Documento de Referência Completo para Provas de Residência Médica
2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA
Por que esta diretriz foi publicada
- Atualização das evidências desde 2020 com novos ECRs e metanálises
- Primeira diretriz a incluir capítulo dedicado ao manejo da HA no SUS/Atenção Primária à Saúde
- Adoção da metodologia GRADE para classificação de recomendações
- Cerca de 75% dos pacientes com HA no Brasil são tratados no SUS
- A HA é o principal fator de risco para mortalidade total no Brasil (104,8 por 100.000 em 2019)
- Prevalência de HA no Brasil: 27,9% pelo VIGITEL 2023; estimativa da OMS de 45% entre 30-70 anos
- Apenas 33% dos hipertensos brasileiros estão com PA controlada (estimativa OMS)
O que mudou em relação à versão anterior (DBHA 2020)
- Nova classificação de PA: remoção da categoria "PA ótima"; criação da faixa "Pré-hipertensão" ampliada (120-139/80-89 mmHg)
- Meta de PA unificada: < 130/80 mmHg para TODOS os hipertensos, independentemente do risco CV
- Escore de risco: adoção do PREVENT (AHA) em substituição a outros escores
- Tratamento inicial combinado: reforço da associação de medicamentos como primeira linha para a maioria
- Betabloqueadores: formalmente posicionados como indicação específica (não mais primeira linha universal), baseado em revisão sistemática com metanálise feita especificamente para esta diretriz
- Novos medicamentos abordados: iSGLT2, aGLP-1, finerenona, sacubitril/valsartana (perspectivas)
- Capítulo inédito sobre o SUS
- Abordagem de COVID-19 e HA
- Inclusão de espiritualidade/religiosidade como fator relevante
3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES
3.1. Definição de Hipertensão Arterial
HA é uma doença crônica não transmissível definida por elevação persistente da PA sistólica ≥ 140 mmHg e/ou PA diastólica ≥ 90 mmHg, medida com técnica correta, em pelo menos duas ocasiões diferentes, na ausência de medicação anti-hipertensiva. É condição multifatorial (genética/epigenética, ambiental, psicossocial).
3.2. Classificação da PA no Consultório (≥ 18 anos) — NOVA CLASSIFICAÇÃO
| Classificação | PAS (mmHg) | PAD (mmHg) | |
|---|---|---|---|
| PA Normal | < 120 | e | < 80 |
| Pré-hipertensão | 120-139 | e/ou | 80-89 |
| HA Estágio 1 | 140-159 | e/ou | 90-99 |
| HA Estágio 2 | 160-179 | e/ou | 100-109 |
| HA Estágio 3 | ≥ 180 | e/ou | ≥ 110 |
MUDANÇA IMPORTANTE: A classificação é definida pelo nível MAIS ELEVADO (PAS ou PAD). A categoria "PA ótima" foi REMOVIDA (agora incluída em "PA normal"). A "Pré-hipertensão" agora engloba 120-139/80-89 mmHg (antes era dividida em "PA normal" 120-129/80-84 e "Pré-hipertensão" 130-139/85-89).
3.3. Definição de HA por Método de Medida
| Categoria | PAS (mmHg) | PAD (mmHg) | |
|---|---|---|---|
| PA consultório | ≥ 140 | e/ou | ≥ 90 |
| MAPA 24 horas | ≥ 130 | e/ou | ≥ 80 |
| MAPA Vigília | ≥ 135 | e/ou | ≥ 85 |
| MAPA Sono | ≥ 120 | e/ou | ≥ 70 |
| MRPA | ≥ 130 | e/ou | ≥ 80 |
3.4. Formas Especiais de HA
- HA sistólica isolada: PAS ≥ 140 mmHg e PAD < 90 mmHg
- HA diastólica isolada: PAS < 140 mmHg e PAD ≥ 90 mmHg
3.5. Fenótipos de PA (Sem medicação)
| PA consultório < 140/90 | PA consultório ≥ 140/90 | |
|---|---|---|
| MAPA/MRPA < 130/80 | Normotensão verdadeira (36-43%) | HA do avental branco (7-15%) |
| MAPA/MRPA ≥ 130/80 | HA mascarada (8-22%) | HA sustentada (34-35%) |
3.6. Fenótipos de PA (COM medicação anti-hipertensiva)
| PA consultório < 130/80 | PA consultório ≥ 130/80 | |
|---|---|---|
| MAPA/MRPA < 130/80 | HA controlada (19-32%) | HA avental branco não controlada (5-29%) |
| MAPA/MRPA ≥ 130/80 | HA mascarada não controlada (4-23%) | HA sustentada não controlada (40-48%) |
3.7. Hipotensão Ortostática
- Definição: redução na PAS ≥ 20 mmHg e/ou PAD ≥ 10 mmHg
- Deve ser pesquisada em: idosos, diabéticos, disautonômicos e em uso de anti-hipertensivos
- Técnica: medir PA em posição supina e 1 e 3 minutos após mudança para posição ortostática
3.8. Efeito do Avental Branco (valores significativos)
- PAS consultório ≥ 20 mmHg maior que MAPA 24h (ou ≥ 15 mmHg vs. MRPA)
- PAD consultório ≥ 15 mmHg maior que MAPA 24h (ou ≥ 9 mmHg vs. MRPA)
3.9. Efeito de Mascaramento (valores significativos)
- PAS consultório ≤ 2 mmHg maior que MAPA 24h (ou ≤ -1 mmHg vs. MRPA)
- PAD consultório ≤ 2 mmHg maior que MAPA 24h (ou ≤ -1 mmHg vs. MRPA)
3.10. Diferença Interbraquial
- Diferenças > 15 mmHg na PAS entre os braços indicam risco CV aumentado e possível doença arterial obstrutiva
- Associada a remodelação adversa do VE
- Usar o braço com PA mais elevada para medidas subsequentes
4. DIAGNÓSTICO
4.1. Critérios Diagnósticos de HA
- PA no consultório ≥ 140 e/ou 90 mmHg em duas ocasiões diferentes (dias ou semanas)
- Alternativa: MAPA ou MRPA para confirmação
- Exceção: PA substancialmente elevada (Estágio 3) ou presença de LOA/DCV → diagnóstico em consulta única
- Pacientes já em uso de anti-hipertensivos ou com LOA: considerar hipertensos mesmo com PA < 140/90
4.2. Técnica de Medida da PA no Consultório
6 Etapas obrigatórias:
- Braço nu, apoiado na altura do coração, palma da mão para cima
- Ambiente silencioso, temperatura confortável
- 30 min sem fumar, alimentos/cafeína; 90 min sem exercício
- Sentado, costas apoiadas, pernas descruzadas, pés no chão
- Sentado por pelo menos 5 min, bexiga vazia, sem falar
- Realizar 3 medidas com intervalo de 1 minuto entre elas
Valor da PA: média das duas últimas medidas. Se diferença > 10 mmHg, realizar medidas adicionais.
Equipamento preferencial: automático oscilométrico de braço validado (reduz erros do observador).
4.3. Algoritmo Diagnóstico (Triagem)
PA consultório →
PA normal (< 120/80): normotensão → repetir anualmente
Pré-hipertensão (120-139/80-89): considerar HM → MAPA/MRPA
HA Estágio 1 (140-159/90-99): considerar HAB → MAPA/MRPA
HA Estágio 2 (160-179/100-109): alta probabilidade de HA sustentada
HA Estágio 3 (≥ 180/≥ 110): diagnóstico de HA → iniciar tratamento + crise hipertensiva?
4.4. Exames Complementares de Rotina (Primeira consulta e anualmente)
| Exame | Justificativa |
|---|---|
| Análise de urina | Doença renal, proteinúria |
| Potássio plasmático | Hiperaldosteronismo, efeito de medicamentos |
| Creatinina plasmática | Função renal |
| TFGe pelo CKD-EPI | Classificação de DRC |
| RAC ou proteinúria/creatininúria | Lesão renal precoce |
| Glicemia de jejum e HbA1c | DM, síndrome metabólica |
| Colesterol total, LDLc, HDLc, TG | Dislipidemia, risco CV |
| Ácido úrico | Risco CV |
| ECG convencional | HVE, arritmias, IAM prévio |
4.5. Critérios de Lesão de Órgão-Alvo (LOA)
| Órgão | Método | Critérios |
|---|---|---|
| Coração | ECG | Sokolow-Lyon > 35 mm; R aVL ≥ 11 mm; Cornell > 28 mm (H) ou > 20 mm (M) |
| Coração | ECO | IMVE ≥ 116 g/m² (H) ou ≥ 96 g/m² (M) por SC; ou ≥ 45 g/m² (H) ou ≥ 49 g/m² (M) por altura^2,7 |
| Grandes vasos | ITB | < 0,9 |
| Grandes vasos | USG carótidas | Presença de placas |
| Grandes vasos | VOP | Carotídeo-femoral ≥ 10 m/s |
| Rim | TFGe | DRC a partir de Estágio 3a (< 60 mL/min/1,73 m²) |
| Rim | Albuminúria | ≥ 30 mg/24h ou RAC ≥ 30 mg/g |
| Retina | FO | Retinopatia hipertensiva (KWB) |
4.6. Classificação de DRC (KDIGO 2024)
| Estágio | TFGe (mL/min/1,73m²) | Descrição |
|---|---|---|
| G1 | ≥ 90 | Normal ou alta |
| G2 | 60-89 | Levemente reduzida |
| G3a | 45-59 | Leve a moderadamente reduzida |
| G3b | 30-44 | Moderada a gravemente reduzida |
| G4 | 15-29 | Gravemente reduzida |
| G5 | < 15 | Falência renal |
Categorias de albuminúria:
- A1: RAC < 30 mg/g (normal a levemente aumentada)
- A2: RAC 30-300 mg/g (moderadamente aumentada)
- A3: RAC > 300 mg/g (gravemente aumentada)
4.7. Estratificação de Risco Cardiovascular
Escore RECOMENDADO: PREVENT (AHA)
- Disponível em: https://professional.heart.org/en/guidelines-and-statements/prevent-calculator
- Estima risco em 10 e 30 anos para pacientes entre 30-79 anos
- Variáveis: idade, PAS, colesterol, tabagismo, DM, TFGe, RAC, HbA1c
- Pontos de corte para risco de ASCVD em 10 anos:
- Baixo risco: < 5,0%
- Risco limítrofe: 5,0% até < 7,5%
- Risco intermediário: 7,5% até < 20%
- Alto risco: ≥ 20%
Quando PREVENT não disponível — Classificação alternativa:
| PA (mmHg) | Sem FRCV | 1-2 FRCV | ≥ 3 FRCV | LOA/DRC3/DM | DCV/DRC ≥4 |
|---|---|---|---|---|---|
| Pré-HA (130-139/80-89) | Baixo | Baixo | Moderado | Alto | Muito alto |
| Estágio 1 (140-159/90-99) | Baixo | Moderado | Alto | Alto | Muito alto |
| Estágio 2 (160-179/100-109) | Moderado | Alto | Alto | Alto | Muito alto |
| Estágio 3 (≥ 180/≥ 110) | Alto | Alto | Alto | Muito alto | Muito alto |
Condições que definem automaticamente ALTO risco:
- DCV manifesta
- Diabetes mellitus
- DRC
- Hipercolesterolemia familiar
- LOA estabelecida
- Escore PREVENT ≥ 20% em 10 anos
Fatores de risco CV considerados:
- Sexo masculino
- Idade > 55 anos (homem) ou > 65 anos (mulher)
- DCV prematura em parentes 1º grau (H < 55 anos, M < 65 anos)
- Tabagismo
- Dislipidemia: LDLc ≥ 100 mg/dL e/ou não-HDLc ≥ 130 mg/dL e/ou HDLc ≤ 40 (H)/≤ 50 (M) e/ou TG > 150 mg/dL
- Obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²)
4.8. HA Secundária — Principais Causas e Investigação
| Causa | Achados clínicos-chave | Rastreamento |
|---|---|---|
| Doença renal parenquimatosa | Edema, anemia, creatinina elevada, alterações urinárias | Creatinina, TFGe, USG renal, EAS, albuminúria |
| Estenose de artéria renal | HA súbita < 30 ou > 55 anos, HAR, sopro abdominal, EAP súbito | USG Doppler renal, Angio-RM/TC |
| Apneia obstrutiva do sono | Ronco, pausas, sonolência diurna, obesidade | Polissonografia (padrão-ouro); IAH ≥ 5 = AOS |
| Coarctação de aorta | PAS MMSS > MMII ≥ 10 mmHg, pulsos MMII diminuídos | RX tórax, ECO, Angio-TC/RM |
| Hiperaldosteronismo primário | HAR, hipopotassemia (não obrigatória), nódulo adrenal | Aldosterona/renina plasmática, TC adrenais |
| Feocromocitoma | Tríade: cefaleia + sudorese + palpitações | Metanefrinas plasmáticas livres e urinárias |
| Hipotireoidismo | Fadiga, ganho peso, HA diastólica | TSH, T4 livre |
| Hipertireoidismo | Taquicardia, perda peso, exoftalmia | TSH, T4 livre |
| Síndrome de Cushing | Fácies lua cheia, estrias purpúreas, obesidade central | Cortisol urinário 24h, teste supressão dexametasona |
| Hiperparatireoidismo | Litíase, osteoporose | Cálcio, PTH, vitamina D |
5. TRATAMENTO
5.1. Metas Terapêuticas
Meta UNIVERSAL de PA:
PA < 130/80 mmHg para TODOS os hipertensos
| Situação | Meta de PA |
|---|---|
| HA (qualquer risco CV) | < 130/80 mmHg |
| Pré-hipertensão + alto risco CV | < 130/80 mmHg |
| HA + DAC | < 130/80 mmHg (admite-se até 120/70 sem ↑ risco) |
| HA + DRC tratamento conservador | < 130/80 mmHg |
| HA + DRC (PAS < 120 selecionados) | Jovens, sem fragilidade, medida automática |
| HA + DM | < 130/80 mmHg |
| HA + Obesidade | < 130/80 mmHg |
| HA + AVC/AIT prévio | < 130/80 mmHg |
| HA + IC (ICFEp e ICFEr) | < 130/80 mmHg (recomendação FRACA) |
| Idosos (maioria) | < 130/80 mmHg |
| Idosos frágeis/muito idosos | Menor valor tolerado |
| Crianças < 13 anos | < percentil 90 |
| Adolescentes ≥ 13 anos | < 130/80 mmHg |
| HAR e HARf | < 130/80 mmHg (recomendação FRACA) |
Se meta < 130/80 não tolerada → reduzir até o menor valor tolerado.
Metas na MAPA e MRPA:
| Parâmetro | PAS (mmHg) | PAD (mmHg) |
|---|---|---|
| MAPA 24 horas | < 130 | < 80 |
| MAPA vigília | < 135 | < 85 |
| MAPA sono | < 120 | < 70 |
| MRPA | < 130 | < 80 |
Metas em Diálise:
- HD: pré-diálise < 140/90; pós-HD < 130/80
- Hemodiafiltração: < 130/80
- Diálise peritoneal: < 140/90
5.2. Início do Tratamento — Algoritmo
| PA | Risco | Conduta |
|---|---|---|
| ≥ 120/80 mmHg | Qualquer | MNM para todos |
| 130-139/80-89 + alto risco CV | Alto | MNM por 3 meses → se não controlar → medicamento |
| ≥ 140/90 mmHg | Qualquer | MNM + medicamento imediatamente |
| Idosos ≥ 60 anos | — | Medicamento quando PAS ≥ 140 |
| Idosos ≥ 80 anos | — | Medicamento quando PAS ≥ 140 (individualizar) |
5.3. Medidas Não Medicamentosas (MNM)
| Intervenção | Redução PAS/PAD | Meta/Recomendação |
|---|---|---|
| Cessação do tabagismo | Controverso sobre PA direta | Recomendada para redução de eventos CV e morte |
| Perda de peso | -1,05/-0,92 mmHg por kg | IMC < 25 kg/m² (adultos); 22-27 kg/m² (idosos) |
| Restrição de sódio | -2,8/-1,4 mmHg por 1,15g Na/dia | < 2g Na/dia = 5g sal/dia = 1 colher chá/dia |
| ↑ Potássio dietético | -4,8/-3,0 mmHg | ≥ 3,5 g/dia (exceto DRC com risco de hipercalemia) |
| Dieta DASH | -8,7/-4,5 mmHg | Rica em frutas, hortaliças, laticínios magros |
| Dieta Mediterrânea | -1,5/-0,9 mmHg | Complementar |
| Redução do álcool | -5,5/-4,0 mmHg (≥ 6 doses → ↓50%) | H ≤ 2 doses/dia; M ≤ 1 dose/dia |
| Exercício aeróbico | -7,6/-4,7 mmHg | ≥ 150 min/sem moderado ou 75 min/sem vigoroso |
| Exercício resistido dinâmico | -2,6/-2,1 mmHg | 2-3×/sem, complementar ao aeróbico |
| Exercício resistido isométrico | -4,3/-5,0 mmHg | — |
| Exercício combinado | -5,3/-5,6 mmHg | — |
| Meditação/mindfulness | -6,6/-2,5 mmHg | ≥ 8 sessões intensivas |
| Respiração lenta | -6,4 mmHg PAS e PAD | 6-10 respirações/min, 15-20 min/dia |
| Café | Sem ↑ PA em consumo habitual | Até 3-4 xícaras/dia (≤ 400mg cafeína/dia) |
Exercício — Prescrição detalhada:
- Aeróbico: 3-5×/sem, 30-60 min/sessão, intensidade moderada
- FC treino = (FC máxima – FC repouso) × 40-60% + FC repouso
- Resistido: 2-3×/sem, 8-10 exercícios, 1-3 séries, 10-15 repetições (~60% 1RM), pausas 90-120s
- NÃO iniciar se PA > 160/105 mmHg; reduzir intensidade se PA > 180/105 durante exercício
- Interromper comportamento sedentário: levantar a cada 30 min sentado
Substitutos do sal: enriquecidos com potássio → reduzem PAS/PAD em -5,9/-2,2 mmHg. CUIDADO com pacientes com DRC (risco de hipercalemia).
5.4. Tratamento Medicamentoso
5.4.1. Classes Preferenciais (Base do "Octeto")
| Classe | Exemplos principais |
|---|---|
| Diuréticos tiazídicos/similares | HCTZ 25-50mg, Clortalidona 12,5-25mg, Indapamida SR 1,5-3mg |
| IECA | Enalapril 5-40mg, Ramipril 2,5-20mg, Perindopril 4-16mg |
| BRA | Losartana 50-100mg, Valsartana 80-320mg, Olmesartana 20-40mg |
| BCC | Anlodipino 2,5-10mg, Nifedipino 10-60mg, Lercanidipino 10-20mg |
| BB (indicações específicas) | Metoprolol 50-200mg, Bisoprolol 5-20mg, Carvedilol 6,25-50mg, Nebivolol 2,5-10mg |
5.4.2. Indicações Específicas para Betabloqueadores
- ICFEr
- Síndromes coronarianas (pós-IAM, angina)
- Fibrilação atrial / controle de FC
- Mulheres que desejam engravidar
- HA em hemodiálise
- Outras: enxaqueca, tremor essencial, varizes esofágicas, tireotoxicose
5.4.3. Estratégias de Tratamento
MONOTERAPIA (excepcional) — Indicações:
- PA 130-139/80-89 + alto risco CV
- Idosos ≥ 80 anos
- Indivíduos frágeis
- HA Estágio 1 + risco baixo (a critério médico)
- Hipotensão ortostática sintomática
ASSOCIAÇÃO DE MEDICAMENTOS (regra para a maioria):
ETAPA 1: Dupla (IECA ou BRA) + (BCC ou DIU tiazídico/similar)
→ preferencialmente em comprimido único
→ controla ~60% dos pacientes
Se meta não alcançada ↓
ETAPA 2: Tripla (IECA ou BRA) + BCC + DIU tiazídico/similar
→ preferencialmente em comprimido único
→ controla ~90% dos pacientes
Se meta não alcançada ↓
ETAPA 3: Quarto medicamento = ESPIRONOLACTONA 25-50 mg/dia
(Eplerenona se intolerância → ginecomastia)
Se meta não alcançada ↓
ETAPA 4: Quinto medicamento = simpatolítico
- Clonidina 0,2-0,9 mg/dia
- Bisoprolol / Carvedilol / Nebivolol
- Doxazosina 1-16 mg/dia
Se meta não alcançada ↓
ETAPA 5: Hidralazina / Minoxidil
Considerar denervação renal
Encaminhar a centro de referência
5.4.4. Contraindicações e Precauções Importantes
| Situação | Contraindicação/Precaução |
|---|---|
| IECA + BRA juntos | CONTRAINDICADO (↑ efeitos adversos sem ↓ desfechos) |
| IECA/BRA na gestação | CONTRAINDICADO (teratogênicos) |
| IECA/BRA + espironolactona | Monitorar K+ e creatinina (risco hipercalemia) |
| Espironolactona com TFGe < 30 e K+ > 5,5 | Usar com cautela |
| BB em broncopata grave | Contraindicado (exceto cardiosseletivos com cautela) |
| BCC não-dihidropiridínico + BB | Evitar (bradicardia) |
| Nifedipina sublingual | PROSCRITA em qualquer situação de elevação aguda da PA |
| Atenolol na gestação | Contraindicado (restrição crescimento fetal) |
5.4.5. Medicamentos com Ação Anti-hipertensiva Discreta mas com Benefício Cardiorrenal
| Medicamento | Redução PAS/PAD | Indicação principal |
|---|---|---|
| iSGLT2 (dapagliflozina, empagliflozina) | -5,08/-2,73 mmHg (MAPA DM2) | DRC, IC, DM2 |
| aGLP-1 (semaglutida, liraglutida, dulaglutida) | -3,37/-1,05 mmHg | Obesidade, DM2, risco CV |
| Finerenona (ARM não esteroidal) | Até -11,2 mmHg PAS 24h (dose 15mg) | DRC + DM2 |
| Sacubitril/valsartana | Maior que olmesartana | ICFEr (não indicado rotineiramente para HA isolada) |
5.4.6. Horário de Administração
- Medicamentos podem ser administrados pela manhã ou à noite, com eficácia similar (estudo TIME).
5.4.7. Seguimento
- Ajustes geralmente a cada 4 semanas, salvo situações específicas
- Rever a cada 4 semanas até alcançar meta
- Verificar adesão ao tratamento SEMPRE
- Combater inércia terapêutica
5.5. Curva J
- Não há evidências consistentes de curva J causal para risco CV
- PA baixa é marcador (não causa) de alto risco, especialmente em idosos com comorbidades
- Estudo de randomização mendeliana: redução da PAD diminui risco de IAM mesmo em valores baixos
- Reduzir PA até 120/70 mmHg não aumenta risco CV em pacientes com DAC assintomáticos
- Na HA sistólica isolada: monitorar PAD durante redução da PAS
6. POPULAÇÕES ESPECIAIS
6.1. Idosos
Diagnóstico:
- Maior variabilidade pressórica
- Fatores de confusão: hiato auscultatório, pseudo-hipertensão, variações posturais/pós-prandiais
- ~20% têm hipotensão ortostática; ~30% têm hipotensão pós-prandial
- MAPA é particularmente útil
Avaliação funcional:
- Velocidade de marcha (VM): < 0,8 m/s (ou > 8s para 6m) = fragilidade/risco
- Escala Clínica de Fragilidade (1-9): aplicar rotineiramente
- Avaliação cognitiva necessária
Metas e tratamento:
- Meta < 130/80 mmHg para a maioria
- Idosos frágeis, muito idosos, expectativa de vida limitada: menor valor tolerado
- Iniciar com monoterapia ou doses baixas; aumento gradual (mínimo 2 semanas entre ajustes)
- Preferir combinações em comprimido único, dose única diária
- BB NÃO como monoterapia inicial (exceto IC, SCA)
- Desintensificação/desprescrição: considerar em hipotensão sintomática, PA muito abaixo da meta, cuidados paliativos
Polifarmácia (≥ 5 medicamentos):
- Maior em idosos
- Associada a ↑ eventos adversos, interações, ↓ adesão
- Revisar periodicamente todos os medicamentos
6.2. Crianças e Adolescentes
Definições:
| Crianças 1-12 anos | Adolescentes ≥ 13 anos | |
|---|---|---|
| PA normal | < P90 | < 120/80 |
| Pré-hipertensão | ≥ P90 e < P95 ou 120/80 (o que for menor) | 120-129/< 80 |
| HA Estágio 1 | ≥ P95 até < P95+12 ou 130/80-139/89 (o que for menor) | 130/80-139/89 |
| HA Estágio 2 | ≥ P95+12 ou ≥ 140/90 (o que for menor) | ≥ 140/90 |
- Diagnóstico: PA ≥ P95 em 3 atendimentos diferentes (auscultatório)
- MAPA indicada para confirmação: pré-HA por ≥ 1 ano ou HA Estágio 1 em 3 consultas
- Meta: PA < P90 (crianças) ou < 130/80 (≥ 13 anos)
- Na DRC: < P50 da média 24h na MAPA
- Medicamentos: IECA, BRA, BCC ação prolongada, ou diurético tiazídico
- HA secundária é mais provável em < 6 anos e PA muito elevada; HA primária predomina no adolescente obeso
6.3. Mulheres
Mulheres jovens:
- AHCO: ↑ 13% risco de HA para cada 5 anos de uso
- Monitorar PA antes e a cada 6 meses após início de AHCO
- Se PAS ≥ 160 e/ou PAD ≥ 100 mmHg persistentes: considerar outros métodos contraceptivos
- IECA/BRA contraindicados se potencial para engravidar (exceto IC com contracepção)
- Preferir BCC ou BB com propriedades vasodilatadoras
Menopausa:
- ↑ PA por ↓ estradiol, ↑ SRAA, rigidez aórtica
- Tratamento: bloqueador SRAA + BCC ou diurético tiazídico
- Diuréticos tiazídicos: benefício adicional na prevenção de osteoporose
- Terapia hormonal: monitorar PA; interromper se descontrole; preferir estrogênio transdérmico se obesidade/DM
SOP:
- Forte associação com HA em mulheres jovens (OR 1,7)
- Hiperandrogenemia associada a PA elevada independentemente de idade, obesidade, RI
Metas: iguais para homens e mulheres; mesmas classes de anti-hipertensivos
6.4. Gestação
Classificação dos distúrbios hipertensivos na gestação:
| Condição | Definição |
|---|---|
| Pré-eclâmpsia | PA ≥ 140/90 após 20 sem + proteinúria (≥ 300mg/24h ou RAC ≥ 0,3g/g) ou sinais de gravidade |
| HA crônica | HA presente antes da gestação ou < 20 semanas |
| HA crônica + PE sobreposta | PE em mulher com HA prévia |
| HA gestacional | PA ≥ 140/90 após 20 sem, sem proteinúria, resolve no puerpério |
| Eclâmpsia | Convulsões na PE sem outra causa |
| Síndrome HELLP | Hemólise + ↑ enzimas hepáticas + plaquetopenia |
| PRES | Edema vasogênico parieto-occipital + sintomas neurológicos |
| HAB na gestação | PA ≥ 140/90 consultório + PA < 135/85 MAPA vigília ou MRPA |
| HM na gestação | PA < 140/90 consultório + PA ≥ 135/85 MAPA vigília ou MRPA |
Sinais de gravidade da PE: trombocitopenia (< 100.000), creatinina > 1,1 mg/dL, ↑ 2× transaminases, edema pulmonar, sintomas visuais ou cefaleia.
Predição e profilaxia:
- Modelo FMF (11-14 sem): fatores maternos + PA média + Doppler de artérias uterinas + PLGF
- AAS 100-150 mg/noite iniciado antes de 16 semanas até 36 semanas em alto risco
- Cálcio > 500 mg se ingesta < 900 mg/dia, antes da gestação ou até 20 semanas
- AF antes e durante gestação para reduzir HA gestacional e PE
Metas na gestação:
- PAS > 120 e < 160 mmHg; PAD > 80 e < 110 mmHg
- Tratar urgentemente se PAS ≥ 160 mmHg persistente ≥ 15 min
Medicamentos na gestação:
| Linha | Medicamentos |
|---|---|
| 1ª linha | Metildopa, Nifedipina ação prolongada, Amlodipina, BB (exceto atenolol) |
| 2ª linha | Diurético tiazídico (evitar em PE), Clonidina, Hidralazina |
| Contraindicados | IECA, BRA, Atenolol, ARM, Nifedipina sublingual |
EH na gestação:
- Hidralazina IV 5 mg a cada 20-30 min (até 15 mg)
- Se indisponível: Nifedipina 10 mg VO, repetir 10-20 mg a cada 20-30 min
- Sulfato de magnésio: para prevenção de eclâmpsia em HA grave sintomática e tratamento de eclâmpsia
- NPS: máximo 4h (risco cianeto fetal)
Puerpério:
- HA resolve geralmente em 5-6 dias
- Qualquer anti-hipertensivo pode ser usado, incluindo IECA
- Aleitamento: ver compatibilidade (permitidos: captopril, enalapril, propranolol, metoprolol, espironolactona, nifedipina, hidralazina, metildopa)
Risco futuro: mulheres com HA gestacional devem ter acompanhamento CV de longo prazo
6.5. HA e Doença Arterial Coronariana
- Meta: < 130/80 mmHg (admite-se até 120/70 sem ↑ risco)
- BB + BCC preferenciais para sintomáticos com DAC
- BB pós-IAM melhora prognóstico
- IECA reduz desfechos CV em alto risco; BRA se intolerância
- Redução gradual e cautelosa da PA em isquêmicos, diabéticos, muito idosos
6.6. HA e DRC
- Meta: < 130/80 mmHg (PAS < 120 em selecionados)
- IECA ou BRA como 1ª escolha (não associar entre si)
- Adicionar iSGLT2 (TFGe > 20): cardiorrenal
- Finerenona: DRC + DM2
- aGLP-1 (semaglutida): DRC + DM2
- Monitorar K+ e TFGe durante tratamento
- Se TFGe < 30: considerar furosemida; CTD pode ser usada entre 15-30
6.7. HA e Diabetes Mellitus
- 80-90% dos DM desenvolverão HA
- Meta: < 130/80 mmHg
- Início IMEDIATO com 2 medicamentos: IECA (ou BRA) + BCC ou diurético tiazídico similar
- Diurético preferencial: indapamida (menor impacto metabólico)
- MAPA/MRPA recomendadas (alta prevalência de HM no DM)
- Dosagem de albuminúria em 2-3 amostras ao diagnóstico
6.8. HA e Obesidade
- Obesidade visceral ↑ risco de HA em 65-75%
- Meta: < 130/80 mmHg
- Perda ≥ 5-10% do peso corporal por MNM
- aGLP-1: bons resultados em peso e risco CV, modestos em PA
- CC normal: < 102 cm (H), < 88 cm (M)
6.9. HA e COVID-19
- HA é fator de pior prognóstico na COVID-19
- Manter IECA/BRA durante COVID-19
- COVID longa: HA frequentemente presente
- Vacinação recomendada para hipertensos
6.10. HA e AVC (Fase Crônica)
- HA contribui para ~60% do risco de doença cerebrovascular
- Meta: < 130/80 mmHg para prevenção secundária
- Medicamentos: diuréticos tiazídicos/similares + bloqueador SRAA; se necessário, adicionar BCC
- Tratamento anti-hipertensivo reduz demência e déficit cognitivo
6.11. HA e Insuficiência Cardíaca
-
90% dos pacientes com IC têm HA
- Meta: < 130/80 mmHg (ICFEp e ICFEr) — recomendação FRACA
- ICFEr: BB + IECA/BRA + ARM + diuréticos + sacubitril/valsartana + iSGLT2
- Níveis baixos de PA NÃO devem limitar otimização das medicações se tolerados
- iSGLT2: reduz hospitalização e morte CV em ICFEr e ICFEp
7. CRISE HIPERTENSIVA
7.1. Definições
| Condição | Definição | Conduta |
|---|---|---|
| Emergência Hipertensiva (EH) | PA elevada (geralmente ≥ 180/110) + LOA aguda progressiva + risco de morte | UTI + anti-hipertensivos IV |
| Elevação importante da PA sem LOA (antiga "urgência hipertensiva") | PA elevada sem LOA aguda | Ambulatorial; reavaliação 1-7 dias; alvo PAS < 160 e PAD < 100 |
| Pseudocrise | PA elevada + oligossintomático, sem LOA | Evento emocional/doloroso; observação 30 min |
7.2. Classificação das EH
- Cerebrovasculares: encefalopatia hipertensiva, AVCI, AVCH, hemorragia subaracnoide
- Cardiocirculatórias: dissecção de aorta, EAP, IAM, angina instável
- Sistêmicas: HA acelerada/maligna, HA com MDO
- Crises adrenérgicas: feocromocitoma, drogas ilícitas
- Gravidez: eclâmpsia, PE grave, HELLP
7.3. Alvos de PA nas EH
| Situação | Alvo |
|---|---|
| Regra geral | ↓ 25% na 1ª hora → 160/100 em 2-6h → normal em 24-48h |
| EAP / Crises adrenérgicas | PAS < 140 mmHg na 1ª hora |
| Dissecção aguda de aorta | PAS 90-120 mmHg + FC < 60 bpm em 20 min |
| AVCI com trombólise | PA < 185/110 antes; < 180/105 nas 24h pós |
| AVCI sem trombólise, PA ≥ 220/120 | ↓ 15% nas primeiras 24h |
| AVCI meta 7-10 dias | PAS 120-130 e PAD 70-79 mmHg |
| AVCH PAS > 220 | PAS < 180 mmHg |
| AVCH leve-moderado PAS 150-220 | PA < 140 mmHg |
| Hemorragia subaracnoide PAS > 180 | ↓ gradual em 24-72h |
| SCA | PAS < 140 (evitar < 120); PAD 70-80 mmHg |
7.4. Medicamentos IV para EH
| Medicamento | Dose | Início | Indicação principal |
|---|---|---|---|
| Nitroprussiato de sódio | 0,25-10 µg/kg/min | Imediato | Maioria das EH |
| Nitroglicerina | 5-15 mg/h | 2-5 min | Insuficiência coronariana, EAP |
| Metoprolol | 5 mg IV (até 20 mg) | 5-10 min | DAC, dissecção aorta |
| Esmolol | 500 µg/kg ataque → 25-300 µg/kg/min | 1-2 min | Dissecção aorta |
| Hidralazina | 10-20 mg IV ou 10-40 mg IM | 10-30 min | Eclâmpsia |
| Furosemida | 20-60 mg | 2-5 min | EAP, hipervolemia |
7.5. HA Acelerada/Maligna
- Retinopatia Grau 4 KWB (papiledema) ± IRA e necrose fibrinoide arteriolar
- Mortalidade 80% em 2 anos se não tratada
- Tratar com NPS IV → iniciar VO com IECA/BRA
8. HIPERTENSÃO RESISTENTE E REFRATÁRIA
8.1. Definições
| Condição | Definição |
|---|---|
| HAR | PA acima da meta com ≥ 3 anti-hipertensivos sinérgicos (preferencialmente IECA/BRA + BCC + DIU tiazídico) em doses máximas toleradas, por 30-60 dias, excluída pseudorresistência; OU PA controlada com ≥ 4 medicamentos |
| HARf | PA não controlada com ≥ 5 anti-hipertensivos, incluindo ARM (espironolactona/eplerenona) e diurético tiazídico similar de longa ação (CTD ou indapamida) |
8.2. Epidemiologia
- HAR verdadeira: ~10,3% dos hipertensos
- HA pseudorresistente: ~10,3%
- HARf: 3,6-17,6% dos HAR
- No Brasil (ReHOT): 11,7% de HAR
8.3. Causas de Pseudorresistência (excluir antes do diagnóstico)
- Falha técnica na medida da PA (manguito inadequado)
- Efeito do avental branco → MAPA obrigatória (preferencial) ou MRPA
- Inércia terapêutica
- Falta de adesão medicamentosa (principal causa)
8.4. Fisiopatologia
- HAR: hiperatividade do SRAA → hiperaldosteronismo → retenção hidrossalina
- HARf: hiperatividade simpática (sem componente volumétrico principal, pois já em duplo bloqueio diurético)
8.5. Investigação
- FRCV, LOA subclínicas, DCV/DRC estabelecidas
- HA secundária: hiperaldosteronismo, estenose renovascular, AOS (prevalência até 80% em HAR)
8.6. Denervação Simpática Renal (DSR)
- Resultados controversos
- Metanálise: redução PAS 24h de -2,23 mmHg (significativa mas modesta)
- Pode ser considerada de forma individualizada e compartilhada com o paciente
9. ADESÃO AO TRATAMENTO
- ~50% dos pacientes crônicos não aderem às prescrições
- Melhoria de 20% na adesão → ↓ 17% risco AVC e ↓ 12% mortalidade
- Métodos de avaliação: diretos (dosagem sérica/urinária) e indiretos (autorrelato, contagem, registros farmácia, monitoramento eletrônico)
- Alta adesão: ≥ 80%; média: 50-79%; baixa: < 50%
Estratégias eficazes:
- Equipe multiprofissional
- Atenção farmacêutica
- Automonitoramento da PA
- Apps de celular e SMS
- Redução do número de comprimidos (comprimido único)
- Subsídios para aquisição de medicamentos




