Cardiologia2025

Brasileira de Hipertensão Arterial 2025: o que mudou na diretriz

Cai na prova 2026
  • Atualização das evidências desde 2020 com novos ECRs e metanálises

  • Primeira diretriz a incluir capítulo dedicado ao manejo da HA no SUS/Atenção Primária à Saúde

  • Adoção da metodologia GRADE para classificação de recomendações

  • Cerca de 75% dos pacientes com HA no Brasil são tratados no SUS

  • A HA é o principal fator de risco para mortalidade total no Brasil (104,8 por 100.000 em 2019)

  • Prevalência de HA no Brasil: 27,9% pelo VIGITEL 2023; estimativa da OMS de 45% entre 30-70 anos

  • Apenas 33% dos hipertensos brasileiros estão com PA controlada (estimativa OMS)

  • Nova classificação de PA: remoção da categoria "PA ótima"; criação da faixa "Pré-hipertensão" ampliada (120-139/80-89 mmHg)

  • Meta de PA unificada: < 130/80 mmHg para TODOS os hipertensos, independentemente do risco CV

  • Escore de risco: adoção do PREVENT (AHA) em substituição a outros escores

  • Tratamento inicial combinado: reforço da associação de medicamentos como primeira linha para a maioria

  • Betabloqueadores: formalmente posicionados como indicação específica (não mais primeira linha universal), baseado em revisão sistemática com metanálise feita especificamente para esta diretriz

  • Novos medicamentos abordados: iSGLT2, aGLP-1, finerenona, sacubitril/valsartana (perspectivas)

  • Capítulo inédito sobre o SUS

  • Abordagem de COVID-19 e HA

  • Inclusão de espiritualidade/religiosidade como fator relevante

O que mudou

16 mudanças que você precisa saber

  • Antes

    Classificação PA: "PA ótima" (< 120/80), "PA normal" (120-129/80-84), "Pré-hipertensão" (130-139/85-89)

    Agora

    PA Normal (< 120/80) e Pré-hipertensão (120-139/80-89) — categorias simplificadas

  • Antes

    Meta de PA variável conforme risco CV (< 130/80 para alto risco; < 140/90 para baixo risco)

    Agora

    Meta ÚNICA: < 130/80 mmHg para TODOS os hipertensos, independente do risco

  • Antes

    Escore de Framingham ou SCORE para estratificação

    Agora

    Escore PREVENT (AHA) como recomendação principal

  • Antes

    BB como classe preferencial em algumas diretrizes

    Agora

    BB apenas para indicações específicas (IC, DAC, FA, etc.), com revisão sistemática exclusiva para essa decisão

  • Antes

    Urgência hipertensiva" como categoria

    Agora

    Termo substituído por "elevação importante da PA sem LOA aguda"; reavaliação ambulatorial 1-7 dias

  • Antes

    Sem capítulo específico sobre SUS

    Agora

    Capítulo inédito sobre manejo da HA na APS/SUS

  • Antes

    COVID-19 não abordado

    Agora

    Capítulo dedicado a HA e COVID-19, incluindo COVID longa

  • Antes

    HAB e HM na gestação não mencionados

    Agora

    HAB e HM na gestação e PRES incluídos na classificação

  • Antes

    iSGLT2, aGLP-1 e finerenona com menor destaque

    Agora

    Incorporados como medicamentos com proteção cardiorrenal, embora com efeito anti-hipertensivo modesto

  • Antes

    Sem menção a combinações em doses ultrabaixas

    Agora

    Perspectiva de tratamento com 3-4 medicamentos em doses ultrabaixas em comprimido único

  • Antes

    Substitutos do sal com potássio pouco enfatizados

    Agora

    Recomendação explícita de substitutos do sal com potássio (↓ PA e eventos CV)

  • Antes

    Meta de PA na DRC: controvérsia entre < 130/80 e < 140/90

    Agora

    Meta < 130/80; PAS < 120 pode ser almejada em selecionados (jovens, sem fragilidade, medida automática)

  • Antes

    Meta PA no DM: divergente entre estudos

    Agora

    < 130/80 mmHg confirmada, com base no estudo BPROAD

  • Antes

    Meditação e espiritualidade: baixo destaque

    Agora

    Meditação recomendação FORTE/MODERADA; espiritualidade formalmente incluída

  • Antes

    Tratamento do DM hipertenso: início gradual

    Agora

    Início IMEDIATO com 2 medicamentos (IECA/BRA + BCC ou DIU)

  • Antes

    Espironolactona como 4º medicamento

    Agora

    Mantida; eplerenona como alternativa formal; amilorida em estudo como não inferior

Resumo técnico

A diretriz na íntegra

Documento de Referência Completo para Provas de Residência Médica


2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA

Por que esta diretriz foi publicada

  • Atualização das evidências desde 2020 com novos ECRs e metanálises
  • Primeira diretriz a incluir capítulo dedicado ao manejo da HA no SUS/Atenção Primária à Saúde
  • Adoção da metodologia GRADE para classificação de recomendações
  • Cerca de 75% dos pacientes com HA no Brasil são tratados no SUS
  • A HA é o principal fator de risco para mortalidade total no Brasil (104,8 por 100.000 em 2019)
  • Prevalência de HA no Brasil: 27,9% pelo VIGITEL 2023; estimativa da OMS de 45% entre 30-70 anos
  • Apenas 33% dos hipertensos brasileiros estão com PA controlada (estimativa OMS)

O que mudou em relação à versão anterior (DBHA 2020)

  • Nova classificação de PA: remoção da categoria "PA ótima"; criação da faixa "Pré-hipertensão" ampliada (120-139/80-89 mmHg)
  • Meta de PA unificada: < 130/80 mmHg para TODOS os hipertensos, independentemente do risco CV
  • Escore de risco: adoção do PREVENT (AHA) em substituição a outros escores
  • Tratamento inicial combinado: reforço da associação de medicamentos como primeira linha para a maioria
  • Betabloqueadores: formalmente posicionados como indicação específica (não mais primeira linha universal), baseado em revisão sistemática com metanálise feita especificamente para esta diretriz
  • Novos medicamentos abordados: iSGLT2, aGLP-1, finerenona, sacubitril/valsartana (perspectivas)
  • Capítulo inédito sobre o SUS
  • Abordagem de COVID-19 e HA
  • Inclusão de espiritualidade/religiosidade como fator relevante

3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

3.1. Definição de Hipertensão Arterial

HA é uma doença crônica não transmissível definida por elevação persistente da PA sistólica ≥ 140 mmHg e/ou PA diastólica ≥ 90 mmHg, medida com técnica correta, em pelo menos duas ocasiões diferentes, na ausência de medicação anti-hipertensiva. É condição multifatorial (genética/epigenética, ambiental, psicossocial).

3.2. Classificação da PA no Consultório (≥ 18 anos) — NOVA CLASSIFICAÇÃO

ClassificaçãoPAS (mmHg)PAD (mmHg)
PA Normal< 120e< 80
Pré-hipertensão120-139e/ou80-89
HA Estágio 1140-159e/ou90-99
HA Estágio 2160-179e/ou100-109
HA Estágio 3≥ 180e/ou≥ 110

MUDANÇA IMPORTANTE: A classificação é definida pelo nível MAIS ELEVADO (PAS ou PAD). A categoria "PA ótima" foi REMOVIDA (agora incluída em "PA normal"). A "Pré-hipertensão" agora engloba 120-139/80-89 mmHg (antes era dividida em "PA normal" 120-129/80-84 e "Pré-hipertensão" 130-139/85-89).

3.3. Definição de HA por Método de Medida

CategoriaPAS (mmHg)PAD (mmHg)
PA consultório≥ 140e/ou≥ 90
MAPA 24 horas≥ 130e/ou≥ 80
MAPA Vigília≥ 135e/ou≥ 85
MAPA Sono≥ 120e/ou≥ 70
MRPA≥ 130e/ou≥ 80

3.4. Formas Especiais de HA

  • HA sistólica isolada: PAS ≥ 140 mmHg e PAD < 90 mmHg
  • HA diastólica isolada: PAS < 140 mmHg e PAD ≥ 90 mmHg

3.5. Fenótipos de PA (Sem medicação)

PA consultório < 140/90PA consultório ≥ 140/90
MAPA/MRPA < 130/80Normotensão verdadeira (36-43%)HA do avental branco (7-15%)
MAPA/MRPA ≥ 130/80HA mascarada (8-22%)HA sustentada (34-35%)

3.6. Fenótipos de PA (COM medicação anti-hipertensiva)

PA consultório < 130/80PA consultório ≥ 130/80
MAPA/MRPA < 130/80HA controlada (19-32%)HA avental branco não controlada (5-29%)
MAPA/MRPA ≥ 130/80HA mascarada não controlada (4-23%)HA sustentada não controlada (40-48%)

3.7. Hipotensão Ortostática

  • Definição: redução na PAS ≥ 20 mmHg e/ou PAD ≥ 10 mmHg
  • Deve ser pesquisada em: idosos, diabéticos, disautonômicos e em uso de anti-hipertensivos
  • Técnica: medir PA em posição supina e 1 e 3 minutos após mudança para posição ortostática

3.8. Efeito do Avental Branco (valores significativos)

  • PAS consultório ≥ 20 mmHg maior que MAPA 24h (ou ≥ 15 mmHg vs. MRPA)
  • PAD consultório ≥ 15 mmHg maior que MAPA 24h (ou ≥ 9 mmHg vs. MRPA)

3.9. Efeito de Mascaramento (valores significativos)

  • PAS consultório ≤ 2 mmHg maior que MAPA 24h (ou ≤ -1 mmHg vs. MRPA)
  • PAD consultório ≤ 2 mmHg maior que MAPA 24h (ou ≤ -1 mmHg vs. MRPA)

3.10. Diferença Interbraquial

  • Diferenças > 15 mmHg na PAS entre os braços indicam risco CV aumentado e possível doença arterial obstrutiva
  • Associada a remodelação adversa do VE
  • Usar o braço com PA mais elevada para medidas subsequentes

4. DIAGNÓSTICO

4.1. Critérios Diagnósticos de HA

  • PA no consultório ≥ 140 e/ou 90 mmHg em duas ocasiões diferentes (dias ou semanas)
  • Alternativa: MAPA ou MRPA para confirmação
  • Exceção: PA substancialmente elevada (Estágio 3) ou presença de LOA/DCV → diagnóstico em consulta única
  • Pacientes já em uso de anti-hipertensivos ou com LOA: considerar hipertensos mesmo com PA < 140/90

4.2. Técnica de Medida da PA no Consultório

6 Etapas obrigatórias:

  1. Braço nu, apoiado na altura do coração, palma da mão para cima
  2. Ambiente silencioso, temperatura confortável
  3. 30 min sem fumar, alimentos/cafeína; 90 min sem exercício
  4. Sentado, costas apoiadas, pernas descruzadas, pés no chão
  5. Sentado por pelo menos 5 min, bexiga vazia, sem falar
  6. Realizar 3 medidas com intervalo de 1 minuto entre elas

Valor da PA: média das duas últimas medidas. Se diferença > 10 mmHg, realizar medidas adicionais.

Equipamento preferencial: automático oscilométrico de braço validado (reduz erros do observador).

4.3. Algoritmo Diagnóstico (Triagem)

PA consultório → 
  PA normal (< 120/80): normotensão → repetir anualmente
  Pré-hipertensão (120-139/80-89): considerar HM → MAPA/MRPA
  HA Estágio 1 (140-159/90-99): considerar HAB → MAPA/MRPA
  HA Estágio 2 (160-179/100-109): alta probabilidade de HA sustentada
  HA Estágio 3 (≥ 180/≥ 110): diagnóstico de HA → iniciar tratamento + crise hipertensiva?

4.4. Exames Complementares de Rotina (Primeira consulta e anualmente)

ExameJustificativa
Análise de urinaDoença renal, proteinúria
Potássio plasmáticoHiperaldosteronismo, efeito de medicamentos
Creatinina plasmáticaFunção renal
TFGe pelo CKD-EPIClassificação de DRC
RAC ou proteinúria/creatininúriaLesão renal precoce
Glicemia de jejum e HbA1cDM, síndrome metabólica
Colesterol total, LDLc, HDLc, TGDislipidemia, risco CV
Ácido úricoRisco CV
ECG convencionalHVE, arritmias, IAM prévio

4.5. Critérios de Lesão de Órgão-Alvo (LOA)

ÓrgãoMétodoCritérios
CoraçãoECGSokolow-Lyon > 35 mm; R aVL ≥ 11 mm; Cornell > 28 mm (H) ou > 20 mm (M)
CoraçãoECOIMVE ≥ 116 g/m² (H) ou ≥ 96 g/m² (M) por SC; ou ≥ 45 g/m² (H) ou ≥ 49 g/m² (M) por altura^2,7
Grandes vasosITB< 0,9
Grandes vasosUSG carótidasPresença de placas
Grandes vasosVOPCarotídeo-femoral ≥ 10 m/s
RimTFGeDRC a partir de Estágio 3a (< 60 mL/min/1,73 m²)
RimAlbuminúria≥ 30 mg/24h ou RAC ≥ 30 mg/g
RetinaFORetinopatia hipertensiva (KWB)

4.6. Classificação de DRC (KDIGO 2024)

EstágioTFGe (mL/min/1,73m²)Descrição
G1≥ 90Normal ou alta
G260-89Levemente reduzida
G3a45-59Leve a moderadamente reduzida
G3b30-44Moderada a gravemente reduzida
G415-29Gravemente reduzida
G5< 15Falência renal

Categorias de albuminúria:

  • A1: RAC < 30 mg/g (normal a levemente aumentada)
  • A2: RAC 30-300 mg/g (moderadamente aumentada)
  • A3: RAC > 300 mg/g (gravemente aumentada)

4.7. Estratificação de Risco Cardiovascular

Escore RECOMENDADO: PREVENT (AHA)

Quando PREVENT não disponível — Classificação alternativa:

PA (mmHg)Sem FRCV1-2 FRCV≥ 3 FRCVLOA/DRC3/DMDCV/DRC ≥4
Pré-HA (130-139/80-89)BaixoBaixoModeradoAltoMuito alto
Estágio 1 (140-159/90-99)BaixoModeradoAltoAltoMuito alto
Estágio 2 (160-179/100-109)ModeradoAltoAltoAltoMuito alto
Estágio 3 (≥ 180/≥ 110)AltoAltoAltoMuito altoMuito alto

Condições que definem automaticamente ALTO risco:

  • DCV manifesta
  • Diabetes mellitus
  • DRC
  • Hipercolesterolemia familiar
  • LOA estabelecida
  • Escore PREVENT ≥ 20% em 10 anos

Fatores de risco CV considerados:

  • Sexo masculino
  • Idade > 55 anos (homem) ou > 65 anos (mulher)
  • DCV prematura em parentes 1º grau (H < 55 anos, M < 65 anos)
  • Tabagismo
  • Dislipidemia: LDLc ≥ 100 mg/dL e/ou não-HDLc ≥ 130 mg/dL e/ou HDLc ≤ 40 (H)/≤ 50 (M) e/ou TG > 150 mg/dL
  • Obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²)

4.8. HA Secundária — Principais Causas e Investigação

CausaAchados clínicos-chaveRastreamento
Doença renal parenquimatosaEdema, anemia, creatinina elevada, alterações urináriasCreatinina, TFGe, USG renal, EAS, albuminúria
Estenose de artéria renalHA súbita < 30 ou > 55 anos, HAR, sopro abdominal, EAP súbitoUSG Doppler renal, Angio-RM/TC
Apneia obstrutiva do sonoRonco, pausas, sonolência diurna, obesidadePolissonografia (padrão-ouro); IAH ≥ 5 = AOS
Coarctação de aortaPAS MMSS > MMII ≥ 10 mmHg, pulsos MMII diminuídosRX tórax, ECO, Angio-TC/RM
Hiperaldosteronismo primárioHAR, hipopotassemia (não obrigatória), nódulo adrenalAldosterona/renina plasmática, TC adrenais
FeocromocitomaTríade: cefaleia + sudorese + palpitaçõesMetanefrinas plasmáticas livres e urinárias
HipotireoidismoFadiga, ganho peso, HA diastólicaTSH, T4 livre
HipertireoidismoTaquicardia, perda peso, exoftalmiaTSH, T4 livre
Síndrome de CushingFácies lua cheia, estrias purpúreas, obesidade centralCortisol urinário 24h, teste supressão dexametasona
HiperparatireoidismoLitíase, osteoporoseCálcio, PTH, vitamina D

5. TRATAMENTO

5.1. Metas Terapêuticas

Meta UNIVERSAL de PA:

PA < 130/80 mmHg para TODOS os hipertensos

SituaçãoMeta de PA
HA (qualquer risco CV)< 130/80 mmHg
Pré-hipertensão + alto risco CV< 130/80 mmHg
HA + DAC< 130/80 mmHg (admite-se até 120/70 sem ↑ risco)
HA + DRC tratamento conservador< 130/80 mmHg
HA + DRC (PAS < 120 selecionados)Jovens, sem fragilidade, medida automática
HA + DM< 130/80 mmHg
HA + Obesidade< 130/80 mmHg
HA + AVC/AIT prévio< 130/80 mmHg
HA + IC (ICFEp e ICFEr)< 130/80 mmHg (recomendação FRACA)
Idosos (maioria)< 130/80 mmHg
Idosos frágeis/muito idososMenor valor tolerado
Crianças < 13 anos< percentil 90
Adolescentes ≥ 13 anos< 130/80 mmHg
HAR e HARf< 130/80 mmHg (recomendação FRACA)

Se meta < 130/80 não tolerada → reduzir até o menor valor tolerado.

Metas na MAPA e MRPA:

ParâmetroPAS (mmHg)PAD (mmHg)
MAPA 24 horas< 130< 80
MAPA vigília< 135< 85
MAPA sono< 120< 70
MRPA< 130< 80

Metas em Diálise:

  • HD: pré-diálise < 140/90; pós-HD < 130/80
  • Hemodiafiltração: < 130/80
  • Diálise peritoneal: < 140/90

5.2. Início do Tratamento — Algoritmo

PARiscoConduta
≥ 120/80 mmHgQualquerMNM para todos
130-139/80-89 + alto risco CVAltoMNM por 3 meses → se não controlar → medicamento
≥ 140/90 mmHgQualquerMNM + medicamento imediatamente
Idosos ≥ 60 anosMedicamento quando PAS ≥ 140
Idosos ≥ 80 anosMedicamento quando PAS ≥ 140 (individualizar)

5.3. Medidas Não Medicamentosas (MNM)

IntervençãoRedução PAS/PADMeta/Recomendação
Cessação do tabagismoControverso sobre PA diretaRecomendada para redução de eventos CV e morte
Perda de peso-1,05/-0,92 mmHg por kgIMC < 25 kg/m² (adultos); 22-27 kg/m² (idosos)
Restrição de sódio-2,8/-1,4 mmHg por 1,15g Na/dia< 2g Na/dia = 5g sal/dia = 1 colher chá/dia
↑ Potássio dietético-4,8/-3,0 mmHg≥ 3,5 g/dia (exceto DRC com risco de hipercalemia)
Dieta DASH-8,7/-4,5 mmHgRica em frutas, hortaliças, laticínios magros
Dieta Mediterrânea-1,5/-0,9 mmHgComplementar
Redução do álcool-5,5/-4,0 mmHg (≥ 6 doses → ↓50%)H ≤ 2 doses/dia; M ≤ 1 dose/dia
Exercício aeróbico-7,6/-4,7 mmHg≥ 150 min/sem moderado ou 75 min/sem vigoroso
Exercício resistido dinâmico-2,6/-2,1 mmHg2-3×/sem, complementar ao aeróbico
Exercício resistido isométrico-4,3/-5,0 mmHg
Exercício combinado-5,3/-5,6 mmHg
Meditação/mindfulness-6,6/-2,5 mmHg≥ 8 sessões intensivas
Respiração lenta-6,4 mmHg PAS e PAD6-10 respirações/min, 15-20 min/dia
CaféSem ↑ PA em consumo habitualAté 3-4 xícaras/dia (≤ 400mg cafeína/dia)

Exercício — Prescrição detalhada:

  • Aeróbico: 3-5×/sem, 30-60 min/sessão, intensidade moderada
    • FC treino = (FC máxima – FC repouso) × 40-60% + FC repouso
  • Resistido: 2-3×/sem, 8-10 exercícios, 1-3 séries, 10-15 repetições (~60% 1RM), pausas 90-120s
  • NÃO iniciar se PA > 160/105 mmHg; reduzir intensidade se PA > 180/105 durante exercício
  • Interromper comportamento sedentário: levantar a cada 30 min sentado

Substitutos do sal: enriquecidos com potássio → reduzem PAS/PAD em -5,9/-2,2 mmHg. CUIDADO com pacientes com DRC (risco de hipercalemia).

5.4. Tratamento Medicamentoso

5.4.1. Classes Preferenciais (Base do "Octeto")

ClasseExemplos principais
Diuréticos tiazídicos/similaresHCTZ 25-50mg, Clortalidona 12,5-25mg, Indapamida SR 1,5-3mg
IECAEnalapril 5-40mg, Ramipril 2,5-20mg, Perindopril 4-16mg
BRALosartana 50-100mg, Valsartana 80-320mg, Olmesartana 20-40mg
BCCAnlodipino 2,5-10mg, Nifedipino 10-60mg, Lercanidipino 10-20mg
BB (indicações específicas)Metoprolol 50-200mg, Bisoprolol 5-20mg, Carvedilol 6,25-50mg, Nebivolol 2,5-10mg

5.4.2. Indicações Específicas para Betabloqueadores

  • ICFEr
  • Síndromes coronarianas (pós-IAM, angina)
  • Fibrilação atrial / controle de FC
  • Mulheres que desejam engravidar
  • HA em hemodiálise
  • Outras: enxaqueca, tremor essencial, varizes esofágicas, tireotoxicose

5.4.3. Estratégias de Tratamento

MONOTERAPIA (excepcional) — Indicações:

  • PA 130-139/80-89 + alto risco CV
  • Idosos ≥ 80 anos
  • Indivíduos frágeis
  • HA Estágio 1 + risco baixo (a critério médico)
  • Hipotensão ortostática sintomática

ASSOCIAÇÃO DE MEDICAMENTOS (regra para a maioria):

ETAPA 1: Dupla (IECA ou BRA) + (BCC ou DIU tiazídico/similar)
           → preferencialmente em comprimido único
           → controla ~60% dos pacientes

Se meta não alcançada ↓

ETAPA 2: Tripla (IECA ou BRA) + BCC + DIU tiazídico/similar
           → preferencialmente em comprimido único
           → controla ~90% dos pacientes

Se meta não alcançada ↓

ETAPA 3: Quarto medicamento = ESPIRONOLACTONA 25-50 mg/dia
           (Eplerenona se intolerância → ginecomastia)

Se meta não alcançada ↓

ETAPA 4: Quinto medicamento = simpatolítico
           - Clonidina 0,2-0,9 mg/dia
           - Bisoprolol / Carvedilol / Nebivolol
           - Doxazosina 1-16 mg/dia

Se meta não alcançada ↓

ETAPA 5: Hidralazina / Minoxidil
           Considerar denervação renal
           Encaminhar a centro de referência

5.4.4. Contraindicações e Precauções Importantes

SituaçãoContraindicação/Precaução
IECA + BRA juntosCONTRAINDICADO (↑ efeitos adversos sem ↓ desfechos)
IECA/BRA na gestaçãoCONTRAINDICADO (teratogênicos)
IECA/BRA + espironolactonaMonitorar K+ e creatinina (risco hipercalemia)
Espironolactona com TFGe < 30 e K+ > 5,5Usar com cautela
BB em broncopata graveContraindicado (exceto cardiosseletivos com cautela)
BCC não-dihidropiridínico + BBEvitar (bradicardia)
Nifedipina sublingualPROSCRITA em qualquer situação de elevação aguda da PA
Atenolol na gestaçãoContraindicado (restrição crescimento fetal)

5.4.5. Medicamentos com Ação Anti-hipertensiva Discreta mas com Benefício Cardiorrenal

MedicamentoRedução PAS/PADIndicação principal
iSGLT2 (dapagliflozina, empagliflozina)-5,08/-2,73 mmHg (MAPA DM2)DRC, IC, DM2
aGLP-1 (semaglutida, liraglutida, dulaglutida)-3,37/-1,05 mmHgObesidade, DM2, risco CV
Finerenona (ARM não esteroidal)Até -11,2 mmHg PAS 24h (dose 15mg)DRC + DM2
Sacubitril/valsartanaMaior que olmesartanaICFEr (não indicado rotineiramente para HA isolada)

5.4.6. Horário de Administração

  • Medicamentos podem ser administrados pela manhã ou à noite, com eficácia similar (estudo TIME).

5.4.7. Seguimento

  • Ajustes geralmente a cada 4 semanas, salvo situações específicas
  • Rever a cada 4 semanas até alcançar meta
  • Verificar adesão ao tratamento SEMPRE
  • Combater inércia terapêutica

5.5. Curva J

  • Não há evidências consistentes de curva J causal para risco CV
  • PA baixa é marcador (não causa) de alto risco, especialmente em idosos com comorbidades
  • Estudo de randomização mendeliana: redução da PAD diminui risco de IAM mesmo em valores baixos
  • Reduzir PA até 120/70 mmHg não aumenta risco CV em pacientes com DAC assintomáticos
  • Na HA sistólica isolada: monitorar PAD durante redução da PAS

6. POPULAÇÕES ESPECIAIS

6.1. Idosos

Diagnóstico:

  • Maior variabilidade pressórica
  • Fatores de confusão: hiato auscultatório, pseudo-hipertensão, variações posturais/pós-prandiais
  • ~20% têm hipotensão ortostática; ~30% têm hipotensão pós-prandial
  • MAPA é particularmente útil

Avaliação funcional:

  • Velocidade de marcha (VM): < 0,8 m/s (ou > 8s para 6m) = fragilidade/risco
  • Escala Clínica de Fragilidade (1-9): aplicar rotineiramente
  • Avaliação cognitiva necessária

Metas e tratamento:

  • Meta < 130/80 mmHg para a maioria
  • Idosos frágeis, muito idosos, expectativa de vida limitada: menor valor tolerado
  • Iniciar com monoterapia ou doses baixas; aumento gradual (mínimo 2 semanas entre ajustes)
  • Preferir combinações em comprimido único, dose única diária
  • BB NÃO como monoterapia inicial (exceto IC, SCA)
  • Desintensificação/desprescrição: considerar em hipotensão sintomática, PA muito abaixo da meta, cuidados paliativos

Polifarmácia (≥ 5 medicamentos):

  • Maior em idosos
  • Associada a ↑ eventos adversos, interações, ↓ adesão
  • Revisar periodicamente todos os medicamentos

6.2. Crianças e Adolescentes

Definições:

Crianças 1-12 anosAdolescentes ≥ 13 anos
PA normal< P90< 120/80
Pré-hipertensão≥ P90 e < P95 ou 120/80 (o que for menor)120-129/< 80
HA Estágio 1≥ P95 até < P95+12 ou 130/80-139/89 (o que for menor)130/80-139/89
HA Estágio 2≥ P95+12 ou ≥ 140/90 (o que for menor)≥ 140/90
  • Diagnóstico: PA ≥ P95 em 3 atendimentos diferentes (auscultatório)
  • MAPA indicada para confirmação: pré-HA por ≥ 1 ano ou HA Estágio 1 em 3 consultas
  • Meta: PA < P90 (crianças) ou < 130/80 (≥ 13 anos)
  • Na DRC: < P50 da média 24h na MAPA
  • Medicamentos: IECA, BRA, BCC ação prolongada, ou diurético tiazídico
  • HA secundária é mais provável em < 6 anos e PA muito elevada; HA primária predomina no adolescente obeso

6.3. Mulheres

Mulheres jovens:

  • AHCO: ↑ 13% risco de HA para cada 5 anos de uso
  • Monitorar PA antes e a cada 6 meses após início de AHCO
  • Se PAS ≥ 160 e/ou PAD ≥ 100 mmHg persistentes: considerar outros métodos contraceptivos
  • IECA/BRA contraindicados se potencial para engravidar (exceto IC com contracepção)
  • Preferir BCC ou BB com propriedades vasodilatadoras

Menopausa:

  • ↑ PA por ↓ estradiol, ↑ SRAA, rigidez aórtica
  • Tratamento: bloqueador SRAA + BCC ou diurético tiazídico
  • Diuréticos tiazídicos: benefício adicional na prevenção de osteoporose
  • Terapia hormonal: monitorar PA; interromper se descontrole; preferir estrogênio transdérmico se obesidade/DM

SOP:

  • Forte associação com HA em mulheres jovens (OR 1,7)
  • Hiperandrogenemia associada a PA elevada independentemente de idade, obesidade, RI

Metas: iguais para homens e mulheres; mesmas classes de anti-hipertensivos

6.4. Gestação

Classificação dos distúrbios hipertensivos na gestação:

CondiçãoDefinição
Pré-eclâmpsiaPA ≥ 140/90 após 20 sem + proteinúria (≥ 300mg/24h ou RAC ≥ 0,3g/g) ou sinais de gravidade
HA crônicaHA presente antes da gestação ou < 20 semanas
HA crônica + PE sobrepostaPE em mulher com HA prévia
HA gestacionalPA ≥ 140/90 após 20 sem, sem proteinúria, resolve no puerpério
EclâmpsiaConvulsões na PE sem outra causa
Síndrome HELLPHemólise + ↑ enzimas hepáticas + plaquetopenia
PRESEdema vasogênico parieto-occipital + sintomas neurológicos
HAB na gestaçãoPA ≥ 140/90 consultório + PA < 135/85 MAPA vigília ou MRPA
HM na gestaçãoPA < 140/90 consultório + PA ≥ 135/85 MAPA vigília ou MRPA

Sinais de gravidade da PE: trombocitopenia (< 100.000), creatinina > 1,1 mg/dL, ↑ 2× transaminases, edema pulmonar, sintomas visuais ou cefaleia.

Predição e profilaxia:

  • Modelo FMF (11-14 sem): fatores maternos + PA média + Doppler de artérias uterinas + PLGF
  • AAS 100-150 mg/noite iniciado antes de 16 semanas até 36 semanas em alto risco
  • Cálcio > 500 mg se ingesta < 900 mg/dia, antes da gestação ou até 20 semanas
  • AF antes e durante gestação para reduzir HA gestacional e PE

Metas na gestação:

  • PAS > 120 e < 160 mmHg; PAD > 80 e < 110 mmHg
  • Tratar urgentemente se PAS ≥ 160 mmHg persistente ≥ 15 min

Medicamentos na gestação:

LinhaMedicamentos
1ª linhaMetildopa, Nifedipina ação prolongada, Amlodipina, BB (exceto atenolol)
2ª linhaDiurético tiazídico (evitar em PE), Clonidina, Hidralazina
ContraindicadosIECA, BRA, Atenolol, ARM, Nifedipina sublingual

EH na gestação:

  • Hidralazina IV 5 mg a cada 20-30 min (até 15 mg)
  • Se indisponível: Nifedipina 10 mg VO, repetir 10-20 mg a cada 20-30 min
  • Sulfato de magnésio: para prevenção de eclâmpsia em HA grave sintomática e tratamento de eclâmpsia
  • NPS: máximo 4h (risco cianeto fetal)

Puerpério:

  • HA resolve geralmente em 5-6 dias
  • Qualquer anti-hipertensivo pode ser usado, incluindo IECA
  • Aleitamento: ver compatibilidade (permitidos: captopril, enalapril, propranolol, metoprolol, espironolactona, nifedipina, hidralazina, metildopa)

Risco futuro: mulheres com HA gestacional devem ter acompanhamento CV de longo prazo

6.5. HA e Doença Arterial Coronariana

  • Meta: < 130/80 mmHg (admite-se até 120/70 sem ↑ risco)
  • BB + BCC preferenciais para sintomáticos com DAC
  • BB pós-IAM melhora prognóstico
  • IECA reduz desfechos CV em alto risco; BRA se intolerância
  • Redução gradual e cautelosa da PA em isquêmicos, diabéticos, muito idosos

6.6. HA e DRC

  • Meta: < 130/80 mmHg (PAS < 120 em selecionados)
  • IECA ou BRA como 1ª escolha (não associar entre si)
  • Adicionar iSGLT2 (TFGe > 20): cardiorrenal
  • Finerenona: DRC + DM2
  • aGLP-1 (semaglutida): DRC + DM2
  • Monitorar K+ e TFGe durante tratamento
  • Se TFGe < 30: considerar furosemida; CTD pode ser usada entre 15-30

6.7. HA e Diabetes Mellitus

  • 80-90% dos DM desenvolverão HA
  • Meta: < 130/80 mmHg
  • Início IMEDIATO com 2 medicamentos: IECA (ou BRA) + BCC ou diurético tiazídico similar
  • Diurético preferencial: indapamida (menor impacto metabólico)
  • MAPA/MRPA recomendadas (alta prevalência de HM no DM)
  • Dosagem de albuminúria em 2-3 amostras ao diagnóstico

6.8. HA e Obesidade

  • Obesidade visceral ↑ risco de HA em 65-75%
  • Meta: < 130/80 mmHg
  • Perda ≥ 5-10% do peso corporal por MNM
  • aGLP-1: bons resultados em peso e risco CV, modestos em PA
  • CC normal: < 102 cm (H), < 88 cm (M)

6.9. HA e COVID-19

  • HA é fator de pior prognóstico na COVID-19
  • Manter IECA/BRA durante COVID-19
  • COVID longa: HA frequentemente presente
  • Vacinação recomendada para hipertensos

6.10. HA e AVC (Fase Crônica)

  • HA contribui para ~60% do risco de doença cerebrovascular
  • Meta: < 130/80 mmHg para prevenção secundária
  • Medicamentos: diuréticos tiazídicos/similares + bloqueador SRAA; se necessário, adicionar BCC
  • Tratamento anti-hipertensivo reduz demência e déficit cognitivo

6.11. HA e Insuficiência Cardíaca

  • 90% dos pacientes com IC têm HA

  • Meta: < 130/80 mmHg (ICFEp e ICFEr) — recomendação FRACA
  • ICFEr: BB + IECA/BRA + ARM + diuréticos + sacubitril/valsartana + iSGLT2
  • Níveis baixos de PA NÃO devem limitar otimização das medicações se tolerados
  • iSGLT2: reduz hospitalização e morte CV em ICFEr e ICFEp

7. CRISE HIPERTENSIVA

7.1. Definições

CondiçãoDefiniçãoConduta
Emergência Hipertensiva (EH)PA elevada (geralmente ≥ 180/110) + LOA aguda progressiva + risco de morteUTI + anti-hipertensivos IV
Elevação importante da PA sem LOA (antiga "urgência hipertensiva")PA elevada sem LOA agudaAmbulatorial; reavaliação 1-7 dias; alvo PAS < 160 e PAD < 100
PseudocrisePA elevada + oligossintomático, sem LOAEvento emocional/doloroso; observação 30 min

7.2. Classificação das EH

  • Cerebrovasculares: encefalopatia hipertensiva, AVCI, AVCH, hemorragia subaracnoide
  • Cardiocirculatórias: dissecção de aorta, EAP, IAM, angina instável
  • Sistêmicas: HA acelerada/maligna, HA com MDO
  • Crises adrenérgicas: feocromocitoma, drogas ilícitas
  • Gravidez: eclâmpsia, PE grave, HELLP

7.3. Alvos de PA nas EH

SituaçãoAlvo
Regra geral↓ 25% na 1ª hora → 160/100 em 2-6h → normal em 24-48h
EAP / Crises adrenérgicasPAS < 140 mmHg na 1ª hora
Dissecção aguda de aortaPAS 90-120 mmHg + FC < 60 bpm em 20 min
AVCI com trombólisePA < 185/110 antes; < 180/105 nas 24h pós
AVCI sem trombólise, PA ≥ 220/120↓ 15% nas primeiras 24h
AVCI meta 7-10 diasPAS 120-130 e PAD 70-79 mmHg
AVCH PAS > 220PAS < 180 mmHg
AVCH leve-moderado PAS 150-220PA < 140 mmHg
Hemorragia subaracnoide PAS > 180↓ gradual em 24-72h
SCAPAS < 140 (evitar < 120); PAD 70-80 mmHg

7.4. Medicamentos IV para EH

MedicamentoDoseInícioIndicação principal
Nitroprussiato de sódio0,25-10 µg/kg/minImediatoMaioria das EH
Nitroglicerina5-15 mg/h2-5 minInsuficiência coronariana, EAP
Metoprolol5 mg IV (até 20 mg)5-10 minDAC, dissecção aorta
Esmolol500 µg/kg ataque → 25-300 µg/kg/min1-2 minDissecção aorta
Hidralazina10-20 mg IV ou 10-40 mg IM10-30 minEclâmpsia
Furosemida20-60 mg2-5 minEAP, hipervolemia

7.5. HA Acelerada/Maligna

  • Retinopatia Grau 4 KWB (papiledema) ± IRA e necrose fibrinoide arteriolar
  • Mortalidade 80% em 2 anos se não tratada
  • Tratar com NPS IV → iniciar VO com IECA/BRA

8. HIPERTENSÃO RESISTENTE E REFRATÁRIA

8.1. Definições

CondiçãoDefinição
HARPA acima da meta com ≥ 3 anti-hipertensivos sinérgicos (preferencialmente IECA/BRA + BCC + DIU tiazídico) em doses máximas toleradas, por 30-60 dias, excluída pseudorresistência; OU PA controlada com ≥ 4 medicamentos
HARfPA não controlada com ≥ 5 anti-hipertensivos, incluindo ARM (espironolactona/eplerenona) e diurético tiazídico similar de longa ação (CTD ou indapamida)

8.2. Epidemiologia

  • HAR verdadeira: ~10,3% dos hipertensos
  • HA pseudorresistente: ~10,3%
  • HARf: 3,6-17,6% dos HAR
  • No Brasil (ReHOT): 11,7% de HAR

8.3. Causas de Pseudorresistência (excluir antes do diagnóstico)

  1. Falha técnica na medida da PA (manguito inadequado)
  2. Efeito do avental branco → MAPA obrigatória (preferencial) ou MRPA
  3. Inércia terapêutica
  4. Falta de adesão medicamentosa (principal causa)

8.4. Fisiopatologia

  • HAR: hiperatividade do SRAA → hiperaldosteronismo → retenção hidrossalina
  • HARf: hiperatividade simpática (sem componente volumétrico principal, pois já em duplo bloqueio diurético)

8.5. Investigação

  • FRCV, LOA subclínicas, DCV/DRC estabelecidas
  • HA secundária: hiperaldosteronismo, estenose renovascular, AOS (prevalência até 80% em HAR)

8.6. Denervação Simpática Renal (DSR)

  • Resultados controversos
  • Metanálise: redução PAS 24h de -2,23 mmHg (significativa mas modesta)
  • Pode ser considerada de forma individualizada e compartilhada com o paciente

9. ADESÃO AO TRATAMENTO

  • ~50% dos pacientes crônicos não aderem às prescrições
  • Melhoria de 20% na adesão → ↓ 17% risco AVC e ↓ 12% mortalidade
  • Métodos de avaliação: diretos (dosagem sérica/urinária) e indiretos (autorrelato, contagem, registros farmácia, monitoramento eletrônico)
  • Alta adesão: ≥ 80%; média: 50-79%; baixa: < 50%

Estratégias eficazes:

  • Equipe multiprofissional
  • Atenção farmacêutica
  • Automonitoramento da PA
  • Apps de celular e SMS
  • Redução do número de comprimidos (comprimido único)
  • Subsídios para aquisição de medicamentos

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  • 01

    Nova classificação de PA: Pré-hipertensão agora inclui 120-139/80-89 (antes parte era "PA normal")

  • 02

    Meta < 130/80 para TODOS: mesmo para baixo risco CV — isso é NOVO e provavelmente será cobrado

  • 03

    IECA + BRA = CONTRAINDICADO (mantido, mas reforçado)

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