Acompanhamento multidisciplinar contínuo
  • Monitoramento nutricional
  • Reposição de vitaminas/minerais quando necessário
  • Vigilância de recidiva
  • Possibilidade de cirurgia revisional se necessário

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Pontos de prova — alta probabilidade

18 pontos que tendem a cair na prova

Outros pontos relevantes

  • 01

    Indicação de cirurgia bariátrica com IMC 30-35: lista específica de 8 comorbidades que permitem cirurgia nesta faixa. Decorar a lista. Questão clássica: "paciente com IMC 32 e DM2 — pode operar?" → SIM, agora pode.

  • 02

    Banda gástrica ajustável e Scopinaro: PROIBIDAS pelo CFM. Questão frequente sobre técnicas aceitas/não aceitas.

  • 03

    Cirurgias primárias recomendadas são APENAS DUAS: bypass gástrico em Y de Roux e gastrectomia vertical. Todas as outras são alternativas (preferencialmente revisionais) ou proibidas.

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Da diretriz pra prova

Como isso cai na sua prova

A diretriz de Resolução CFM nº 2.429/2025 — Cirurgia Bariátrica e Metabólica tem peso direto em 45 das 45 bancas que a medmentorIA acompanha — abaixo, as 5 que mais cobram Cirurgia.

Predições são estimativas geradas pela IA M.A.E.S.T.R.O.® — não substituem o edital oficial da banca.

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