Ginecologia e Obstetricia2025

Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero: Parte I - Rastreamento Organizado Utilizando Testes Moleculares para Detecção de DNA-HPV Oncogênico 2025: o que mudou na diretriz

Cai na prova 2026
  • Incidência estimada (triênio 2023-2025): 17.010 casos novos/ano de câncer de colo do útero
  • Taxa de incidência nacional: 15,38 casos/100 mil mulheres
  • Taxas regionais de incidência:
    • Norte: 20,48/100 mil
    • Nordeste: 17,59/100 mil
    • Centro-Oeste: 16,66/100 mil
  • Ranking por região: 3º câncer mais incidente em mulheres no país; 2º no Norte e Nordeste; 3º no Centro-Oeste; 4º no Sul; 5º no Sudeste
  • Diagnóstico tardio: 81,8% diagnosticadas em FIGO II-IV (II: 35,2%; III: 36,1%; IV: 10,5%)
  • Óbitos em 2023: 7.209 óbitos; taxa de mortalidade de 4,79/100 mil mulheres
  • Taxa de mortalidade na Região Norte: 9,47/100 mil mulheres (quase o dobro da taxa nacional)
  1. Incorporação ao SUS dos testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico (Portaria SECTICS/MS nº 3/2024, de 7 de março de 2024)
  2. Chamada global da OMS (2018) para eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública (incidência < 4/100.000 mulheres-ano)
  3. Metas OMS 2020:
    • 90% das meninas vacinadas contra HPV até 15 anos
    • 70% das mulheres rastreadas com teste molecular para HPV oncogênico entre 35-45 anos
    • 90% das mulheres com lesões precursoras/câncer recebendo tratamento
  4. Transição do modelo oportunístico (citologia) para modelo organizado (teste de DNA-HPV)
  • Teste primário de rastreamento: citologia → teste de DNA-HPV oncogênico por PCR com genotipagem

  • Periodicidade: trienal (após dois exames anuais negativos) → quinquenal

  • Modelo de rastreamento: oportunístico → organizado (convocação ativa)

  • Idade de encerramento: 64 anos → acima de 60 anos com último teste negativo

  • Autocoleta: não prevista → incorporada como estratégia complementar

  • Coteste (citologia + HPV simultâneos): não recomendado

  • Parte I: Rastreamento propriamente dito (este documento)

  • Parte II (futura): Avaliação, tratamento e seguimento de mulheres identificadas no rastreamento

  • NÃO abrange: mulheres sintomáticas (sangramento vaginal anormal, sangramento pós-coito) → encaminhar ao especializado independentemente do rastreamento

O que mudou

16 mudanças que você precisa saber

  • Antes

    Citologia (Papanicolaou)

    Agora

    Teste de DNA-HPV oncogênico por PCR com genotipagem

  • Antes

    Oportunístico

    Agora

    Organizado (convocação ativa populacional)

  • Antes

    Trienal (após 2 anuais negativos)

    Agora

    Quinquenal

  • Antes

    25-64 anos

    Agora

    25 anos até >60 anos com teste negativo

  • Antes

    64 anos (com 2 citologias negativas nos 5 anos anteriores)

    Agora

    Último teste negativo acima de 60 anos

  • Antes

    Não abordado

    Agora

    Expressamente NÃO recomendado

  • Antes

    Não prevista

    Agora

    Incorporada como estratégia complementar

  • Antes

    Não aplicável (citologia era o teste primário)

    Agora

    Genotipagem (16/18 → colposcopia) + citologia reflexa (outros → colposcopia se ASC-US+)

  • Antes

    Após início da atividade sexual (citologia)

    Agora

    Após início da atividade sexual (teste de DNA-HPV)

  • Antes

    Anual (citologia)

    Agora

    Trienal (DNA-HPV negativo)

  • Antes

    Colposcopia se ASC-US+ (citologia)

    Agora

    Colposcopia para qualquer HPV positivo independente da citologia

  • Antes

    Não encerrar

    Agora

    Não encerrar (mantido)

  • Antes

    Rastreamento no pré-natal com citologia

    Agora

    Rastreamento no pré-natal com teste DNA-HPV; coleta segura em qualquer IG

  • Antes

    Seguimento

    Agora

    Rastreio por 25 anos (coleta vaginal)

  • Antes

    Não abordado

    Agora

    Desconsiderar resultado

  • Antes

    Não aplicável

    Agora

    Colposcopia obrigatória após 24 meses de persistência, independente da citologia

Resumo técnico

A diretriz na íntegra

2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA

Epidemiologia no Brasil (dados 2023-2025)

  • Incidência estimada (triênio 2023-2025): 17.010 casos novos/ano de câncer de colo do útero
  • Taxa de incidência nacional: 15,38 casos/100 mil mulheres
  • Taxas regionais de incidência:
    • Norte: 20,48/100 mil
    • Nordeste: 17,59/100 mil
    • Centro-Oeste: 16,66/100 mil
  • Ranking por região: 3º câncer mais incidente em mulheres no país; 2º no Norte e Nordeste; 3º no Centro-Oeste; 4º no Sul; 5º no Sudeste
  • Diagnóstico tardio: 81,8% diagnosticadas em FIGO II-IV (II: 35,2%; III: 36,1%; IV: 10,5%)
  • Óbitos em 2023: 7.209 óbitos; taxa de mortalidade de 4,79/100 mil mulheres
  • Taxa de mortalidade na Região Norte: 9,47/100 mil mulheres (quase o dobro da taxa nacional)

Por que esta diretriz foi publicada

  1. Incorporação ao SUS dos testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico (Portaria SECTICS/MS nº 3/2024, de 7 de março de 2024)
  2. Chamada global da OMS (2018) para eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública (incidência < 4/100.000 mulheres-ano)
  3. Metas OMS 2020:
    • 90% das meninas vacinadas contra HPV até 15 anos
    • 70% das mulheres rastreadas com teste molecular para HPV oncogênico entre 35-45 anos
    • 90% das mulheres com lesões precursoras/câncer recebendo tratamento
  4. Transição do modelo oportunístico (citologia) para modelo organizado (teste de DNA-HPV)

O que mudou em relação à versão anterior (2016)

  • Teste primário de rastreamento: citologia → teste de DNA-HPV oncogênico por PCR com genotipagem
  • Periodicidade: trienal (após dois exames anuais negativos) → quinquenal
  • Modelo de rastreamento: oportunístico → organizado (convocação ativa)
  • Idade de encerramento: 64 anos → acima de 60 anos com último teste negativo
  • Autocoleta: não prevista → incorporada como estratégia complementar
  • Coteste (citologia + HPV simultâneos): não recomendado

Escopo

  • Parte I: Rastreamento propriamente dito (este documento)
  • Parte II (futura): Avaliação, tratamento e seguimento de mulheres identificadas no rastreamento
  • NÃO abrange: mulheres sintomáticas (sangramento vaginal anormal, sangramento pós-coito) → encaminhar ao especializado independentemente do rastreamento

3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

Definições-chave

TermoDefinição
HPV oncogênicos (alto risco)Tipos 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59. Tipo 68 (provavelmente oncogênico) e 66 (possivelmente oncogênico) frequentemente incluídos nos painéis comerciais
Genotipagem parcialIdentifica HPV 16 e 18 (podendo incluir 45) isoladamente + pool de outros tipos oncogênicos
Genotipagem estendidaIdentifica separadamente mais tipos de HPV oncogênicos
RastreamentoProcesso em que população de risco padrão, assintomática, é submetida a teste para identificar quem tem risco de doença
TriagemSegundo exame realizado após teste primário positivo (genotipagem ou citologia reflexa)
Citologia reflexaCitologia processada na mesma amostra utilizada para o teste de DNA-HPV
CotesteRealização simultânea de citologia e teste de DNA-HPV (NÃO recomendado)
AutocoletaMulher obtém amostra vaginal para teste de DNA-HPV sem espéculo
Amostra insatisfatória (citologia)Material acelular ou hipocelular (<10% da amostra) ou leitura prejudicada por sangue, piócitos, artefatos de dessecamento, contaminantes externos ou superposição celular >75%
Teste inválido/inconclusivoFalha na detecção do DNA viral por amostra/armazenamento/transporte/processamento inadequados
ASC-US+Células atípicas de significado indeterminado (escamosas, glandulares ou origem indefinida), LSIL, HSIL, AIS, carcinoma invasor
Atividade sexualPenetração vaginal, anal, oral pelo pênis ou genitais femininos pela língua, por dedos ou objetos sexuais; atos não penetrativos como masturbação mútua; consentida ou não
ImunodepressãoDiminuição da resposta imune por doenças (aids, DRC, câncer)
ImunossupressãoDiminuição da resposta imune por medicamentos (corticoides, imunoterápicos para doenças autoimunes, transplantes)

Classificação de risco por tipo viral

ClassificaçãoTipos de HPVConduta
Maior riscoHPV 16 e/ou 18Colposcopia direta (sem necessidade de citologia de triagem)
Risco intermediárioHPV 31, 33, 45, 52, 58Seguir protocolo de "HPV outros" (citologia reflexa)
Outros oncogênicosHPV 35, 39, 51, 56, 59, (66, 68)Citologia reflexa para definir conduta

Dados de risco por genotipagem (estudo norueguês)

SituaçãoRisco de NIC3+
HPV 16 e/ou 18 positivo, citologia negativa19,9% (IC95%: 15,0-26,1%)
HPV outros (não 16/18) positivo, citologia negativa5,5% (IC95%: 4,2-7,1%)

Tipos 16 e 18: causam 77% dos casos de câncer de colo do útero no mundo


4. DIAGNÓSTICO / RASTREAMENTO

4.1. Algoritmo de Rastreamento - População de Risco Padrão (Figura 1)

Etapa 1: Teste primário

  • Teste: DNA-HPV oncogênico por PCR com genotipagem parcial ou estendida
  • População-alvo: Mulheres 25-64 anos, assintomáticas
  • Coleta: Por médico/profissional de enfermagem (ecto e endocérvice) ou autocoleta vaginal
  • Periodicidade: A cada 5 anos (após resultado negativo)

Etapa 2: Resultado e triagem

Se DNA-HPV NEGATIVO (nenhum tipo oncogênico detectado):

  • Repetir teste de DNA-HPV em 5 anos

Se DNA-HPV POSITIVO para tipos 16 e/ou 18:

  • Encaminhar diretamente para COLPOSCOPIA (independente de citologia)

Se DNA-HPV POSITIVO para outros tipos (não 16/18):

  • Realizar CITOLOGIA REFLEXA (mesma amostra)
    • Citologia alterada (ASC-US+) ou insatisfatória → Encaminhar para COLPOSCOPIA
    • Citologia negativa → Repetir teste de DNA-HPV em 12 meses

Se resultado INVÁLIDO/INCONCLUSIVO:

  • Nova coleta por profissional de saúde para repetição

Etapa 3: Seguimento pós-triagem negativa

Após colposcopia negativa (HPV 16/18) ou citologia reflexa negativa (HPV outros):

  • Repetir teste de DNA-HPV em 12 meses

Se novo teste de DNA-HPV em 12 meses:

  • NEGATIVO → Retornar ao rastreamento em 5 anos
  • POSITIVO para HPV 16/18 → Nova colposcopia
  • POSITIVO para HPV outros com citologia alterada (ASC-US+) → Colposcopia
  • POSITIVO para HPV outros com citologia negativa → Repetir teste em mais 12 meses

Etapa 4: Persistência viral ≥ 24 meses (HPV não 16/18)

  • Após 24 meses de persistência de DNA-HPV não 16/18 → Encaminhar para COLPOSCOPIA independentemente do resultado da citologia reflexa

Etapa 5: Após qualquer colposcopia negativa no seguimento

  • Repetir teste de DNA-HPV em 12 meses
  • Se negativo → Retornar ao rastreamento em 5 anos

4.2. População-alvo

ParâmetroRecomendaçãoForçaEvidência
Início do rastreamento25 anos25-29a: condicional; ≥30a: forteBaixo; Moderado
Antes dos 25 anosNÃO rastrearForteAlta
Teste inadvertido <25 anosDesconsiderar resultado; orientar história natural; iniciar aos 25CondicionalOpinião de especialistas
EncerramentoÚltimo teste negativo acima de 60 anosCondicionalModerada
>60 anos sem teste prévioFazer 1 teste; se negativo, encerrarCondicionalOpinião de especialistas
>60 anos com NIC2/3/AIS tratadoManter rastreamento até 25 anos após tratamentoCondicionalOpinião de especialistas
Sem atividade sexualNÃO rastrearForteModerada
Status vacinal HPVNÃO altera recomendação de rastreamentoCondicionalMuito baixa

4.3. Priorização para convocação ativa (transição)

Ordem de prioridade:

  1. Mulheres de 30-49 anos com atraso >36 meses ou nunca rastreadas
  2. Mulheres de 50-64 anos com atraso >36 meses ou nunca rastreadas
  3. Mulheres de 30-49 anos (independente de história anterior)
  4. Mulheres de 25-29 anos nunca rastreadas
  • Reconvocação: 18 semanas após convite inicial sem resposta

4.4. Coleta da amostra

AspectoRecomendação
Coleta profissionalPrioritária; médico ou enfermeiro; mesmos sítios da citologia (ecto e endocérvice)
AutocoletaEstratégia complementar para situações de barreira de acesso
PreparoIdealmente: evitar menstruação ativa, creme vaginal 24h antes, relações sexuais 3 dias antes
Aconselhamento prévioObrigatório: esclarecer que resultado positivo não indica necessariamente câncer

4.5. Sobre a citologia reflexa e autocoleta

  • Se amostra inicial obtida por autocoleta e necessidade de citologia reflexa → nova coleta por profissional de saúde obrigatória
  • Citologia reflexa deve ser processada preferencialmente na mesma amostra do teste de DNA-HPV
  • Deve ser encaminhada independente de novo pedido médico

5. TRATAMENTO

Nota: Esta diretriz (Parte I) NÃO aborda tratamento. As condutas de avaliação, tratamento e seguimento de mulheres identificadas no rastreamento serão contempladas na Parte II (futura).

Informações relevantes sobre tratamento mencionadas na justificativa das recomendações:

  • Exérese da Zona de Transformação (EZT): Aumenta risco de parto prematuro

    • RR 1,78 (IC95%: 1,60-1,98) para nascimento <37 semanas
    • RR 2,40 (IC95%: 1,92-2,99) para nascimento entre 32-34 semanas
    • RR 2,54 (IC95%: 1,77-3,63) para nascimento entre 28-30 semanas
    • Aumento do risco de: ruptura prematura de membranas, corioamnionite, baixo peso ao nascer, UTI neonatal, mortalidade perinatal
  • Regressão espontânea de NIC2:

    • <30 anos: 70% de regressão em 36 meses
    • ≥30 anos: 44% de regressão em 24 meses

Preparo com estrógeno tópico (quando indicado - pós-menopausa)

  • Medicamento: Estriol creme vaginal (consta na RENAME)
  • Posologia: 1 g com aplicador vaginal, durante 14 noites consecutivas
  • Intervalo para coleta/colposcopia: 5-7 dias após suspensão do uso
  • Contraindicação relativa: Câncer de mama (avaliar individualmente; pode usar mesmo esquema)

6. POPULAÇÕES ESPECIAIS

6.1. Gestantes (Recomendação 31)

AspectoConduta
RastreamentoMesmas recomendações da população de risco padrão
Quando rastrearDurante pré-natal, se necessário regularizar
Segurança da coletaSegura em qualquer idade gestacional, inclusive endocérvice
PeculiaridadeAumento transitório na detecção de HPV na gestação (sem relevância clínica)
Investigação de positivosPode aguardar período pós-parto
ObrigatórioAvaliação clínica do colo para descartar lesões macroscópicas

6.2. Pós-menopausa (Recomendações 32-33)

AspectoConduta
RastreamentoMesmas orientações de risco padrão
Atrofia genitalEstrogenização prévia à coleta se atrofia presente
HPV outros + citologia insatisfatória por atrofiaEncaminhar para colposcopia com preparo estrogênico prévio
Preparo estrogênicoEstriol creme vaginal 1 g/noite por 14 noites; coleta 5-7 dias após suspensão

6.3. Histerectomizadas (Recomendações 34-35)

SituaçãoConduta
Histerectomia total por lesão benigna, sem história de NIC/AIS, exames prévios normaisExcluir do rastreamento
Histerectomia total por lesão precursoraRastrear (coleta vaginal) por pelo menos 25 anos
Histerectomia total por câncer de coloRastrear indefinidamente
Motivo desconhecido da histerectomiaManter rastreamento

6.4. Sem atividade sexual (Recomendação 36)

  • NÃO rastrear (risco desprezível; HPV transmitido sexualmente)

6.5. HIV/AIDS e Imunodeprimidas/Imunossuprimidas (Recomendações 37-41)

ParâmetroRisco padrãoHIV/Imunodeprimidas
Início25 anosApós início da atividade sexual (qualquer idade)
Encerramento>60 anos com teste negativoNÃO encerrar (rastrear indefinidamente)
Intervalo após negativo5 anos3 anos
HPV 16/18 positivoColposcopiaColposcopia
HPV outros positivoCitologia reflexa → conduta conforme resultadoColposcopia direta (independente da citologia)
Qualquer HPV positivoTriagem pela genotipagem/citologiaColposcopia independente da citologia

Definição de imunodepressão/imunossupressão incluída:

  • AIDS, doença renal crônica, câncer
  • Uso de corticoides, imunoterápicos (doenças autoimunes, transplantes de órgãos sólidos ou medula óssea)

6.6. Pessoas LBTQIA+ (Recomendações 42-44)

  • Mesmas orientações de risco padrão
  • Autocoleta deve ser oferecida independente de orientação sexual/identidade de gênero
  • Homens transgênero com útero em hormonização: pode haver redução da sensibilidade do teste (especialmente autocoleta); se HPV positivo necessitando citologia, considerar preparo estrogênico (como pós-menopausa)
  • Mulheres bissexuais: risco 1,9x maior de câncer de colo do útero que heterossexuais

6.7. Pessoas em situações de vulnerabilidade (Recomendações 45-47)

  • Mesmas orientações de risco padrão
  • Oferecer autocoleta quando disponível
  • Integrar rastreamento com outras ações de saúde
  • Vulneráveis incluem: situação de rua, privadas de liberdade, migrantes/refugiadas, com albinismo, negras, quilombolas, circenses, ciganas, entregadoras de aplicativos, LBTQIA+
  • Mortalidade por câncer de colo: mulheres negras +27%, indígenas +82% vs brancas

APÊNDICE: Evidências Numéricas Relevantes

Superioridade do teste de DNA-HPV sobre citologia

EstudoAchadoEvidência
Meta-análise 4 ECR europeus (176.464 mulheres, 6,5 anos seguimento)Detecção cumulativa de câncer 40% menor com HPV (RT: 0,60; IC95%: 0,40-0,89)Alta
ECR Índia (1 rodada)RR câncer avançado (FIGO ≥II): 0,47 (IC95%: 0,32-0,69); RR mortalidade: 0,52 (IC95%: 0,33-0,83) com HPV vs controleAlta
Indaiatuba (SP)4x mais NIC2+ detectado; 87% dos cânceres em FIGO I (vs 67% avançados no período anterior)Moderada
Rastreamento HPVProteção 60-70% maior contra carcinomas invasivos vs citologiaAlta

Incidência de câncer de colo por idade

  • 20 anos: 3/100.000
  • 25 anos: 5/100.000
  • 30 anos: 12/100.000
  • Pico: 40-45 anos

Prevalência de HPV de alto risco por faixa etária (estudo China, 1,7 milhão)

  • <25 anos: 13,31%
  • 25-29 anos: 9,97%
  • 30-34 anos: 9,50%

Modelagem brasileira: início aos 25 vs 30 anos

  • Iniciar aos 30 (vs 25): +14 mortes por câncer / -14 partos prematuros
  • Conclusão: morte por câncer é desfecho mais grave → melhor iniciar aos 25

Coteste vs HPV isolado

  • NIC2+/NIC3+: sem diferença na detecção
  • Coteste: ~20% mais colposcopias, custo de ~US$170.000/caso adicional de NIC3+

POBASCAM (14 anos seguimento, 43.339 mulheres)

  • Incidência cumulativa de câncer/NIC3+ muito menor com HPV negativo vs citologia negativa
  • Intervalo seguro de 5 anos confirmado

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    Teste primário de rastreamento agora é DNA-HPV (não mais citologia)

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    Forte candidato a questão; contradiz diretamente o que era ensinado

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    Intervalo de 5 anos (não mais 3 anos)

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Como isso cai na sua prova

A diretriz de Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero: Parte I - Rastreamento Organizado Utilizando Testes Moleculares para Detecção de DNA-HPV Oncogênico tem peso direto em 45 das 45 bancas que a medmentorIA acompanha — abaixo, as 5 que mais cobram Ginecologia e Obstetricia.

Predições são estimativas geradas pela IA M.A.E.S.T.R.O.® — não substituem o edital oficial da banca.

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