CardiologiaSBC2025

Síndrome Coronariana Crônica 2025: o que mudou na diretriz

Substitui: Diretriz de Doença Coronária Estável (SBC, 2014)

Publicado em Arq Bras Cardiol. 2025; 122(9):e20250619 · https://doi.org/10.36660/abc.20250619

Cai na prova 2026

A SCC representa a doença cardíaca não transmissível de maior morbimortalidade no Brasil. O conceito de "Síndrome Coronariana Crônica" surgiu em 2019 (ESC), substituindo "doença coronariana estável", reconhecendo:

  • A doença coronariana como um contínuo com fases silenciosas e agudizações
  • Pacientes com angina e isquemia SEM obstrução coronária (INOCA/ANOCA), especialmente mulheres
  • Necessidade de estratégias diferentes em cada momento da jornada

Cinco fenótipos clínicos de SCC:

  1. Pacientes pós-SCA ou pós-revascularização
  2. Disfunção VE/cardiomiopatia isquêmica conhecida ou suspeita
  3. Angina estável (típica ou equivalentes) em tratamento clínico
  4. Angina com vasoespasmo ou microvascular (com/sem aterosclerose)
  5. Diagnóstico baseado apenas em exames de triagem

O que mudou

20 mudanças que você precisa saber

  • Antes

    Doença Coronária Estável

    Agora

    Síndrome Coronariana Crônica" — conceito de contínuo

  • Antes

    Antianginosos 1ª/2ª/3ª/4ª linha

    Agora

    Abordagem individualizada (sem hierarquia)

  • Antes

    PPT Diamond-Forrester clássico

    Agora

    Modelo ESC 2019 recalibrado — PPT muito menores

  • Antes

    Foco em DAC obstrutiva

    Agora

    Inclusão de INOCA, ANOCA, MINOCA, DMV, DEAC

  • Antes

    Meta LDL não <70 mg/dL

    Agora

    LDL <50 mg/dL + redução >50%; <40 se 2º evento em 2 anos

  • Antes

    Inibidores PCSK9 emergentes

    Agora

    Indicação formal Classe I (NE A)

  • Antes

    BB pós-IAM rotineiro

    Agora

    REDUCE-AMI: SEM benefício se FEVE ≥50% pós-IAM

  • Antes

    Viabilidade orientava revascularização

    Agora

    STICH/REVIVED: viabilidade NÃO direciona decisão

  • Antes

    N-acetilcisteína prevenção NIC

    Agora

    SEM benefício; hidratação principal

  • Antes

    DAPT 12 meses padrão pós-stent eletivo

    Agora

    DAPT 6 meses padrão; 3 meses se alto risco sangramento

  • Antes

    Terapia tripla prolongada em FA + ICP

    Agora

    AAS suspenso após 1 semana; dupla com NOAC + clopidogrel

  • Antes

    Sem recomendação de iSGLT2/GLP-1

    Agora

    Classe I para prevenção 2ª em DM2

  • Antes

    Sem recomendação de colchicina

    Agora

    Classe IIb (NE B) para SCC; SEM benefício pós-IAM agudo

  • Antes

    Sem rivaroxabana baixa dose

    Agora

    COMPASS: rivaroxabana 2,5 mg + AAS em alto risco

  • Antes

    Ezetimiba opcional

    Agora

    Classe I (NE B) se meta não atingida com estatina

  • Antes

    Sem inclisirana/ácido bempedoico

    Agora

    Opções terapêuticas descritas

  • Antes

    Fibratos considerados

    Agora

    Classe III (NE A) para risco CV

  • Antes

    TRH em mulheres CV

    Agora

    Classe III — não recomendada

  • Antes

    Sem estratificação detalhada angina refratária

    Agora

    Capítulo específico com terapias intervencionistas

  • Antes

    ISCHEMIA não disponível

    Agora

    Resultados integrados: estratégia invasiva inicial reduz IM espontâneo

Resumo técnico

A diretriz na íntegra

2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA

A SCC representa a doença cardíaca não transmissível de maior morbimortalidade no Brasil. O conceito de "Síndrome Coronariana Crônica" surgiu em 2019 (ESC), substituindo "doença coronariana estável", reconhecendo:

  • A doença coronariana como um contínuo com fases silenciosas e agudizações
  • Pacientes com angina e isquemia SEM obstrução coronária (INOCA/ANOCA), especialmente mulheres
  • Necessidade de estratégias diferentes em cada momento da jornada

Cinco fenótipos clínicos de SCC:

  1. Pacientes pós-SCA ou pós-revascularização
  2. Disfunção VE/cardiomiopatia isquêmica conhecida ou suspeita
  3. Angina estável (típica ou equivalentes) em tratamento clínico
  4. Angina com vasoespasmo ou microvascular (com/sem aterosclerose)
  5. Diagnóstico baseado apenas em exames de triagem

3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

Classificação da Dor Torácica (3 critérios)

  1. Desconforto retroesternal com qualidade/duração características
  2. Desencadeado por esforço/estresse emocional
  3. Alívio com repouso e/ou nitrato sublingual em até 10 min
TipoCritérios
Angina típica3 critérios
Angina atípica2 critérios
Dor não anginosa0–1 critério

Classificação CCS de Gravidade da Angina

ClasseDescrição
IApenas com esforço físico intenso/prolongado
IILimitação leve com esforço moderado
IIILimitação significativa (andar um quarteirão)
IVRepouso ou qualquer atividade

Subtipos de Angina Instável

  • Início recente: <2 meses, CCS III/IV
  • Em crescendo: aumento de frequência/intensidade ou menor limiar
  • Em repouso: episódios ≥20 minutos

Probabilidade Pré-Teste (PPT) — Modelo ESC 2019 Recalibrado

  • PPT <5%: sem necessidade de testes
  • PPT 5–15%: avaliação individualizada
  • PPT 15–85%: testes funcionais/anatômicos
  • PPT >85%: diagnóstico clínico

MUDANÇA IMPORTANTE: Homens >70 anos com "angina típica" agora têm PPT <30% (vs. estimativas muito maiores no modelo clássico de Diamond-Forrester de 1979).

Estratificação de Risco para Eventos Cardiovasculares

  • Baixo: <1% morte CV/ano
  • Intermediário: 1–3%/ano
  • Alto: >3%/ano

4. DIAGNÓSTICO

4.1 Avaliação Laboratorial Inicial (Classe I)

ExameGRNE
Perfil lipídico (LDL-C)IA
Hemograma completoIB
Glicemia de jejum + HbA1cIB
Creatinina + TFGIA
Função tireoidianaIC
  • Troponina hs: ≥10 ng/L identifica indivíduos com risco 50% maior de eventos
  • NT-proBNP: preditor independente em DCC
  • Escore ABC-CHD: troponina + NT-proBNP + LDL-C + variáveis clínicas

4.2 Teste Ergométrico

  • Indicação Classe I: avaliação de tolerância, sintomas, arritmias, resposta PA, estratificação (NE C)
  • Diagnóstico Classe IIb (NE B): alternativa quando imagem não disponível
  • NÃO recomendado: ECG basal com depressão ST ≥1mm, BRE, marca-passo, pré-excitação, uso de digital

Escore de Duke:

Tempo exercício (min) – 5×(depressão ST em mm) – 4×(índice anginoso: 1 sem angina, 2 com angina, 3 angina limitante)

  • ≥+5: baixo risco (mortalidade ≤1%/ano)
  • –10 a +4: intermediário (1–3%)
  • <–10: alto (>3%)

Capacidade Funcional:

  • CF <5 METs: risco 4–4,5× maior de morte em 6 anos
  • CF >10 METs: excelente prognóstico

4.3 Ecocardiografia

  • Strain longitudinal global: <16% sugere disfunção subclínica (Classe IIa, NE B)
  • Ecocardiografia sob estresse: acurácia 85-90%; VPN 93-100%

4.4 Medicina Nuclear (Classe I, NE B)

SPECT:

  • Defeito reversível ≥10% da massa VE = alto risco
  • Cintilografia normal: <1% eventos/ano

PET (padrão-ouro para perfusão):

  • RFC <2,0: disfunção microvascular
  • Quantifica fluxo sanguíneo miocárdico absoluto

4.5 Tomografia Coronária

Escore de Cálcio Coronário:

IndicaçãoGRNE
Assintomático risco intermediárioIA
Diabetes/síndrome metabólica risco intermediárioIB
Diagnóstico de estenose em sintomáticoIIIB
DAC obstrutiva conhecidaIIIC

AngioTC Coronária:

  • Como exame inicial em risco intermediário (Classe I, NE A)
  • Baixo risco — primeira opção (Classe IIb, NE B)

4.6 Ressonância Magnética Cardíaca

  • Perfusão miocárdica sob estresse (Classe I, NE A)
  • Realce tardio para infarto/viabilidade (Classe I, NE A/B)
  • VPN: defeito ausente = <1% eventos/ano

4.7 Cateterismo Cardíaco

  • FFR ≤0,80: indica isquemia significativa
  • iFR <0,89: alternativa não hiperêmica
  • QFR/µFR: medida derivada da angiografia

Critérios Diagnósticos de Angina Microvascular:

  • Sintomas + ausência de obstrução + isquemia objetiva
  • FFR >0,80 + RFC <2,0 + IMR ≥25 + teste de acetilcolina alterado

5. TRATAMENTO

5.1 TERAPIA ANTITROMBÓTICA

AAS (75–100 mg/dia)

  • Classe I (NE A): pós-IAM ou pós-revascularização
  • Classe IIb (NE C): SCC sem infarto/revascularização prévia
  • Redução de eventos: 21% pós-IAM; 37% nos demais

Clopidogrel (75 mg/dia)

  • Classe I (NE B): alternativa em intolerantes ao AAS
  • Classe IIa (NE B): similar ao AAS para DAC, DAP ou AVC prévio

DAPT Prolongada

  • Classe IIa (NE A): alto risco isquêmico + baixo risco sangramento
  • Ticagrelor 60mg 2x/dia + AAS em IM prévio + fator adicional (PEGASUS)

Anticoagulação em Baixa Dose (COMPASS)

  • Rivaroxabana 2,5 mg 2x/dia + AAS 100 mg: redução de 23% de eventos
  • Indicado em DAC + alto risco CV (aterosclerose em 2 territórios ou 2+ fatores: tabagismo, DM, TFG<60, IC ou AVC)

Pós-ICP em SCC

  • DAPT por 6 meses (padrão)
  • 3 meses se alto risco de sangramento (Classe IIa, NE A)
  • 1 mês se muito alto risco (Classe IIa, NE B)
  • Clopidogrel preferencial em SCC

Pós-ICP com FA (Anticoagulação)

  • NOAC preferencial sobre AVK (Classe I, NE A)
  • AAS suspenso após 1 semana se baixo risco trombose (Classe IIa, NE B)
  • Terapia tripla até 1 mês se muito alto risco (Classe IIa, NE C)
  • Prasugrel/ticagrelor NÃO em terapia tripla (Classe III, NE C)

5.2 MANEJO LIPÍDICO

Metas de LDL-C

  • <50 mg/dL + redução >50% do basal (Classe I, NE A)
  • <40 mg/dL se segundo evento em 2 anos (Classe IIb, NE B)

Algoritmo

  1. Estatina de alta intensidade dose máxima tolerada (Classe I, NE A)
    • Ezetimiba se meta não atingida (Classe I, NE B)
    • Inibidor da PCSK9 (evolocumabe/alirocumabe) — reduz LDL ~60% (Classe I, NE A)

Novos agentes:

  • Inclisirana: 300 mg SC, dose inicial, 3 meses, depois a cada 6 meses; reduz LDL ~50%
  • Ácido bempedoico: 180 mg/dia; reduz LDL ~21%; útil em intolerantes a estatinas (CLEAR Outcomes)

Lipoproteína(a)

  • Marcador independente, herdado, não modulado por dieta
  • Sem medicação aprovada (pelacarsen e olpasiran em fase 3)

Triglicerídeos

  • Etil icosapente (EPA) 4 g/dia se TG >135 mg/dL em uso de estatina (Classe IIb, NE B)
  • Fibratos NÃO recomendados para redução de risco CV (Classe III, NE A)

5.3 TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL

  • NÃO recomendada para redução de risco em mulheres pós-menopausa (Classe III, NE C)

5.4 SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA-ALDOSTERONA

IndicaçãoGRNE
Disfunção VE, IC ou DMIA
Rotina em todos com DACIIaB
Espironolactona pós-IAM + FEVE ≤35% + DM ou ICIIaA
  • Sacubitril/valsartana: substituto de iECA em IC com FEVE ≤35%

5.5 COLCHICINA (0,5 mg/dia)

  • Classe IIb (NE B): redução de eventos coronários recorrentes
  • LODOCO-2: redução absoluta 1,1% no desfecho composto
  • CLEAR SYNERGY (2024): SEM benefício em pacientes pós-IAM agudo (3 anos)

5.6 TERAPIA ANTIDIABÉTICA EM DM2

RecomendaçãoGRNE
iSGLT2 em DM2 para prevenção secundáriaIA
GLP-1 RA em DM2 para prevenção secundáriaIA
Combinação iSGLT2 + GLP-1 RAIC
Pioglitazona como adição em DM2 sem ICIIaB
  • Pioglitazona contraindicada em IC
  • GLP-1 RA reduz eventos mesmo sem DM em pacientes obesos (SELECT)

5B. TRATAMENTO ANTIANGINOSO (CONTROLE DE SINTOMAS)

MUDANÇA-CHAVE: ABORDAGEM INDIVIDUALIZADA

Abandona-se a divisão em "primeira linha" vs. "segunda linha" — não há evidência de superioridade entre as classes.

Abordagem Brasileira Individualizada (Figura Central)

FE ≥50% + FC ≥70 + PA ≥120/70

  • Preferenciais: BCC não di-hidropiridínico OU betabloqueador
  • Associáveis: BCC di-hidropiridínico, ivabradina, nitrato, ranolazina, trimetazidina

FE ≥50% + FC ≥70 + PA <120/70

  • Preferenciais: Betabloqueador OU ivabradina
  • Associáveis: ranolazina, trimetazidina

FE ≥50% + FC <70 + PA ≥120/70

  • Preferenciais: BCC di-hidropiridínico
  • Associáveis: nitrato, ranolazina, trimetazidina

FE ≥50% + FC <70 + PA <120/70

  • Preferenciais: Ranolazina OU trimetazidina

FE <50% (Disfunção VE/IC)

  • FC ≥70: betabloqueador + ivabradina
  • FC <70: betabloqueador
  • Associáveis: ranolazina, trimetazidina

Vasoespasmo

  • Preferenciais: BCC + nitrato de ação rápida
  • Associáveis: BCC di-hidropiridínico, nitrato longa duração, ranolazina, trimetazidina
  • CONTRAINDICADOS: Betabloqueadores

INOCA/Doença Microvascular

  • Betabloqueador, ivabradina ou BCC
  • Associáveis: ranolazina, trimetazidina

Fármacos — Doses e Especificidades

Betabloqueadores:

  • Alvo FC 55–60 bpm
  • Bisoprolol, carvedilol, succinato de metoprolol em ICfer (Classe I, NE A)
  • REDUCE-AMI (2024): SEM benefício em IAM com FEVE preservada (≥50%)

Trimetazidina:

  • 35 mg 2x/dia ou 80 mg LP 1x/dia
  • Contraindicada se TFG <30 mL/min
  • 35 mg/dia se TFG <60 mL/min
  • ATPCI: SEM redução de eventos pós-ICP

Ivabradina:

  • Início 5 mg 2x/dia; máx 7,5 mg 2x/dia
  • Reduzir para 2,5 mg 2x/dia se FC <50 bpm
  • Contraindicada com diltiazem/verapamil
  • NÃO usar com FC <70 bpm

Ranolazina:

  • 500 mg 2x/dia → 1000 mg 2x/dia
  • Contraindicada em insuficiência hepática, prolongamento QT
  • Avaliar QTc antes/durante
  • Sinvastatina máx 20 mg quando associada
  • Efeito antidiabético adicional

Nitratos de longa duração:

  • NÃO usar em monoterapia (Classe III, NE C)
  • Necessitam intervalo livre de 10–14h
  • Maior taxa de eventos (morte, IM, IC) com uso prolongado

Alopurinol: SEM benefício em redução de eventos CV


6. TRATAMENTO INVASIVO

6.1 Escores

  • SYNTAX: anatomia para escolha de revascularização
  • >23: doença complexa

6.2 ICP — Imagem Intravascular

RecomendaçãoGRNE
IVUS/OCT para ICP complexaIA
IVUS para estenose TCEIIaB
IVUS/OCT para estenose intermediáriaIIbB
IVUS/OCT para ICP baixa complexidadeIIbB

Critérios IVUS para revascularização:

  • ALM <3 mm² OU 3-4 mm² com carga >70%
  • TCE: ALM <6 mm² (asiáticos: 4,5–4,8 mm²)

6.3 ICP vs. CRM — Indicações

Para Redução de Eventos

CenárioGRNE
Estenose significativa + angina limitante refratáriaIA
Multiarterial complexidade menor/moderadaIIaA
TCE complexidade menor/moderadaIIaB
FFR positivoIB

CRM Superior (Classe I, NE A para todos)

  • Multivaso + SYNTAX >23 + ADA proximal (FEVE preservada)
  • Multiarterial + disfunção VE
  • Lesão de TCE

6.4 Pacientes Diabéticos

  • FREEDOM (7,5 anos): mortalidade ICP 24,3% vs. CRM 18,3% (p=0,01)
  • CRM preferível em DM2 + multiarterial

6.5 ISCHEMIA Trial — Insights

  • Em 7 anos: menor mortalidade CV com estratégia invasiva inicial
  • IM espontâneo: redução com invasiva (HR 0,53)
  • IC + FEVE 35-45%: invasiva precoce pode melhorar sobrevida

6.6 Escores de Sangramento

EscoreGRNE
ARC-HBR para DAPT encurtadaIIaB
PRECISE-DAPT ≥25 para DAPT encurtadaIIaB
ARC-HBR Trade-offIIbC
DAPT scoreIIIC

6.7 Prevenção de NIC

  • Hidratação SF 0,9%: 1,0–1,5 mL/kg/h por 3–12h antes, 6–24h após
  • N-acetilcisteína: SEM benefício
  • Bicarbonato: resultados conflitantes
  • Volume de contraste/TFG <3,7
  • Contrastes iso/hipo-osmolares

6.8 Profilaxia para Alergia ao Contraste

  • Prednisona 50 mg em 13h, 7h e 1h antes
  • Difenidramina 50 mg IV/IM 1h antes
  • Fexofenadina 180 mg 3 dias antes

7. VACINAÇÃO

Vacinas Recomendadas

VacinaEsquema
InfluenzaAnual; preferir HD4V (>60 anos) ou quadrivalente
Pneumocócica conjugada (VPC13/15/20)Iniciar sempre VPC; intervalo 2 meses para VPP23
Pneumocócica polissacarídica (VPP23)Dose + reforço após 5 anos
COVID-19Esquema primário + reforço anual

Risco de miocardite/pericardite pós-vacina COVID-19: 0,031/100.000 doses no Brasil (vs. 30/milhão por COVID-19)


8. ESTILO DE VIDA

Dieta

  • Frutas/vegetais: ≥400 g/dia
  • Cereais integrais ≥50%
  • Açúcar ≤10% (idealmente ≤5%)
  • Sal ≤5 g/dia (2 g sódio)
  • Etanol <100 g/semana em alto risco
  • Padrão: Mediterrâneo, DASH, vegetariana
  • Peixe rico em EPA/DHA: ≥2 porções/semana

Controle de Peso

  • Perda de 5% do peso inicial: melhora metabólica
  • Déficit ≥500 kcal/dia
  • Atividade aeróbica ≥150 min/semana (300 min em obesos)
  • Circunferência cintura: ≥102 cm (H) / ≥88 cm (M)

Atividade Física

TipoRecomendaçãoGRNE
Aeróbico150–300 min/sem moderada OU 75–150 min alta intensidadeIA
Resistido2 dias/sem, grandes grupos muscularesIA

Reabilitação Cardíaca: Classe I, NE A para SCC

Atividade Sexual

  • Risco de IAM 3× nas 2-3h pós-coito, reduzido em ativos
  • Acrônimo KiTOMI: progressão gradual pós-evento
  • Inibidores PDE5 NÃO usar com nitratos

9. POPULAÇÕES ESPECIAIS

9.1 MULHERES

  • Quadro clínico atípico mais comum
  • Maior mortalidade hospitalar pós-IAM
  • Maior prevalência: INOCA, MINOCA, DEAC, vasoespasmo, doença microvascular
  • DEAC: 25-35% dos IAM em mulheres <50 anos
  • MINOCA: prevalência 10,5% vs. 3,4% (homens)

9.2 DOENÇA RENAL CRÔNICA

  • DAC: 30-70% dos pacientes (frequentemente assintomáticos)
  • Estratificação clínica (3 fatores principais):
    • Idade ≥50 anos
    • Diabetes
    • DCV concomitante
RecomendaçãoGRNE
Heart-Kidney TeamIC
Estratificação clínicaIA
Revascularização profilática pré-transplanteIIIC
Prevenção secundáriaIIaC

Ajustes:

  • iECA/BRA: suspender se ↑creatinina >30%
  • Atenolol, bisoprolol: reduzir dose
  • Metformina contraindicada estágio ≥3
  • Ranolazina/trimetazidina: contraindicadas TFG <30

9.3 ONCOLÓGICOS

  • Stent farmacológico preferencial (Classe IIa, NE B)
  • DAPT mantida se plaquetas >30.000 (Classe IIa, NE B)
  • Câncer ativo: maior risco IAM, trombose stent, sangramento
  • Pulmão: maior mortalidade hospitalar (2×)
  • Cólon ativo: maior risco sangramento

9.4 HIPERTENSÃO + DAC

  • Meta: PAS 120-129 / PAD 70-79 mmHg (adultos)
  • Idoso hígido: 130-139 / 70-79
  • Idoso frágil: 140-149 / 70-79
  • NÃO baixar abaixo de 120/70 mmHg (curva J)
  • Combinação inicial: iSRAA + BB ou BCC
  • iECA + BRA contraindicada (Classe III, NE A)

9.5 FIBRILAÇÃO ATRIAL

  • NOAC preferencial vs. AVK (Classe I, NE A)
  • CHA₂DS₂-VASc ≥2 (H) ou ≥3 (M): anticoagular (Classe I, NE A)
  • Pós-12 meses do evento coronariano: NOAC isoladamente

9.6 ANGINA REFRATÁRIA

TerapiaGRNE
Recanalização percutânea CTOIIaA
Reabilitação cardíacaIIbB
Neuroestimulação medularIIbC
AcupunturaIIbA
Transplante cardíacoIIbC
Revascularização transmiocárdica laserIIIA

9.7 VIABILIDADE MIOCÁRDICA

MUDANÇA DE PARADIGMA:

  • STICH (10 anos): viabilidade NÃO foi preditor de benefício da CRM
  • REVIVED-BCIS2: ICP NÃO reduziu eventos vs. TMO mesmo com viabilidade
  • Pacientes com FEVE ≤35% candidatos a CRM: encaminhar prontamente, INDEPENDENTE de teste de viabilidade
  • Fibrose miocárdica: cada 10% ↑ = 18% ↑ risco de eventos

10. PREVENÇÃO SECUNDÁRIA PÓS-SCA

Variáveis de Alto Risco para IC

  1. Classe Killip durante evento
  2. FEVE <40%
  3. FEVE 40-45% + padrão restritivo/regurgitação mitral
  4. BNP elevado
  5. Necessidade de diuréticos de alça

Seguimento

  • Reavaliação FE 8-12 semanas pós-revascularização
  • ECG anual após 1 ano (assintomáticos)
  • Estresse + ECO transtorácico a cada 3-5 anos

11. PÓS-CRM — CUIDADOS

RecomendaçãoGRNE
Reintrodução TMO + reabilitaçãoIA
AAS em 6h, indefinidamenteIA
Betabloqueador precoce (prevenir FAPO)IB
BCC pós-enxerto radial por 1 anoIB
iECA/BRA/ARNI/estatinas após tolerânciaIC
DAPT em selecionados (baixo risco sangramento)IIbB
Anticoagulação se FAPO ≥24h ou revertida (4 sem)IIaB
Reestratificação aos 5 anos em alto riscoIIbC

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Contradiz o que se ensinava

  • 01

    Betabloqueador NÃO é mais obrigatório pós-IAM se FEVE ≥50% (REDUCE-AMI 2024)

  • 02

    N-acetilcisteína NÃO previne NIC — apenas hidratação

  • 03

    Viabilidade miocárdica NÃO direciona revascularização (STICH 10 anos / REVIVED-BCIS2)

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