2. CONTEXTO E IMPORTÂNCIA
A SCC representa a doença cardíaca não transmissível de maior morbimortalidade no Brasil. O conceito de "Síndrome Coronariana Crônica" surgiu em 2019 (ESC), substituindo "doença coronariana estável", reconhecendo:
- A doença coronariana como um contínuo com fases silenciosas e agudizações
- Pacientes com angina e isquemia SEM obstrução coronária (INOCA/ANOCA), especialmente mulheres
- Necessidade de estratégias diferentes em cada momento da jornada
Cinco fenótipos clínicos de SCC:
- Pacientes pós-SCA ou pós-revascularização
- Disfunção VE/cardiomiopatia isquêmica conhecida ou suspeita
- Angina estável (típica ou equivalentes) em tratamento clínico
- Angina com vasoespasmo ou microvascular (com/sem aterosclerose)
- Diagnóstico baseado apenas em exames de triagem
3. DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES
Classificação da Dor Torácica (3 critérios)
- Desconforto retroesternal com qualidade/duração características
- Desencadeado por esforço/estresse emocional
- Alívio com repouso e/ou nitrato sublingual em até 10 min
| Tipo | Critérios |
|---|---|
| Angina típica | 3 critérios |
| Angina atípica | 2 critérios |
| Dor não anginosa | 0–1 critério |
Classificação CCS de Gravidade da Angina
| Classe | Descrição |
|---|---|
| I | Apenas com esforço físico intenso/prolongado |
| II | Limitação leve com esforço moderado |
| III | Limitação significativa (andar um quarteirão) |
| IV | Repouso ou qualquer atividade |
Subtipos de Angina Instável
- Início recente: <2 meses, CCS III/IV
- Em crescendo: aumento de frequência/intensidade ou menor limiar
- Em repouso: episódios ≥20 minutos
Probabilidade Pré-Teste (PPT) — Modelo ESC 2019 Recalibrado
- PPT <5%: sem necessidade de testes
- PPT 5–15%: avaliação individualizada
- PPT 15–85%: testes funcionais/anatômicos
- PPT >85%: diagnóstico clínico
MUDANÇA IMPORTANTE: Homens >70 anos com "angina típica" agora têm PPT <30% (vs. estimativas muito maiores no modelo clássico de Diamond-Forrester de 1979).
Estratificação de Risco para Eventos Cardiovasculares
- Baixo: <1% morte CV/ano
- Intermediário: 1–3%/ano
- Alto: >3%/ano
4. DIAGNÓSTICO
4.1 Avaliação Laboratorial Inicial (Classe I)
| Exame | GR | NE |
|---|---|---|
| Perfil lipídico (LDL-C) | I | A |
| Hemograma completo | I | B |
| Glicemia de jejum + HbA1c | I | B |
| Creatinina + TFG | I | A |
| Função tireoidiana | I | C |
- Troponina hs: ≥10 ng/L identifica indivíduos com risco 50% maior de eventos
- NT-proBNP: preditor independente em DCC
- Escore ABC-CHD: troponina + NT-proBNP + LDL-C + variáveis clínicas
4.2 Teste Ergométrico
- Indicação Classe I: avaliação de tolerância, sintomas, arritmias, resposta PA, estratificação (NE C)
- Diagnóstico Classe IIb (NE B): alternativa quando imagem não disponível
- NÃO recomendado: ECG basal com depressão ST ≥1mm, BRE, marca-passo, pré-excitação, uso de digital
Escore de Duke:
Tempo exercício (min) – 5×(depressão ST em mm) – 4×(índice anginoso: 1 sem angina, 2 com angina, 3 angina limitante)
- ≥+5: baixo risco (mortalidade ≤1%/ano)
- –10 a +4: intermediário (1–3%)
- <–10: alto (>3%)
Capacidade Funcional:
- CF <5 METs: risco 4–4,5× maior de morte em 6 anos
- CF >10 METs: excelente prognóstico
4.3 Ecocardiografia
- Strain longitudinal global: <16% sugere disfunção subclínica (Classe IIa, NE B)
- Ecocardiografia sob estresse: acurácia 85-90%; VPN 93-100%
4.4 Medicina Nuclear (Classe I, NE B)
SPECT:
- Defeito reversível ≥10% da massa VE = alto risco
- Cintilografia normal: <1% eventos/ano
PET (padrão-ouro para perfusão):
- RFC <2,0: disfunção microvascular
- Quantifica fluxo sanguíneo miocárdico absoluto
4.5 Tomografia Coronária
Escore de Cálcio Coronário:
| Indicação | GR | NE |
|---|---|---|
| Assintomático risco intermediário | I | A |
| Diabetes/síndrome metabólica risco intermediário | I | B |
| Diagnóstico de estenose em sintomático | III | B |
| DAC obstrutiva conhecida | III | C |
AngioTC Coronária:
- Como exame inicial em risco intermediário (Classe I, NE A)
- Baixo risco — primeira opção (Classe IIb, NE B)
4.6 Ressonância Magnética Cardíaca
- Perfusão miocárdica sob estresse (Classe I, NE A)
- Realce tardio para infarto/viabilidade (Classe I, NE A/B)
- VPN: defeito ausente = <1% eventos/ano
4.7 Cateterismo Cardíaco
- FFR ≤0,80: indica isquemia significativa
- iFR <0,89: alternativa não hiperêmica
- QFR/µFR: medida derivada da angiografia
Critérios Diagnósticos de Angina Microvascular:
- Sintomas + ausência de obstrução + isquemia objetiva
- FFR >0,80 + RFC <2,0 + IMR ≥25 + teste de acetilcolina alterado
5. TRATAMENTO
5.1 TERAPIA ANTITROMBÓTICA
AAS (75–100 mg/dia)
- Classe I (NE A): pós-IAM ou pós-revascularização
- Classe IIb (NE C): SCC sem infarto/revascularização prévia
- Redução de eventos: 21% pós-IAM; 37% nos demais
Clopidogrel (75 mg/dia)
- Classe I (NE B): alternativa em intolerantes ao AAS
- Classe IIa (NE B): similar ao AAS para DAC, DAP ou AVC prévio
DAPT Prolongada
- Classe IIa (NE A): alto risco isquêmico + baixo risco sangramento
- Ticagrelor 60mg 2x/dia + AAS em IM prévio + fator adicional (PEGASUS)
Anticoagulação em Baixa Dose (COMPASS)
- Rivaroxabana 2,5 mg 2x/dia + AAS 100 mg: redução de 23% de eventos
- Indicado em DAC + alto risco CV (aterosclerose em 2 territórios ou 2+ fatores: tabagismo, DM, TFG<60, IC ou AVC)
Pós-ICP em SCC
- DAPT por 6 meses (padrão)
- 3 meses se alto risco de sangramento (Classe IIa, NE A)
- 1 mês se muito alto risco (Classe IIa, NE B)
- Clopidogrel preferencial em SCC
Pós-ICP com FA (Anticoagulação)
- NOAC preferencial sobre AVK (Classe I, NE A)
- AAS suspenso após 1 semana se baixo risco trombose (Classe IIa, NE B)
- Terapia tripla até 1 mês se muito alto risco (Classe IIa, NE C)
- Prasugrel/ticagrelor NÃO em terapia tripla (Classe III, NE C)
5.2 MANEJO LIPÍDICO
Metas de LDL-C
- <50 mg/dL + redução >50% do basal (Classe I, NE A)
- <40 mg/dL se segundo evento em 2 anos (Classe IIb, NE B)
Algoritmo
- Estatina de alta intensidade dose máxima tolerada (Classe I, NE A)
-
- Ezetimiba se meta não atingida (Classe I, NE B)
-
- Inibidor da PCSK9 (evolocumabe/alirocumabe) — reduz LDL ~60% (Classe I, NE A)
Novos agentes:
- Inclisirana: 300 mg SC, dose inicial, 3 meses, depois a cada 6 meses; reduz LDL ~50%
- Ácido bempedoico: 180 mg/dia; reduz LDL ~21%; útil em intolerantes a estatinas (CLEAR Outcomes)
Lipoproteína(a)
- Marcador independente, herdado, não modulado por dieta
- Sem medicação aprovada (pelacarsen e olpasiran em fase 3)
Triglicerídeos
- Etil icosapente (EPA) 4 g/dia se TG >135 mg/dL em uso de estatina (Classe IIb, NE B)
- Fibratos NÃO recomendados para redução de risco CV (Classe III, NE A)
5.3 TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL
- NÃO recomendada para redução de risco em mulheres pós-menopausa (Classe III, NE C)
5.4 SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA-ALDOSTERONA
| Indicação | GR | NE |
|---|---|---|
| Disfunção VE, IC ou DM | I | A |
| Rotina em todos com DAC | IIa | B |
| Espironolactona pós-IAM + FEVE ≤35% + DM ou IC | IIa | A |
- Sacubitril/valsartana: substituto de iECA em IC com FEVE ≤35%
5.5 COLCHICINA (0,5 mg/dia)
- Classe IIb (NE B): redução de eventos coronários recorrentes
- LODOCO-2: redução absoluta 1,1% no desfecho composto
- CLEAR SYNERGY (2024): SEM benefício em pacientes pós-IAM agudo (3 anos)
5.6 TERAPIA ANTIDIABÉTICA EM DM2
| Recomendação | GR | NE |
|---|---|---|
| iSGLT2 em DM2 para prevenção secundária | I | A |
| GLP-1 RA em DM2 para prevenção secundária | I | A |
| Combinação iSGLT2 + GLP-1 RA | I | C |
| Pioglitazona como adição em DM2 sem IC | IIa | B |
- Pioglitazona contraindicada em IC
- GLP-1 RA reduz eventos mesmo sem DM em pacientes obesos (SELECT)
5B. TRATAMENTO ANTIANGINOSO (CONTROLE DE SINTOMAS)
MUDANÇA-CHAVE: ABORDAGEM INDIVIDUALIZADA
Abandona-se a divisão em "primeira linha" vs. "segunda linha" — não há evidência de superioridade entre as classes.
Abordagem Brasileira Individualizada (Figura Central)
FE ≥50% + FC ≥70 + PA ≥120/70
- Preferenciais: BCC não di-hidropiridínico OU betabloqueador
- Associáveis: BCC di-hidropiridínico, ivabradina, nitrato, ranolazina, trimetazidina
FE ≥50% + FC ≥70 + PA <120/70
- Preferenciais: Betabloqueador OU ivabradina
- Associáveis: ranolazina, trimetazidina
FE ≥50% + FC <70 + PA ≥120/70
- Preferenciais: BCC di-hidropiridínico
- Associáveis: nitrato, ranolazina, trimetazidina
FE ≥50% + FC <70 + PA <120/70
- Preferenciais: Ranolazina OU trimetazidina
FE <50% (Disfunção VE/IC)
- FC ≥70: betabloqueador + ivabradina
- FC <70: betabloqueador
- Associáveis: ranolazina, trimetazidina
Vasoespasmo
- Preferenciais: BCC + nitrato de ação rápida
- Associáveis: BCC di-hidropiridínico, nitrato longa duração, ranolazina, trimetazidina
- CONTRAINDICADOS: Betabloqueadores
INOCA/Doença Microvascular
- Betabloqueador, ivabradina ou BCC
- Associáveis: ranolazina, trimetazidina
Fármacos — Doses e Especificidades
Betabloqueadores:
- Alvo FC 55–60 bpm
- Bisoprolol, carvedilol, succinato de metoprolol em ICfer (Classe I, NE A)
- REDUCE-AMI (2024): SEM benefício em IAM com FEVE preservada (≥50%)
Trimetazidina:
- 35 mg 2x/dia ou 80 mg LP 1x/dia
- Contraindicada se TFG <30 mL/min
- 35 mg/dia se TFG <60 mL/min
- ATPCI: SEM redução de eventos pós-ICP
Ivabradina:
- Início 5 mg 2x/dia; máx 7,5 mg 2x/dia
- Reduzir para 2,5 mg 2x/dia se FC <50 bpm
- Contraindicada com diltiazem/verapamil
- NÃO usar com FC <70 bpm
Ranolazina:
- 500 mg 2x/dia → 1000 mg 2x/dia
- Contraindicada em insuficiência hepática, prolongamento QT
- Avaliar QTc antes/durante
- Sinvastatina máx 20 mg quando associada
- Efeito antidiabético adicional
Nitratos de longa duração:
- NÃO usar em monoterapia (Classe III, NE C)
- Necessitam intervalo livre de 10–14h
- Maior taxa de eventos (morte, IM, IC) com uso prolongado
Alopurinol: SEM benefício em redução de eventos CV
6. TRATAMENTO INVASIVO
6.1 Escores
- SYNTAX: anatomia para escolha de revascularização
- >23: doença complexa
6.2 ICP — Imagem Intravascular
| Recomendação | GR | NE |
|---|---|---|
| IVUS/OCT para ICP complexa | I | A |
| IVUS para estenose TCE | IIa | B |
| IVUS/OCT para estenose intermediária | IIb | B |
| IVUS/OCT para ICP baixa complexidade | IIb | B |
Critérios IVUS para revascularização:
- ALM <3 mm² OU 3-4 mm² com carga >70%
- TCE: ALM <6 mm² (asiáticos: 4,5–4,8 mm²)
6.3 ICP vs. CRM — Indicações
Para Redução de Eventos
| Cenário | GR | NE |
|---|---|---|
| Estenose significativa + angina limitante refratária | I | A |
| Multiarterial complexidade menor/moderada | IIa | A |
| TCE complexidade menor/moderada | IIa | B |
| FFR positivo | I | B |
CRM Superior (Classe I, NE A para todos)
- Multivaso + SYNTAX >23 + ADA proximal (FEVE preservada)
- Multiarterial + disfunção VE
- Lesão de TCE
6.4 Pacientes Diabéticos
- FREEDOM (7,5 anos): mortalidade ICP 24,3% vs. CRM 18,3% (p=0,01)
- CRM preferível em DM2 + multiarterial
6.5 ISCHEMIA Trial — Insights
- Em 7 anos: menor mortalidade CV com estratégia invasiva inicial
- IM espontâneo: redução com invasiva (HR 0,53)
- IC + FEVE 35-45%: invasiva precoce pode melhorar sobrevida
6.6 Escores de Sangramento
| Escore | GR | NE |
|---|---|---|
| ARC-HBR para DAPT encurtada | IIa | B |
| PRECISE-DAPT ≥25 para DAPT encurtada | IIa | B |
| ARC-HBR Trade-off | IIb | C |
| DAPT score | III | C |
6.7 Prevenção de NIC
- Hidratação SF 0,9%: 1,0–1,5 mL/kg/h por 3–12h antes, 6–24h após
- N-acetilcisteína: SEM benefício
- Bicarbonato: resultados conflitantes
- Volume de contraste/TFG <3,7
- Contrastes iso/hipo-osmolares
6.8 Profilaxia para Alergia ao Contraste
- Prednisona 50 mg em 13h, 7h e 1h antes
- Difenidramina 50 mg IV/IM 1h antes
- Fexofenadina 180 mg 3 dias antes
7. VACINAÇÃO
Vacinas Recomendadas
| Vacina | Esquema |
|---|---|
| Influenza | Anual; preferir HD4V (>60 anos) ou quadrivalente |
| Pneumocócica conjugada (VPC13/15/20) | Iniciar sempre VPC; intervalo 2 meses para VPP23 |
| Pneumocócica polissacarídica (VPP23) | Dose + reforço após 5 anos |
| COVID-19 | Esquema primário + reforço anual |
Risco de miocardite/pericardite pós-vacina COVID-19: 0,031/100.000 doses no Brasil (vs. 30/milhão por COVID-19)
8. ESTILO DE VIDA
Dieta
- Frutas/vegetais: ≥400 g/dia
- Cereais integrais ≥50%
- Açúcar ≤10% (idealmente ≤5%)
- Sal ≤5 g/dia (2 g sódio)
- Etanol <100 g/semana em alto risco
- Padrão: Mediterrâneo, DASH, vegetariana
- Peixe rico em EPA/DHA: ≥2 porções/semana
Controle de Peso
- Perda de 5% do peso inicial: melhora metabólica
- Déficit ≥500 kcal/dia
- Atividade aeróbica ≥150 min/semana (300 min em obesos)
- Circunferência cintura: ≥102 cm (H) / ≥88 cm (M)
Atividade Física
| Tipo | Recomendação | GR | NE |
|---|---|---|---|
| Aeróbico | 150–300 min/sem moderada OU 75–150 min alta intensidade | I | A |
| Resistido | 2 dias/sem, grandes grupos musculares | I | A |
Reabilitação Cardíaca: Classe I, NE A para SCC
Atividade Sexual
- Risco de IAM 3× nas 2-3h pós-coito, reduzido em ativos
- Acrônimo KiTOMI: progressão gradual pós-evento
- Inibidores PDE5 NÃO usar com nitratos
9. POPULAÇÕES ESPECIAIS
9.1 MULHERES
- Quadro clínico atípico mais comum
- Maior mortalidade hospitalar pós-IAM
- Maior prevalência: INOCA, MINOCA, DEAC, vasoespasmo, doença microvascular
- DEAC: 25-35% dos IAM em mulheres <50 anos
- MINOCA: prevalência 10,5% vs. 3,4% (homens)
9.2 DOENÇA RENAL CRÔNICA
- DAC: 30-70% dos pacientes (frequentemente assintomáticos)
- Estratificação clínica (3 fatores principais):
- Idade ≥50 anos
- Diabetes
- DCV concomitante
| Recomendação | GR | NE |
|---|---|---|
| Heart-Kidney Team | I | C |
| Estratificação clínica | I | A |
| Revascularização profilática pré-transplante | III | C |
| Prevenção secundária | IIa | C |
Ajustes:
- iECA/BRA: suspender se ↑creatinina >30%
- Atenolol, bisoprolol: reduzir dose
- Metformina contraindicada estágio ≥3
- Ranolazina/trimetazidina: contraindicadas TFG <30
9.3 ONCOLÓGICOS
- Stent farmacológico preferencial (Classe IIa, NE B)
- DAPT mantida se plaquetas >30.000 (Classe IIa, NE B)
- Câncer ativo: maior risco IAM, trombose stent, sangramento
- Pulmão: maior mortalidade hospitalar (2×)
- Cólon ativo: maior risco sangramento
9.4 HIPERTENSÃO + DAC
- Meta: PAS 120-129 / PAD 70-79 mmHg (adultos)
- Idoso hígido: 130-139 / 70-79
- Idoso frágil: 140-149 / 70-79
- NÃO baixar abaixo de 120/70 mmHg (curva J)
- Combinação inicial: iSRAA + BB ou BCC
- iECA + BRA contraindicada (Classe III, NE A)
9.5 FIBRILAÇÃO ATRIAL
- NOAC preferencial vs. AVK (Classe I, NE A)
- CHA₂DS₂-VASc ≥2 (H) ou ≥3 (M): anticoagular (Classe I, NE A)
- Pós-12 meses do evento coronariano: NOAC isoladamente
9.6 ANGINA REFRATÁRIA
| Terapia | GR | NE |
|---|---|---|
| Recanalização percutânea CTO | IIa | A |
| Reabilitação cardíaca | IIb | B |
| Neuroestimulação medular | IIb | C |
| Acupuntura | IIb | A |
| Transplante cardíaco | IIb | C |
| Revascularização transmiocárdica laser | III | A |
9.7 VIABILIDADE MIOCÁRDICA
MUDANÇA DE PARADIGMA:
- STICH (10 anos): viabilidade NÃO foi preditor de benefício da CRM
- REVIVED-BCIS2: ICP NÃO reduziu eventos vs. TMO mesmo com viabilidade
- Pacientes com FEVE ≤35% candidatos a CRM: encaminhar prontamente, INDEPENDENTE de teste de viabilidade
- Fibrose miocárdica: cada 10% ↑ = 18% ↑ risco de eventos
10. PREVENÇÃO SECUNDÁRIA PÓS-SCA
Variáveis de Alto Risco para IC
- Classe Killip durante evento
- FEVE <40%
- FEVE 40-45% + padrão restritivo/regurgitação mitral
- BNP elevado
- Necessidade de diuréticos de alça
Seguimento
- Reavaliação FE 8-12 semanas pós-revascularização
- ECG anual após 1 ano (assintomáticos)
- Estresse + ECO transtorácico a cada 3-5 anos
11. PÓS-CRM — CUIDADOS
| Recomendação | GR | NE |
|---|---|---|
| Reintrodução TMO + reabilitação | I | A |
| AAS em 6h, indefinidamente | I | A |
| Betabloqueador precoce (prevenir FAPO) | I | B |
| BCC pós-enxerto radial por 1 ano | I | B |
| iECA/BRA/ARNI/estatinas após tolerância | I | C |
| DAPT em selecionados (baixo risco sangramento) | IIb | B |
| Anticoagulação se FAPO ≥24h ou revertida (4 sem) | IIa | B |
| Reestratificação aos 5 anos em alto risco | IIb | C |




